terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Um milagre maior do que o céu e a terra


24/03/2016 12:00 | Categorias: Padre Paulo RicardoLiturgia
Céu e terra passarão, mas o que Deus fez por cada um de nós na Páscoa de Cristo jamais passará
Celebrar a Páscoa neste Ano Jubilar da Misericórdia significa celebrar um milagre. É o que sugere Santo Agostinho quando, comentando a passagem do Evangelho que diz: "Fareis obras maiores do que estas" (Jo 14, 12), diz que salvar um pecador é obra maior do que criar o céu e a terra (cf.Tratados sobre o Evangelho de São João, 72, 3).
A frase é surpreendente, mas é verdadeira. Porque o universo foi criado do nada (ex nihilo), mas o ser humano, pelo pecado, ficou abaixo do próprio nada. Porque o universo recebeu a existência, mas o homem, quando é justificado, entra na felicidade do próprio Deus. Porque os céus e a terra passarão, mas a glória dos justos no Céu jamais passará.
Cada vez que um pecador se aproxima do confessionário, portanto, os nossos olhos da carne não enxergam, mas Deus opera um milagre maior do que a criação de todo o universo, resgatando quem era menos do que nada e enriquecendo-o com o bem da graça, que é melhor do que o bem da natureza (cf. Suma Teológica, I-II, q. 113, a. 9, ad 2).
Por isso, não deixe passar esta solenidade sem receber o perdão dos pecados, pela Confissão sacramental, e sem anunciar aos que estão à sua volta o grande milagre da misericórdia divina. Só assim o Aleluia que cantamos na Vigília Pascal poderá ser repetido eternamente no Céu.
Uma feliz e santa Páscoa para você e toda a sua família!
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19/02/2016 14:25 | Categoria: Liturgia
Segundo o atual prefeito da Congregação para o Culto Divino, sim. “O silêncio é uma condição necessária para o aprofundamento, para a oração contemplativa, além de um importante componente da Liturgia”, diz o Cardeal Robert Sarah.
Ainda há espaço para o silêncio na Santa Missa? Segundo o atual prefeito da Congregação para o Culto Divino, sim. Em uma coluna para o L'Osservatore Romano, o Cardeal Robert Sarah exortou os fiéis católicos a buscarem o recolhimento interior durante a Celebração Eucarística, como condição para que Deus manifeste "sua presença em nossas almas, irrigando-as com seu amor trinitário"."Nós deveríamos evitar transformar a Igreja, que é a Casa de Deus destinada à adoração, em um teatro ao qual as pessoas vêm para aplaudir os atores", insistiu o prelado.
O ensinamento do Cardeal Sarah não é novidade. A necessidade de silêncio na Santa Missa já foi tema de inúmeras deliberações por parte de liturgistas bastante competentes. Todavia, como prefeito de um dos mais importantes dicastérios da Cúria Romana — precisamente aquele que tem a função de cuidar dos Sacramentos da Igreja —, o Cardeal Robert Sarah tem uma autoridade singular neste debate. Porque precisa agir em harmonia com a vontade do Santo Padre, quem, aliás, o apontou para exercer o cargo que ocupa, ele não expressa somente a voz de uma opinião isolada, mas a interpretação verdadeiramente autorizada do Magistério, especialmente quando trata da velha celeuma quanto à correta aplicação do Missal de Paulo VI — uma questão, apesar de já exaustivamente debatida, ainda hoje espinhosa. Logo, suas declarações são algo que muito deve nos interessar.
Mas, para compreender o problema abordado, é preciso, antes de tudo, retroceder alguns anos no tempo.
No período anterior à reforma litúrgica do Beato Paulo VI, quando ainda se celebrava a Missa de São Pio V, iniciou-se um intenso movimento de renovação para que, entre outras coisas, os fiéis leigos participassem do "santo sacrifício eucarístico, não com assistência passiva, negligente e distraída, mas com tal empenho e fervor" que os colocassem "em contato íntimo com o sumo sacerdote", o Senhor Jesus [1]. Veio de Pio XII o impulso oficial para tal renovação. Com a encíclicaMediator Dei, o Santo Padre esclareceu o modo pelo qual os fiéis também oferecem o sacrifício eucarístico, embora seja de maneira inferior à do sacerdote, que, por fazer as vezes de Cristo na Terra, é a cabeça de todos os membros da Igreja "e se oferece a si mesmo por eles" (n. 76):
A imolação incruenta por meio da qual, depois que foram pronunciadas as palavras da consagração, Cristo está presente no altar no estado de vítima, é realizada só pelo sacerdote enquanto representa a pessoa de Cristo e não enquanto representa a pessoa dos fiéis. Colocando, porém, no altar a vítima divina, o sacerdote a apresenta a Deus Pai como oblação à glória da SS. Trindade e para o bem de todas as almas. Dessa oblação propriamente dita os fiéis participam do modo que lhes é possível e por um duplo motivo: porque oferecem o sacrifício não somente pelas mãos do sacerdote, mas, de certo modo ainda, junto com ele; e ainda porque com essa participação também a oferta feita pelo povo pertence ao culto litúrgico. Que os fiéis oferecem o sacrifício por meio do sacerdote, é claro, pois o ministro do altar age na pessoa de Cristo enquanto Cabeça, que oferece em nome de todos os membros; pelo que, em bom direito, se diz que toda a Igreja, por meio de Cristo, realiza a oblação da vítima. Quando, pois, se diz que o povo oferece juntamente com o sacerdote, não se afirma que os membros da Igreja de maneira idêntica à do próprio sacerdote realizam o rito litúrgico visível — o que pertence somente ao ministro de Deus para isso designado — mas sim que une os seus votos de louvor, de impetração, de expiação e a sua ação de graças à intenção do sacerdote, aliás do próprio sumo pontífice, a fim de que sejam apresentados a Deus Pai na própria oblação da vítima, embora com o rito externo do sacerdote (n. 83). (negritos nossos).
