sexta-feira, 6 de dezembro de 2013



HINOS DE ORIGEM E TRADIÇÃO PROTESTANTE

Utilizar músicas protestantes na liturgia católica é um ato de desmerecimento ao repertório de quase dois mil anos de genuínas músicas litúrgicas e teologicamente adequadas.
Música protestante não goza de amparo litúrgico e muito menos retratam a fidedigna teologia que solidificam as bases da dogmática católica.
Precisamos urgentemente resgatar a música católica que brotou do coração orante de tantos homens e mulheres que ao longo da História da Igreja nos legaram um patrimônio musical que transcende o tempo porque celebra o Mistério do Ressuscitado mediante os sinais sacramentais da liturgia.
Nossos grupos de animação musical precisam buscar a auto-estima católica e valorizar o patrimônio musical que temos. A música pentecostal protestante pode ser até apreciável quanto a certas harmonias e conteúdos, mas está longe de ocupar o lugar da música litúrgica que a sabedoria católica produziu e protagonizou ao longo de dois milênios.
Vejamos:

Faz um milagre em mim - Através de um colega do grupo Só Pra Contrariar, Regis Danese ouviu a Palavra de Deus, convertendo-se ao evangelho. “Ele ficou durante anos no grupo e sempre manteve uma postura diferente da nossa, sem se envolver em nossos erros, mostrando seu caráter de homem de Deus. Certo dia, quando eu passava por um grave problema no meu casamento, ele me falou de Jesus eu acreditei e recebi aquela Palavra”, lembra Regis.

Porque Ele vive - Este hino foi composto pelo casal protestante William (Bill) Gaither e sua esposa Gloria.  Enquanto eles esperavam o seu terceiro filho, eles passavam por problemas, como turbulências em sua igreja. Também tinha a recuperação de uma doença séria de Bill, e uma grande apreensão de Gloria sobre o mundo as quais estava trazendo sua criança. Era um tempo longo e de seca – na época, nenhum hino havia sido escrito. Até amigos o acusavam de comercialismo crasso. Foi nesse período que eles começam a pensar e dizer “Porque Cristo vive, podemos encarar o amanhã”. Aí sim podemos manter a cabeça alta. A canção foi escolhida pela Gospel Music Association e pela ASCAP como a “Canção gospel do ano de 1974”.

Segura na mão de Deus - A composição deste hino evangélico SEGURA NA MÃO DE DEUS é do Pastor Nelson Motta. O Pr. Nelson disse que sempre orava a Deus pedindo que o usasse grandemente e que fosse algo que alcançasse multidões. Certa noite ele chegou em casa após um culto, totalmente desanimado com o ministério e com tudo que estava acontecendo. Foi então que ele pegou um papel e começou a escrever uma oração de despedida do seu ministério, não iria mais trabalhar na obra do Senhor. Sua oração escrita se tornara mais tarde uma linda música muito conhecida entre todos desta nação e de outras nações. Naquela noite Deus iniciou uma transformação em sua vida e em seu ministério.

Quão grande és Tu - Carl Boberg converteu-se aos 19 anos de idade. Num certo domingo, quando ia para a reunião, encontrou-se com alguns jovens pouco mais velhos do que ele, os quais insistiam para que fosse jogar em sua companhia e de algumas garotas amigas. Carl, que esperava encontrar, na reunião, o pregador que anteriormente tinha tocado profundamente em seu coração, e, não querendo perder o seu novo sermão, não aceitou o convite dos amigos. A mensagem do pregador, naquele domingo, sobre o pecado e a graça foi direta ao coração de Boberg. Após a reunião, todavia, vagueou de um lado para outro sob profunda convicção de pecado, a tal ponto que, ao chegar a uma campina, caiu de joelhos e confessou-se um pecador irremediavelmente perdido. Nesse estado de espírito buscou o perdão, orando dia e noite, até que, ouvindo um menino tentando aprender de cor o versículo de João 14.13, que diz: "Tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei", a sua constante repetição fez com que ele compreendesse a verdade e assim encontrasse perdão e paz, simplesmente aceitando as palavras de Cristo. Quatro anos mais tarde, no verão se 1885, Boberg escreveu o poema "O Store Gud", que conhecemos agora como "Quão Grande és Tu".
Glória, glória, aleluia - A música é atribuída tradicionalmente a William Steffe, nascido na Carolina do Sul e criado na Filadélfia, no século 19. Charles Claghorn, eminente hinólogo e autor de uma extensa pesquisa desse hino, diz que a melodiNegritoa poderia ter tido sua origem como um Negro Spiritual. Acredita-se que deva ter sido uma canção de trabalho das grandes fazendas do sul, no tempo da escravidão e, pelo seu padrão literário, métrica e ritmo, útil para ser cantada durante a colheita de algodão. A letra é do Cantor Cristão, adaptada da original "Os meus olhos viram o esplendor da vinda do Senhor" de Julia Ward Howe, pelo Pastor Ricardo Pitrowsky (1891-1965), chamado de "O gigante dos pampas".
Deixa luz do céu entrar – faz parte do Hinário adventista

Hinários da Assembléia de Deus, Adventistas do Sétimo Dia, Congregação Cristã e da Batista.