Nas pegadas de Pio XII, o Concílio Vaticano II introduziu o conceito de "participação ativa" na celebração dos mistérios sagrados, determinando, por meio da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium que, na ação litúrgica, os "pastores de almas" nó só zelassem pela observância das "leis que regulam a celebração válida e lícita", mas também para que os fiéis participassem nela "consciente, ativa e frutuosamente" (n. 11). Para o bem espiritual da grei de Cristo, sem dúvida, tratava-se de algo necessário. Se na Missa presenciamos o sacrifício de Jesus na cruz, por meio do qual a ação divina operou o Mistério da Salvação, é fundamental que os fiéis vivenciem esse momento com profundidade mística e ascese eficaz; não como meros ouvintes, mas como praticantes da Palavra (cf. Tg 1, 22).
Acontece que, no período pós-conciliar, essa "participação ativa" acabou desvirtuada de seu sentido original e — por causa de algumas teologias de sabor protestante — uma excessiva "autonomia" desenvolveu-se nas celebrações, ao mesmo tempo em que se passava a desprezar o Missal antigo, às vezes até com certo fanatismo e intolerância. Do lado oposto, por sua vez, enquanto alguns se opuseram à reforma com igual agressividade, "muitas pessoas, que aceitavam claramente o caráter vinculante do Concílio Vaticano II e que eram fiéis ao Papa e aos Bispos, desejavam contudo reaver também a forma, que lhes era cara, da sagrada Liturgia" [2]. Isso ocorreu porque, como explicou amiúde Bento XVI, "em muitos lugares, se celebrava não se atendo de maneira fiel às prescrições do novo Missal, antes consideravam-se como que autorizados ou até obrigados à criatividade, o que levou frequentemente a deformações da Liturgia no limite do suportável" [3].
Ao longo dos últimos anos, a Igreja procurou resolver tais problemas por meio de várias determinações e ações pastorais [4]. De maneira geral, o que se pretendeu inculcar na mentalidade dos fiéis é que, embora haja elementos litúrgicos "próprios do passado", os quais podem — e, por vezes, devem — ser mudados [5], "aquilo que para as gerações anteriores era sagrado, permanece sagrado e grande também para nós". Com efeito, "faz-nos bem a todos conservar as riquezas que foram crescendo na fé e na oração da Igreja, dando-lhes o justo lugar" [6].
É dentro dessa perspectiva que se insere o artigo do Cardeal Robert Sarah e toda sua defesa do que ele chama de "silêncio místico". Esse silêncio faz parte do grande patrimônio da espiritualidade cristã que deve ser conservado como elemento imprescindível à comunhão com Deus. A Liturgia, diz o Concílio, precisa contribuir "para que os fiéis exprimam na vida e manifestem aos outros o mistério de Cristo e a autêntica natureza da verdadeira Igreja" ( Sacrosanctum Concilium, n. 2). A "participação ativa", portanto, não significa um cartão verde a todo tipo de inovações e pantomimas dentro da Celebração Eucarística, mas uma atitude interior, de oração propriamente dita, que é a de deixar-se conduzir pela ação de Deus, cuja voz se escuta somente no "murmúrio de uma brisa ligeira" (1 Rs 19, 12). Com essa entrega pessoal, o fiel pode ofertar-se verdadeiramente no sacrifício eucarístico, como descreveu Pio XII. Doutro modo, porém, a atividade pela atividade não resolve o problema levantado pelo Movimento Litúrgico; apenas aumenta a quantidade de gestos exteriores. Ademais, não é sem propósito que a exortação dos padres conciliares à observância do silêncio na Missa esteja justamente no parágrafo sobre a "participação ativa" (cf. Sacrosanctum Concilium, n. 30).
Na linha da grande tradição dos Padres da Igreja e dos santos, que sempre entenderam "o silêncio como condição para a oração contemplativa", e fundamentado pelas mesmas indicações do Antigo e do Novo Testamento, o Cardeal Robert Sarah explica que o "silêncio virtuoso" nada tem que ver com "ociosidade" ou "omissão", comportamentos gerados pelos vícios da covardia, do egoísmo e da dureza do coração. O silêncio virtuoso, ensina, refere-se àquela atitude em que a pessoa deseja "dar espaço aos outros, e especialmente ao Outro absoluto, Deus". É a atitude de Maria — que guardava tudo no coração (cf. Lc 2, 20) — e de José — do qual não se ouve sequer uma palavra durante toda a Escritura. "Em contraste", compara o Prefeito para o Culto Divino, o barulho exterior do tagarela "caracteriza o indivíduo que quer ocupar um lugar mais importante, para empavonar-se ou mostrar-se, ou ainda que deseja preencher seu vazio interior". Ele faz tudo, exceto oração.
"Se nosso 'celular interior' está sempre ocupado porque estamos 'conversando' com outras criaturas, como pode Deus nos alcançar, como Ele pode 'nos ligar'?", questiona o cardeal. Assim, ele conclui, "nós devemos purificar nossas mentes de suas curiosidades, do desejo de seus projetos, a fim de que nos abramos totalmente às graças e à força que Deus quer nos conceder profusamente".
A Instrução Geral do Missal Romano, recorda o Cardeal Sarah, indica os lugares onde se deve fazer silêncio na Missa:
Também se deve guardar, nos momentos próprios, o silêncio sagrado, como parte da celebração. A natureza deste silêncio depende do momento em que ele é observado no decurso da celebração. Assim, no ato penitencial e a seguir ao convite à oração, o silêncio destina-se ao recolhimento interior; a seguir às leituras ou à homilia, é para uma breve meditação sobre o que se ouviu; depois da Comunhão, favorece a oração interior de louvor e ação de graças. 

Antes da própria celebração é louvável observar o silêncio na igreja, na sacristia e nos lugares que lhes ficam mais próximos, para que todos se preparem para celebrar devota e dignamente os ritos sagrados (n. 45). (negritos nossos).
Certamente, o ato de silenciar-se não é fácil e requer, como tudo que está relacionado à vida interior, uma "ação violenta" do indivíduo no caminho da ascese — aliás, "um meio indispensável", como explica o Cardeal Sarah, "para nos ajudar a remover de nossa vida qualquer coisa que nos arraste para baixo, em outras palavras, qualquer coisa que dificulte nossa vida espiritual ou interior e, portanto, um obstáculo à oração". A grande dificuldade para os fiéis cristãos de hoje, porém, é que se perdeu, sob muitos aspectos, essa noção de vida ascética. Por isso, tudo parece tão assustador e fora da realidade. Mas, já nos está claro, engana-se quem considera ser possível escutar a Palavra de Deus e colocá-la em prática sem o devido recolhimento interior. E não é preciso nenhum artigo de cardeal para nos convencer disso. Bastam as palavras de São Tiago: "Se alguém pensa ser piedoso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo: vã é a sua religião" (Tg 1, 26).
Por Equipe Christo Nihil Praeponere
Referências
1.       Papa Pio XII, Carta Encíclica Mediator Dei (20 de novembro de 1947), n. 73.
3.       Idem.