“Buscai primeiro o Reino de Deus”
“Glorificarei teu nome, oh Deus”
"Pelo Senhor marchamos sim...”
“A alegria está no coração...”
“Posso pisar uma tropa...”
“Eu navegarei...”
“Espírito (...) vem controlar todo o meu ser...”
“Espírito, enche a minha vida, enche-me com teu poder...”
“Assim como a corsa...”
“Eu sou feliz por que meu Cristo quer...”.
“Levanta-te, levanta-te Senhor... fujam diante de ti teus inimigos”
“Venho Senhor minha vida oferecer"
“Meu pensamento vive em você...”
“Se acontecer um barulho perto de você...”
“Celebrai a Cristo, celebrai...”.

Entre tantos outros.


domingo, 17 de novembro de 2013

Ajude o Papa Francisco a ajudar as Filipinas!

Participe da campanha da Aleteia e envie sua doação diretamente ao Papa, para que ele possa fazer o maior bem possível ao povo filipino

14.11.2013






Depois do tufão Haiyan, que atingiu com violência extraordinária o território das Filipinas, em particular as ilhas Leyte e Samar, milhares de pessoas ficaram sem nada.

O Papa Francisco, por meio do Conselho Pontifício Cor Unum, decidiu enviar uma ajuda inicial de 150 mil dólares para as primeiras necessidades dos afetados. Mas, se arrecadarmos mais fundos, a ajuda poderá ser maior.

A quantidade coletada será distribuída por meio da Igreja local, nas regiões mais atingidas pela catástrofe, e utilizada para sustentar as obras de assistência dedicadas aos desabrigados e vítimas das inundações.

A Aleteia, por meio de uma campanha de comunicação nas redes sociais (que pode ser acompanhada pela hashtag #PapaXFilipinas), se une a esta intenção do Papa Francisco.

Faça a sua doação, pequena ou grande, e ajude o Papa a ajudar o povo filipino!

Para mais informações sobre como enviar uma doação, clique aqui.

TAGS

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Papa: corrupto come “pão sujo”, peca gravemente e perde a dignidade

“Talvez hoje nos faça bem a todos rezar por tantas crianças que recebem dos seus pais ‘pão sujo’: também estes são esfomeados, são esfomeados de dignidade”

08.11.2013
©ALESSIA GIULIANI/CPP







O Papa Francisco explicou hoje que quem leva “pão sujo” para casa, no sentido de melhorar de vida com dinheiro sujo, fruto de corrupção, suborno ou gratificação ilícita, perde a dignidade e comete pecado grave.

Francisco refletiu sobre a passagem evangélica do administrador desonesto, em sua missa matutina na Casa Santa Marta.

Segundo o Papa, o administrador desonesto é um exemplo de mundanidade. A corrupção, o suborno, as gratificações ilícitas não podem ser aceitas, mesmo que muitas pessoas façam isso.

“É um pouco aquela atitude do caminho mais breve, mais cômodo para ganhar-se a vida”, disse Francisco.

“É um louvor às ‘luvas’ (no sentido de gratificação ilícita ou suborno). E o hábito das ‘luvas’ é um hábito mundano e fortemente pecador. É um hábito que não vem de Deus.”

Segundo o Papa, Deus “ensinou-nos a levar o pão de cada dia para casa com trabalho honesto.”

E como o administrador desonesto ganhava o seu pão de cada dia? Ele “dava de comer aos seus filhos ‘pão sujo’! E os seus filhos se calhar educados em colégios caros, talvez criados em ambientes cultos, tinham recebido do seu pai ‘comida suja’, porque o seu pai, levando ‘pão sujo’ para casa, tinha perdido a dignidade! E este é um pecado grave!”

De acordo com Francisco, o hábito dos favorecimentos e gratificações por fora torna-se uma dependência.

Contudo, “se existe uma esperteza mundana, também existe a esperteza cristã vivendo honestamente”.

“Tal como nos convida Jesus quando nos diz para sermos astutos como as serpentes mas simples como as pombas. E este é um dom que devemos pedir ao Senhor.”

“Talvez hoje nos faça bem a todos rezar por tantas crianças que recebem dos seus pais “pão sujo”: também estes são esfomeados, são esfomeados de dignidade!”, encerrou o Papa.

(Com informações da Rádio Vaticano)

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Acorde! Vivemos a pior época da história da perseguição aos cristãos

Esta conscientização raramente influencia o comportamento dos membros da Igreja mais cômoda, tolerante e amável, infelizmente

07.11.2013
George Weigel
@DR
Todos os números da admirável revista ecumênica "Touchstone" incluem uma seção intitulada "A Igreja que sofre". É um título que os católicos associam ao purgatório, mas, neste caso, significa a Igreja que é purificada aqui e agora, devido à perseguição. É uma lembrança útil de um tema desagradável.

Este tema desagradável, de fato, raramente influencia a consciência dos cristãos, especialmente dos pertencentes à Igreja cômoda, tolerante, amável, ainda que a comissão histórica instituída por João Paulo II tenha mostrado claramente que os cristãos vivem atualmente o período de maior tribulação da sua história.

Esta comissão afirmou que houve mais cristãos assassinados no século 20 que nos 19 séculos precedentes de história cristã.