BONS E MAUS SACERDOTES

Certamente, existem bons sacerdotes. Deus não pode deixar a Igreja absolutamente sem bons sacerdotes. 
Mas não os procure na mídia, tocando violão, ou fazendo debates em mesas redondas "diplomáticas". Os bons sacerdotes não são estimados pela mídia, e tem a linguagem que Nosso Senhor recomendou; "Sim, sim; não, não"!
Não procure os bons sacerdotes amorenando-se nas praias, ou pulando em forrós. Que os bons sacerdotes não vão a esses lugares mundanos. 
Não procure os bons sacerdotes entre os autores, nas livrarias ditas "católicas", porque lá só estão publicadas as obras de padres modernistas. Os bons padres estão adorando o Santíssimo de joelhos, e promovendo horas santas.
Não procure os bons sacerdotes dando aulas nas Faculdades de Teologia que se multiplicam por aí. Lá, praticamente, só podem dar aulas padres comprometidos com a heresia modernista. Os bons padres falam simplesmente, e não se exibem falando em experiências carismáticas, em crise existencial, nem em kenosis ou em dialética ou práxis. Os bons padres falam da cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. 
Não procure os bons sacerdotes entre aqueles que profanam a Missa gingando e se rebolando, e fazendo o povo rebolar na hora da comunhão. Os bons padres rezam, não rebolam. 
Não procure os bons padres entre os padres joviais bonitinhos, com brinquinho -- "modesto" -- nas orelhas, bancando mocinhos, falando gíria, em grupos de jovens com piercings e moçoilas devotamente decotadas e de mini saia. Os bons padres não fazem força para serem simpáticos e condenam as modas que ofendem a Nosso Senhor, como disse Nossa Senhora em Fátima.
Não procure os bons padres entre os que fazem sermões superficiais e ignorantes. Os bons padres falam pouco. Falam do céu, rezam muito, e estudam. Sobretudo rezam.
Não procure os bons padres entre os moderninhos adaptados ao mundo, que organizam o baile e o carnaval da paróquia. Os bons padres sao amantes da cruz, penitentes, e fogem das diversões mundanas.
Não procure os bons padres entre os que aparecem e que são nomeados para cuidar de paróquias ricas e centrais. Os bons padres estão afastados em paróquias pobres e longínquas. 
Não procure os bons padres entre os famosos e prestigiados. Os bons padres são odiados ou esquecidos pelo mundo. 
Não procure os bons padres entre os que se vestem como janotas, que têm carro bom e secretárias. Os bons padres andam a pé -- à evangelica -- usam só batina preta e nunca têm secretárias, nem mulheres como "gerentes" de igreja.
Não procure os bons padres entre aqueles que fazem muitas campanhas vistosas e filantrópicas. Procure entre os que rezam o terço, quer em suas capelas pobres, ou mesmo andando pelas ruas, e que fazem caridade sem alto falantes.
É bem difícil, hoje, encontrar um bom padre.
Por isso é que o povo está tão afastado de Deus. 
Pois diz a sabedoria popular: Padre santo, povo piedoso. Padre piedoso, povo bom. Padre bom, povo aceitável. Padre aceitável, povo tíbio. Padre tíbio, povo ruim. Padre ruim, povo corrupto. Padre corrupto, povo péssimo.
Até o péssimo Diógenes ensinou algo aproveitável: andava ele por Atenas com uma vela acesa na mão, ao meio dia, procurando um homem. Hoje devemos andar de vela acesa em uma das mãos, com um terço na outra, procurando um bom padre. Hoje, devemos andar de terço na mão rezando a Deus que nos conceda santos sacerdotes.

Rezemos pelo clero. Rezemos muito por nosso pobre clero. Que é clero. Que é, apesar de tudo, constituído por sacerdotes de Cristo, marcados com o selo sacerdotal em suas almas.Rezemos pelo Clero.

Desabafo de um padre sobre Missas

2 setembro 2013 Autor: Bíblia Católica | Postado em: Outros
Sou padre há quase 5 anos. Fui seminarista por 7 anos. Já estive em vários lugares Brasil afora, já celebrei em tantos outros e guardo no meu coração uma tristeza profunda. Quando eu era criança na roça e ia com minha família à missa uma vez por mês eu sabia que naquela hóstia tinha Jesus. Eu sentia o cheiro da vela queimando e aprendi a me perseguinar toda vez que passava diante de uma Igreja. Eu achava tudo meio estranho porque não entendia a missa, mas, sentava no primeiro banco e respondia a todas as perguntas que o padre fazia na hora do sermão. Daí eu cresci, fomos pra cidade e eu continuava inocente. Fui pro seminário e as escamas de meus olhos caíram. A missa pela qual eu sempre nutri o maior religioso respeito
virou palco
virou show
virou passeata
virou passarela
virou camarim de estrela
virou sambódromo
virou terreiro
virou tudo e suportou tudo
menos ser de fato, missa.
Já vi tanto desleixo… alfaias puídas, vasos sagrados zinabrados, hóstias consagradas carunchadas dentro do sacrário, um sacrário no meio de uma reforma de Igreja com hóstias consagradas dentro, consagração de vinho em tamanha quantidade que as sobras Eucarísticas precisaram de um exército de MESC para consumi-las porque o padre não poderia fazê-lo sem ficar bêbado e outros tantos abusos. Quando veio a Redemptionis Sacramentum e a Ecclesia de Eucharistia veio uma lufada de ar fresco e os rebeldes da Teologia da Libertação, da Rede Celebra e das CEB`s reagiram vorazmente. O site do mosteiro da Paz que hospedava uma carta de Reginaldo Velloso eivada de críticas às necessárias mudanças na liturgia e catalizadora desta mentalidade saiu do ar, mas, encontrei-a no site da Montfort disponível aqui.
Capitaneada pelo dualismo marxista de tipo maniqueísta, a reinterpretação que a missa sofreu nas décadas que sucederam o Concílio Vaticano II seguiu as pegadas da subjetividade humana. É odioso ouvir: “ah o jeito do outro padre é diferente”. Isto denota uma personalização que a missa não comporta. A missa nunca foi a missa do padre, mas a missa da Igreja!
Esta mentalidade impregnou tanto a liturgia que quando um Padre quer celebrar a missa da Igreja, aquela do Missal Romano, é chamado de retrógrado. O respeito às normas litúrgicas são sinônimo de opressão. A missa pura e simples foi esvaziada para poder ser enchida pela ideologia da enxada, da faixa, do cartaz, da freira, do padre TL… a missa se transformou…
virou manifestação e protesto contra o Governo e o Sistema
contra a Igreja
contra os padres
contra a fé católica de sempre
contra a liturgia de sempre.
Enfiaram bananeiras, berrantes, espeto de churrasco, cuia de chimarrão, pão de queijo, cachaça, coco, faca e facão, pipoca, balões e ervas de cheiro na missa, enfiaram panos coloridos para todos os lados, colocaram mães de santo manuseando o turíbulo e leigos lendo preces seminus. Para essa CORJA a missa já deixou há muito tempo de ser o sacrifício redentor de Cristo PRO MULTIS e se tornou só mais uma mesa para comensais na qual vale o discurso e não a fé, na qual o que importa é o que o homem diz aos seus iguais e não o que Deus diz ao homem. Lembro-me de um professor contando todo garboso que certa feita utilizou-se de uma Adoração ao Santíssimo Sacramento para dar uma aula de teologia ao povo – aos seus moldes é claro – porque para ele aquela hóstia era pobre de significado.
Aquela hóstia pobre…
tão pobre quanto o cocho de Belém,
tão pobre quanto a cama em Nazaré,
tão pobre quanto a casa de Pedro em Cafarnaum,
tão pobre quanto a casa de Lázaro em Betânia,
tão pobre quanto o coração do Filho de Deus,
ela só pôde se tornar Corpo e Sangue, Alma e Divindade de Cristo
porque Ele se fez pobre!
Sua pobreza não comporta reduções
tampouco acréscimos desnecessários.
Ele é aquele que é e nada mais,
mas, só para quem tem fé!
Aos meus irmãos padres um apelo: que nós diminuamos e que Ele apareça. Não somos o noivo, apenas amigos do noivo! Rezemos a missa da Igreja, a missa do Missal. Que Ele fale aos corações e às mentes, inclusive às nossas mentes e corações! Ele ele toque as vidas, inclusive as nossas. Que sua voz ecoe nas consciências, também nas nossas. Que toda a nossa Liturgia seja feita Por [causa de] Cristo, Com Cristo e em Cristo a[o] Pai na Unidade do Espírito Santo. Só isso. Se fizermos isso bem feito teremos feito tudo o que nos compete nesta vida.