Uma só página da "Touchstone" destacou que quase 1.200 protestantes foram presos nos campos de concentração do deserto da Eritreia, nos quais "a tortura é uma rotina"; Mustafá Bordbar, um cristão convertido, de 27 anos, foi preso e acusado de "reuniões ilegais e de ter participado de uma igreja doméstica" no Irã"; um líder muçulmano da Nigéria central sequestra regularmente meninas e mulheres cristãs, obrigando-as a converter-se ou voltar ao islã.

Durante este tempo, os cristãos temem cotidianamente pela sua vida na Síria e no Egito, duas sociedades que estão em processo de implosão e nas quais as facções e seitas muçulmanas majoritárias só concordam em uma coisa: a caça aos cristãos.

Em duas décadas, talvez menos, o cristianismo poderia deixar de ser uma realidade eclesial vivente em muitos dos lugares nos quais nasceu; isso sem falar das cidades nas quais se desenvolveu o cristianismo sub-apostólico e patrístico. A única exceção a esta tendência no Oriente Médio está no norte da África e em Israel.

Tom Holland, um historiador famoso e autor de "A forja do cristianismo", afirmou recentemente, em uma coletiva de imprensa em Londres sobre o ódio e as rivalidades sectárias no Oriente Médio, que "estamos assistindo a algo que, quanto ao horror, lembra a Guerra dos 30 anos europeia".

Na mesma coletiva, minha velha amiga e colega Nina Shea, diretora do Centro pela Liberdade Religiosa do Instituto Hudson de Washington, destacou algumas perguntas dirigidas à ignorância da mídia ocidental.

Shea sublinhou que, no Egito, foi destruída recentemente uma igreja copta do século IV, dedicada a Nossa Senhora – e tal igreja estava à espera de ser declarada patrimônio mundial pela UNESCO.

A igreja tinha 200 anos a mais que os Budas de Bamiyan (Afeganistão), que constavam na lista da UNESCO e cuja destruição, por parte dos talibãs, em 2001, foi amplamente comentada e universalmente divulgada; no entanto, os principais meios de comunicação trataram o ato de vandalismo religioso e cultural anticristão no Egito como se não houvesse acontecido nada.

O que é preciso fazer agora? Apoiar estas agências não governamentais que trabalham por sustentar a vida pastoral da cristandade nos lugares em que esta nasceu; pedir à diplomacia dos EUA que leve mais a sério a liberdade religiosa no Oriente Médio.

E que a causa destes irmãos e irmãs em Cristo seja uma parte regular na oração litúrgica, recordando a Igreja perseguida nas intenções gerais de todas as missas, e rezando publicamente pela conversão dos perseguidores.

Sim, pela sua conversão.

FALECIDOS, NÃO MORTOS

 


           No próximo dia 2 celebraremos a memória dos fieis defuntos, dos nossos falecidos, daqueles que estiveram conosco e hoje estão na eternidade, os “finados”, aqueles que chegaram ao fim da vida terrena e já começaram a vida eterna. Portanto, não estão mortos, estão vivos, mais até do que nós, na vida que não tem fim, “vitam venturi saeculi”. Sua vida não foi tirada, mas transformada. Por isso, o povo costuma dizer dos falecidos: “passou desta para a melhor!” Olhemos, portanto, a morte com os olhos da fé e da esperança cristã, não com desespero pensando que tudo acabou. Uma nova vida começou eternamente. 
 Os pagãos chamavam o local onde colocavam os seus defuntos de necrópole, cidade dos mortos. Os cristãos inventaram outro nome, mais cheio de esperança, “cemitério”, lugar dos que dormem. É assim que rezamos por eles na liturgia: “Rezemos por aqueles que nos precederam com o sinal da fé e dormem no sono da paz”.
            Os santos encaravam a morte com esse espírito de fé e esperança. Assim São Francisco de Assis, no cântico do Sol: “Louvado sejais, meu Senhor, pela nossa irmã, a morte corporal, da qual nenhum homem pode fugir. Ai daqueles que morrem em pecado mortal. Felizes dos que a morte encontra conformes à vossa santíssima vontade. A estes não fará mal a segunda morte”. “É morrendo que se vive para a vida eterna!”. S. Agostinho nos advertia, perguntando: “Fazes o impossível para morrer um pouco mais tarde, e nada fazes para não morrer para sempre?”
            Quantas boas lições nos dá a morte. Assim nos aconselha o Apóstolo São Paulo: “Enquanto temos tempo, façamos o bem a todos” (Gl 6, 10). “Para mim o viver é Cristo e o morrer é um lucro... Tenho o desejo de ser desatado e estar com Cristo” (Fl 1, 21.23). “Eis, pois, o que vos digo, irmãos: o tempo é breve; resta que os que têm mulheres, sejam como se as não tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que se alegram, como se não se alegrassem; os que compram, como se não possuíssem; os que usam deste mundo, como se dele não usassem, porque a figura deste mundo passa” (1 Cor 7, 29-31).
            Diz o célebre livro A Imitação de Cristo que bem depressa se esquecem dos falecidos: “Que prudente e ditoso é aquele que se esforça por ser tal na vida qual deseja que a morte o encontre!... Não confies em amigos e parentes, nem deixes para mais tarde o negócio de tua salvação; porque, mais depressa do que pensas se esquecerão de ti os homens. Melhor é fazeres oportunamente provisão de boas obras e enviá-las adiante de ti, do que esperar pelo socorro dos outros” (Imit. I, XXIII). O dia de Finados foi estabelecido pela Igreja para não deixarmos nossos falecidos no esquecimento.
            Três coisas pedimos com a Igreja para os nossos falecidos: o descanso, a luz e a paz. Descanso é o prêmio para quem trabalhou. O reino da luz é o Céu, oposto ao reino das trevas que é o inferno. E a paz é a recompensa para quem lutou. Que todos os que nos precederam descansem em paz e a luz perpétua brilhe para eles. Amém

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

                                    O Tabernáculo

Fonte: Mãe Cristã

      Como são bons os teus tabernáculos, ó Deus das virtudes! A minha alma palpita ansiosa de se abrigar em teus átrios; pois, se o pardal sabe onde há de recolher-se para passar a noite e a andorinha vai direita ao beiral onde fez o seu ninho: quanto a mim o que desejo, o que procuro, é refugiar-me em teus altares, ó Senhor, meu Rei e Deus meu! Bem-aventurados os que moram em tua casa; estes te louvarão eternamente!
Sim, bem-aventurados todos os que, neste vale de lágrimas, buscam refúgio em teu seio e aí, levados nas ascensões celestes, sobem de virtude em virtude, como de montanha em montanha, até à divina Sião onde em êxtase contemplam a face do altíssimo (Psalmos. 84). Se assim suspirava o real salmista, quanto se deve a alma cristã enternecer em presença do tabernáculo! O Deus de amor se acha entre nós; é o “Deus oculto”, de que fala Isaias, que nos oferece o maná do céu e o cálice da imortalidade. “Eis-me aqui – diz-nos o Senhor – eu convosco estou até à consumação dos séculos”. Que inefável mistério!

                O altar é o trono do Santo dos Santos e o ponto central da devoção cristã. Dele jorram as graças e os dons de Deus e dimanam as águas vivas que fazem brotar as flores da santidade.

                Os esplendores do tabernáculo são misteriosos e invisíveis, velados como ficam pelo mistério do Sacramento; pois, se na pátria celestial o Altíssimo está rodeado de inúmeros espíritos que lhe rendem adorações dignas dEle, aqui na erra, Deus não reclama senão a homenagem de nosso coração: “Fili, praebe mihi cor tuum”. Também o culto do augusto Sacramento é essencialmente uma adoração em espírito e em verdade. A intenção de Jesus Cristo, tornando-Se assim invisível a nós, é elevar-nos acima das coisas deste mundo para nos atrair com Ele às regiões sobrenaturais. É para isto, diz São João Crisóstomo, que o Deus do amor, presente no santo altar, esconde aos nossos olhos as suas magnificências.

                Ele não se revela senão na alma recolhida e não reside entre nós senão para conquistar o nosso amor. Ele ai está, não para se mostrar, mas para nos atrair, para nos ganhar, para nos contentar. Aí está, enfim, porque Ele nos ama e nos ensina a amar, porque Ele se dá e nos ensina a nos darmos, porque Ele se imola e nos ensina a nos imolarmos.

                Não procureis, em vossas visitas ao Santíssimo Sacramento, sensações de ternura. A devoção sensível raras vezes é profunda e está sempre exposta a ilusões. Ela provém, segundo a acepção da palavra, do fervor dos sentidos; quando, entretanto, a nossa vontade é que deve ser fervorosa e ardente. “Não me Toqueis – disse Jesus Cristo – porque eu não subi ainda para junto de meu Pai”; frase esta que São Bernardo interpreta do seguinte modo: não vos ligueis aos sentidos corporais que se enganam, nem à razão que se perturba nem à natureza que é limitada, mas apoiai-vos na palavra de Jesus Cristo, que é a verdade imutável. No céu é que havemos de contemplar as perfeições da Majestade divina; aqui na terra gozamos apenas as primícias desta felicidade e nos preparamos com todas as nossas forças para plenamente a possuir e deliciosamente a saborear nos êxtases da eternidade.

                Todavia, neste mistério, Nosso Senhor não é diferente do que era durante a sua vida terrestre. Sempre bom, indulgente, misericordioso e terno, é acessível a todos os que a Ele se dirigem. Como outrora, Jesus quer sobretudo que se deixem ir a Ele as criancinhas, pois que as ama com predileção, as abençoa e as acaricia e ameiga.

                Queremos nós participar destas preciosas prerrogativas? Ele acolhe os homens de boa vontade, ouve-os, levanta-os e fortalece-os.

                A sua mão toca untuosamente o coração abatido para vivificar a esperança e a coragem. Jesus tem um balsamo infalível para as almas aflitas, que enxuga todas as lágrimas, acalma as inquietações, abranda as penas do espírito e ativa a seiva da caridade.

                Se estais tristes, ide depor ao pé do tabernáculo o fardo que vos oprime; e, se estais alegres, rendei graças ao Deus das consolações. Onde podereis achar de fato inspirações salutares, pensamentos fortes, motivos de inabalável confiança a não ser no seio do vosso Pai? Tendes necessidade de repouso, aqui se repousa;  tendes necessidade de amar e de ser amado, aqui se ama e se é amado, aqui é a escola do verdadeiro amor.
           O tabernáculo deve ser o principal refúgio da mãe cristã, o asilo do seu coração, o santuário da sua esperança e o lugar do seu repouso. É ai que ela reza por todos os que lhe são caros; que ela pede e obtém; que ela procura e acha; que ela bate e lhe abrem. Ela sabe que diante do altar é preciso dar para receber, mas que se recebe infinitamente mais do que se dá e que o grão de incenso que ai se queima volta a nós desfeito em um perfume de bênçãos.
                Dizeis contudo: Eu tenho pedido, procurado e batido muitas vezes, mas em vão; de modo que, em contrário às promessas do Evangelho, o Senhor, que, em sua vida evangélica, não deixou de atender jamais às preces de nenhuma mãe, parece, ai de mim! Insensível às minhas!

                Semelhante queixa revela uma tentação. Deus ouve sempre, quer conceda logo, quer demore, quer recuse; mas corrige os nossos desejos pouco previdentes e por vezes intempestivos, interpreta-os de maneira a que se tornem em nosso proveito, modera o nosso zelo que nem sempre é conforme à sabedoria e dispõe-nos a uma submissão paciente. Eis a razão por que São Paulo quer que juntemos sempre ações de graças às nossas preces e que sejamos reconhecidos a Deus seja qual for o resultado aparente delas.

                Além disso há para nós, assim como para os nossos filhos, horas de graças ou ocasiões favoráveis.

                Aguardemo-las; esperemos com paciência esses momentos propícios e deixemos obrar a Sabedoria divina sem lhe pretendermos impor os fracos juízos da nossa própria sabedoria. “Eu esperei muito, mas não cansei de esperar – dizia o Salmista – e afinal o Senhor olhou para mim e atendeu  a minha prece” (Salmo 39). Ser-vos-ia útil dizer em qualquer circunstância: Seja feita a vossa vontade e não a minha! E eis ai precisamente o que não dizeis, ou ao menos o que não pensais, se acaso o dizeis.

                A vossa inquieta solicitude se afrouxa quando Deus vos não concede imediatamente o que lhe pedis; pois quereis se atendida à hora que soa na terra, posto que essa hora não tenha soado ainda no céu.

                Para vos expandirdes diante do altar, não é mister um grande fluxo de palavras: a devoção ao Santíssimo Sacramento exige apenas uma disposição calma, submissa e confiante. Exponde silenciosamente as vossas súplicas perante Aquele que lê no fundo dos corações: “deleitai-vos no Senhor, e ele atenderá aos vossos desejos; esperai em Deus, e ele satisfará ao que desejais”. Dizem que as flores reproduzem, na sua admirável variedade, as formas diversas dos astros a que correspondem. Seja como for, elas se conservam tranquilas nos seus pedúnculos, sem se preocuparem com isso, haurindo suavemente a luz do sol que as aquece; e, pouco a pouco, aponta a sorrir no fundo dos seus Cálices o fruto saboroso.

                É assim que se dilatam as almas amorosas ante os tabernáculos do divino Amor. Tranquilas e recolhidas ante o sacro foco da bondade divina, elas absorvem com delicia os raios que daí emanam, e tornam-se boas comungando com a Bondade, misericordiosas, comungando com a divina Misericórdia. A sua atitude humilde e piedosa, o ardor dos seus santos desejos e as aspirações veementes da suas esperanças fazem partir do altar as centelhas das virtudes divinas; e assim se reproduzem admiravelmente nelas mesmas os traços da celeste perfeição, como essas imagens vivas que a luz imprime entre os planos em que reflete.

                O Senhor disse no Evangelho: “Aquele que me vê, vê meu Pai”. E com efeito, Ele é a substancia e o esplendor do Todo-Poderoso. Os reflexos do tabernáculo que se projetam em nossas almas ai produzem um efeito semelhante; e a mãe cristã, toda repassada dessas graças, se erguerá à imagem do seu Deus, de modo que, ao ver as suas virtudes, a sua abnegação e a sua doce piedade afável e atraente, cada um poderá dizer também: Aquele que a vê, vê Jesus Cristo.

                A vida humana não é mais do que a flor de um dia, mas quando esta flor se descerra ao influxo da Religião, uma misteriosa transformação nela se opera, de que resulta um fruto imortal.

CASTIDADE

Nota: Transcreveremos um dos capítulos desta belíssima obra.

ESCOLA DA PERFEIÇÃO
(Obra compilada dos escritos de Santo Afonso Maria de Ligório, Doutor da Igreja, vertida para o português segundo a edição alemã do Pe. Paulo Leick pelo Pe. José Lopes, C. SS. R, 1955)

________________________________________________

I- EXCELÊNCIA DA CASTIDADE


Ninguém melhor que o Espírito Santo saberá apreciar o valor da castidade. Ora, Ele diz: "Tudo o que se estima não pode ser comparado com uma alma continente" (Ecli 26,20), isto é, todas as riquezas da terra, todas as honras, todas as dignidades não lhe são comparáreis.

São Efrém chama a castidade "a vida do espírito"; São Pedro Damião, "a rainha das virtudes", e São Cipriano diz que, por meio dela, se alcançam os triunfos mais esplêndidos. Quem supera o vício contrário a castidade, com facilidade triunfará de todos os mais; quem , pelo contrário, se deixa dominar pela impureza, facilmente cairá em muitos outros vícios e far-se-á réu de ódio, injustiça, sacrilégio, etc.

A castidade faz do homem um anjo "Ó castidade, exclama São Efrém (De cast.), tu fazes o homem semelhante aos anjos". Essa comparação é muito acertada, pois os anjos vivem isentos de todos os deleites carnais; eles são puros por natureza; as almas castas, por virtude. "Por mérito desta virtude, diz São Cassiano (De coen. inst., 1.6, c.6), assemelham-se os homens aos anjos", e São Bernardo (De mor. et off, ep., c.3): "O homem casto difere do anjo, não em razão da virtude, mas da bem-aventurança; se a castidade do anjo é mais ditosa, a do homem é mais intrépida". "A castidade torna o homem semelhante ao próprio Deus que é um puro espírito", afirma São Basílio (De ver. virg.).

O Verbo eterno, vindo a este mundo, escolheu para a Sua Mãe, uma virgem, para pai putativo um virgem, para precursor um virgem, São João Batista, e a São João Evangelista amou com predileção porque era virgem, e, por isso, confiou-lhe Sua santa Mãe, da mesma forma como entrega ao sacerdote, por causa de sua castidade, a Santa Igreja e Sua própria pessoa.

Com toda a razão, pois, exclama o grande doutor da Igreja, Santo Atanásio (De virg.): "Ó santa pureza, és o templo do Espírito Santo, a vida dos anjos e a coroa dos santos".

Grande, portanto, é a excelência da castidade; mas também terrível é a guerra que a carne nos declara para no-la roubar. Nossa carne é a arma mais poderosa que possui o demônio para nos escravizar; é, por isso, coisa muito rara sair-se ileso ou mesmo vencedor deste combate. Santo Agostinho diz (Sermo 293): "O combate pela castidade é o mais renhido de todos: ele repete-se cotidianamente e a vitória é rara".

"Quantos infelizes que passaram anos na solidão, exclama São Lourenço Justiniano, em orações, jejuns e mortificações, não se deixaram levar, finalmente, pela concupiscência da carne, abandonaram a vida devota da solidão e perderam, com a castidade, o próprio Deus".

Por isso, todos os que desejam conservar a virtude da castidade devem ter suma cautela: "É impossível que te conserves casto, diz São Carlos Borromeu, se não vigiares continuamente sobre ti mesmo, pois a negligência traz consigo mui facilmente a perda da castidade".

PS: Grifos meus.

Pureza: já ouviu falar?

PDF Imprimir E-mail
- Eu e você queremos ser amados. Jamais usados. Para isso, eu e você precisamos olhar o outro como ele é: uma p-e-s-s-o-a. Uma unidade inseparável de corpo e alma. Como conseguimos isso? Sendo puros!
 Mas, falar de pureza hoje é dificílimo e por uma razão bem simples: as palavras no nosso vocabulário não significam a realidade que lhe corresponde e por isso precisamos explicar primeiro do que estamos falando.

Vou dar um exemplo: o que vem na sua mente quando você escuta a palavra “modéstia”?... E o que vem na sua mente quando você escuta a palavra “atrativa”?... Por acaso você relacionou a palavra “modéstia” à idéia de breguice, feiúra ou vulgaridade e a palavra “atrativa” à idéia de “fineza, beleza e elegância?” Bingo! Você está dopada(o) pela anti-cultura que nos rodeia. Desculpe-me pela palavra dopada(o), mas quem não reconhece estar dopada(o) espiritualmente, também não reconhece necessitar de uma nova medicina espiritual, isto é, uma nova visão do corpo e da sexualidade!


Esta nova visão é simplesmente a visão original, a visão que foi planejada desde sempre pelo Criador e que tanto o homem como a mulher receberam ao serem criados, dando-lhes a capacidade de estarem nus e não sentir vergonha (Gn. 2, 25). O perigo é fazer uma pobre interpretação deste versículo. A Palavra de Deus é infinitamente rica e por isso peço que você leia com toda a atenção o parágrafo abaixo no qual o Papa João Paulo o explica (nas suas catequeses a explicação é bem mais profunda, aqui coloco a versão resumidíssima).


“Nudez significa a bondade original da visão divina. Significa toda a simplicidade e plenitude da visão através da qual se manifesta o valor puro do homem como varão e mulher, o valor puro do corpo e do sexo.” Porque puro? Porque a “revelação original do corpo (contida em Gn 2, 25) não conhece ruptura interior nem contraposição entre o que é espiritual e o que é sensível, assim como não conhece ruptura nem contraposição entre o que humanamente constitui a pessoa e o que no homem é determinado pelo sexo: o que é masculino e o que é feminino”. (Audiência de João Paulo II, 2 de janeiro de 1980)


A pureza então é olhar como Deus olha: Ele olhou tudo o que fez e viu que tudo “era muito bom” (Gn 1, 31). Por isso, pureza e bondade no plano original de Deus são sinônimos. A pureza do coração é condição para sair da visão reducionista do corpo e da sexualidade e reconhecer que o “corpo humano nu – em toda a verdade da sua masculinidade e feminilidade- tem o significado do dom de uma pessoa para outra pessoa”. Justamente porque sofremos tantas deformações no nosso “olhar” (que reflete nosso interior!) é que velamos aquilo que no nosso corpo pode ser olhado como objeto de apropriação e possessão! Não “cobrimos” nossos corpos porque seja feio ou vergonhoso, mas justamente para proteger-nos de sermos tratados como objetos! Daí que a “vergonha” relatada no Livro de Genesis, após a caída do homem e da mulher, tem o significado de proteção por algo que o primeiro casal, mesmo após o pecado, reconhecem ainda como valioso: o seu corpo tem um significado esponsal, nele está impresso a chamado a sermos um dom sincero ao outro!


Por isso Karol Wojtyla afirma categoricamente: “só a mulher e o homem castos são capazes de amar verdadeiramente” (Amor e Responsabilidade, pg. 152). A pessoa que não é - e não busca ser – casta, sempre cairá na tentação (que todos nós sentimos após o pecado original) de “usar” a pessoa, e uma das maneiras mais comuns de “usar” a pessoa é separar o seu corpo da totalidade do seu ser.


Ainda impera a infeliz e equivocada idéia que a castidade conduz ao “desprezo e à desvalorização da vida sexual”! Mais ainda: dizem que a castidade faz mal! Simples e profunda é a explicação dada por K. Wojtyla: a castidade é uma virtude elevada, ergo, implica esforço. Mas com a minha vontade fraca eu não a alcanço, então... pelo menos para livrar-me do esforço, eu a desprezo subjetivamente (ele continua tendo o alto valor, mas eu finjo que não tem)! Resultado: criou-se a falsa argumentação que ela é nociva para o ser humano. Com trágicas conseqüências, pois “lhe foi recusado o direito de cidadania na alma humana”! (Cf. Amor e Responsabilidade, pg. 125)


Como solucionar? Seguindo o conselho se alguém que viveu a mesma era que você e eu, e hoje já é santo: “O “milagre” da pureza tem como pontos de apoio a oração e a mortificação.” (St. Escrivá).


E agora, qual a desculpa que vamos arranjar para não sermos puros?


Ave Maria puríssima, ora pro nobis!

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 
por 
Por Julie Marie, Site: Teologia do Corpo
 
Fonte: Shalom

Três visões absolutamente terríveis do inferno

Se as visões dos santos estiverem minimamente próximas da verdade, então o inferno é real e horrível

28.10.2013
Brantly Millegan
WACKY STUFF







O juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos, Antonin Scalia, disse acreditar no inferno e no diabo, e as pessoas zombaram dele. Mas os partidários de Scalia são muito mais importantes que seu críticos: além de serem maioria no país, tanto Jesus, o Filho de Deus, como o seu Vigário, o Papa Francisco, falam constantemente do inferno em seus ensinamentos.

O inferno é real e, para os católicos, sua existência é um dogma. O Concílio de Florença estabeleceu, em 1439, que "as almas dos que morrem em pecado mortal atual, ou somente no pecado original, descem rapidamente ao inferno".

Por ser um lugar no qual estão somente aqueles que morreram, os vivos não têm acesso a ele – pelo menos em circunstâncias normais. No entanto, muitos santos, ao longo da história da Igreja, afirmaram ter vivido experiências místicas do inferno e as descreveram.

A seguir, detalharemos três destas descrições.

Cabe recordar que o Catecismo da Igreja Católica afirma claramente que o papel das revelações privadas não é "melhorar" ou "completar" o depósito da fé, mas "ajudar a vivê-la mais plenamente em uma determinada época histórica".

O relato destas visões servem para ajudar as pessoas a levar mais a sério a realidade do reino eterno dos condenados. Duas das visões que apresentamos são do século XX.

Densa escuridão: Santa Teresa de Ávila

A grande santa do século XVI, Teresa de Ávila, foi uma religiosa e teóloga carmelita. Está na lista dos 35 doutores da Igreja. Seu livro "Castelo Interior" é considerado um dos textos mais importantes sobre a vida espiritual. Em sua autobiografia, a santa também descreve uma visão do inferno que Deus lhe concedeu, segundo ela, para ajudá-la a afastar-se dos seus pecados.

“A entrada pareceu-me semelhante a uma passagem estreita muito longa, como um forno baixo, escuro e constrangido; o chão pareceu-me consistir em água lamacenta, muito suja e de muito mau cheiro, com muitos parasitas e vermes imundos. No fim, havia um nicho na parede ao jeito de um pequeno armário; aí achei-me metida em muito estreito lugar. Tudo isso era nada, em comparação com que eu sentia: isto que eu descrevo está só mal expresso.”

“O que senti, parece-me que não posso nem começar a exprimi-lo; nem pode ser entendido. Experimentei um fogo na alma, que eu não sei como descrevê-lo. As dores corpóreas tão insuportáveis, que embora as tenho sofrido penosas nesta vida e que, de acordo com o que os médicos dizem, das piores que podem ser sofridas na terra, pois todos os meus nervos estavam contraídos quando fiquei paralisada, e com mais muitos outros sofrimentos de muitas espécies que eu suportei, e ainda alguns, como disse, causados pelos demônios, todos estes eram nada em comparação com os que eu experimentei lá, e saber que haviam de ser sem fim e sem jamais cessar.”

“Isto não era nada, porém, em comparação com o agoniar da alma: um apertamento, um afogamento, uma aflição tão agudamente sentida e com tal desesperada e afligida infelicidade que atormenta, que eu não sei como exprimir; porque parece estar-se sempre arrancando a alma que se rasga em pedaços."

"O fato é que não sei como dar uma descrição suficientemente poderosa daquele fogo interior e aquela gravíssima desesperação sobre tão dolorosos tormentos e dores. Eu não vi quem me os infligia, mas, sentia-me queimar e espedaçar, ao que me parece, e repito que o pior era aquele fogo interior e aquele desespero."

"Estando em tão fétido lugar, tão incapaz de esperar qualquer consolação, não há onde sentar-se ou deitar-se, nem há lugar, ainda que estava eu metida nessa espécie de buraco feito na parede, porque essas paredes apertam e tudo sufoca. Não há nenhuma luz, senão todo trevas escuríssimas.”

“Depois, eu tive uma visão de coisas espantosas. De alguns vícios, o castigo. Porque não é nada o ouvi-lo dizer, nem eu ter meditado de outras vezes sobre diversos tormentos (embora poucas vezes o fizesse, pois que, por caminho de temor, não ia bem a minha alma), nem que os demônios atormentam, nem outros diferentes suplícios que tenho lido, nada é como esta pena, porque é outra coisa. Enfim, é tão diferente como a pintura o é da realidade, e o queimar-se aqui na terra é muito pouco em comparação com este fogo de lá. Eu fiquei tão aterrada, e ainda agora o estou ao escrever isto, apesar de haver já quase seis anos que de temor – parece-me, e assim é –, me falta o calor natural aqui onde estou.”

“Daqui também cobrei a grandíssima pena que me dão as almas que se condenam (destes luteranos em especial, porque já eram, pelo Batismo, membros da Igreja), e os grandes ímpetos de salvar almas, que me parece certo que, para livrar uma só de tão gravíssimos tormentos, padeceria eu muitas mortes de muito boa vontade.”

Cavernas horríveis, abismos de tormentos: Santa Maria Faustina Kowalska

Santa Maria Faustina Kowalska, conhecida como Santa Faustina, foi uma religiosa polonesa que afirmou ter tido uma série de visões que incluíam Jesus, a Eucaristia, os anjos e vários santos. Das suas visões, registradas em seu "Diário", a Igreja recebeu a já popular devoção ao Terço da Divina Misericórdia.

Em um trecho do seu diário, no final de outubro de 1936, ela descreve sua visão do inferno:

“Hoje, conduzida por um Anjo, fui levada às profundezas do inferno, um lugar de grande castigo, e como é grande a sua extensão. Tipos de tormentos que vi: o primeiro tormento que constitui o inferno é a perda de Deus; o segundo, o contínuo remorso de consciência; o terceiro, o de que esse destino já não mudará nunca; o quarto tormento, é o fogo que atravessa a alma, mas não a destrói: é um tormento terrível, é um fogo puramente espiritual, aceso pela ira de Deus; o quinto é a contínua escuridão, o terrível cheiro sufocante e, embora haja escuridão, os demônios e as almas condenadas veem-se mutuamente e veem todo o mal dos outros e o seu. O sexto é a continua companhia do demônio; o sétimo tormento é o terrível desespero, ódio a Deus, maldições, blasfêmias.”

“São tormentos que todos os condenados sofrem juntos. Mas não é ó fim dos tormentos. Existem tormentos especiais para as almas, os tormentos dos sentidos. Cada alma é atormentada com o que pecou, de maneira horrível e indescritível. Existem terríveis prisões subterrâneas, abismos de castigo, onde um tormento se distingue do outro. Eu teria morrido vendo esses terríveis tormentos, se não me sustentasse a onipotência de Deus. Que o pecador saiba que será atormentado com o sentido com que pecou, por toda a eternidade. Estou escrevendo por ordem de Deus, para que nenhuma alma se escuse dizendo que não há inferno ou que ninguém esteve lá e não sabe como é."

“Eu, Irmã Faustina, por ordem de Deus, estive nos abismos para falar às almas e testemunhar que o inferno existe. Sobre isso não posso falar agora, tenho ordem de Deus para deixar isso por escrito. Os demônios tinham grande ódio contra mim, mas, por ordem de Deus, tinham de me obedecer. O que eu escrevi dá apenas uma pálida imagem das coisas que vi."

"Percebi, no entanto, uma coisa: o maior número das almas que lá estão é justamente daqueles que não acreditavam que o inferno existia. Quando voltei a mim, não podia me refazer do terror de ver como as almas sofrem terrivelmente ali e, por isso, rezo com mais fervor ainda pela conversão dos pecadores; incessantemente, peço a misericórdia de Deus para eles. 'Ó meu Jesus, prefiro agonizar até o fim do mundo nos maiores suplícios, a ter que vos ofender com o menor pecado que seja'."

Um grande mar de fogo: Irmã Lúcia de Fátima

A irmã Lúcia não é uma santa, mas é uma das destinatárias de uma das revelações privadas mais importantes do século XX, ocorrida em Fátima (Portugal). Em 1917, ela era uma das três crianças que afirmou ter tido numerosas visões de Nossa Senhora. Ela declarou que Maria lhes mostrou uma visão do interno que ela descreveu em suas "Memórias