Seminaristas devem ser instruídos nas duas formas do Rito Romano



COMISSÃO ECCLESIA DEI 
Roma, 9 de Fevereiro de 2008

    Fazemos questão de vos agradecer por vossa carta de 27 de Setembro de 2.007, e queirais bem nos perdoar por não vos termos respondido mais depressa, em razão da grande quantidade de cartas que recebemos desde a promulgação do Motu Próprio Summorum Pontificum por causa das numerosas questões que requereram nossa atenção imediata.
    No que se refere às vossas dúvidas, respondemos do modo seguinte:

1 – Os candidatos ao sacerdócio no Rito Romano da Igreja Católica têm o direito de serem formados nas duas formas do Rito Romano.

2 – Os responsáveis pela formação dos candidatos ao sacerdócio no Rito Romano da Igreja Católica deveriam prever a instrução dos candidatos nas duas formas do Rito Romano.

    Esperamos que estas questões serão tratadas rapidamente numa instrução sobre a aplicação do Motu Próprio Summorum Pontificum.

Sinceramente em Cristo, Monsenhor Camille Perl

Secretário

A FORÇA DO SILÊNCIO

Sob este título acima, saiu o novo livro do Cardeal Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino, com o subtítulo “Contra a ditadura do barulho”. Limito-me a citar algumas pérolas colhidas em tão preciosa obra.
“Estarem todos em silêncio prolongado diante do Senhor presente em seu Sacramento é uma das experiências mais autênticas da nossa Igreja... Comunhão e contemplação não podem estar separadas, vão juntas. Para estar em comunhão verdadeira com outra pessoa, eu devo conhecê-la, saber ficar perto dela em silêncio, escutá-la, olha-la com amor” (cf Bento XVI).
“Hoje em dia, certos padres tratam a Eucaristia com um grande desprezo. Eles veem a Missa como um banquete em que se fala, onde os cristãos fiéis ao ensinamento de Jesus, os divorciados recasados, os homens e mulheres em situações de adultério, os turistas não batizados que participam das celebrações eucarísticas das grandes multidões anônimas podem ter acesso ao Corpo e Sangue de Cristo, sem distinção... Há um grande perigo de transformar a Eucaristia, ‘o grande mistério da Fé’, em uma quermesse vulgar e de profanar o Corpo e o Sangue precioso de Cristo. Os sacerdotes que distribuem as espécies sagradas não conhecendo ninguém e dão o Corpo de Jesus a todos, sem discernimento entre os cristãos e os não-cristãos, participam da profanação do Santo Sacrifício eucarístico. Aqueles que exercem a autoridade na Igreja se tornam culpados, por uma forma de cumplicidade voluntária, ao deixar que se cometa o sacrilégio e a profanação do Corpo de Cristo nestas gigantescas e ridículas autocelebrações, onde tão poucos percebem que ‘vós anunciais a morte do Senhor, até que ele venha’”.
“Padres infiéis à ‘memória’ de Jesus insistem mais sobre o aspecto festivo e a dimensão fraterna da missa do que no sacrifício sangrento de Cristo na Cruz. A importância das disposições interiores e a necessidade de nos reconciliarmos com Deus aceitando de nos deixar purificar pelo sacramento da confissão não estão em moda hoje em dia...”.  
“No começo de nossas celebrações eucarísticas, como é possível eliminar Cristo que carrega sua cruz e caminha dolorosamente sob o peso dos nossos pecados para o lugar do sacrifício? Há muitos sacerdotes que entram triunfalmente e sobem ao altar, saudando à direita e à esquerda para parecerem simpáticos. Observem o triste espetáculo de algumas celebrações eucarísticas... Por que tanta imprudência e mundanismo no momento do Santo Sacrifício? Por que tanta profanação e superficialidade...? Em um sacrifício tão único e essencial, há necessidade dessas fantasias e dessas criatividades subjetivas?... Muitos cristãos fervorosos tocados pela Paixão e a Morte de Cristo sobre a Cruz não têm a força de chorar ou de lançar um grito doloroso em direção aos padres e bispos que se apresentam como animadores de espetáculos e se erigem como protagonistas principais da Eucaristia. Esses fiéis nos dizem, entretanto: ‘nós não queremos nos reunir com homens em torno de um homem! Nós queremos ver Jesus! Mostrai-o a nós durante o silêncio e a humildade da vossa oração!”. 
Dom Fernando Arêas Rifan


Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney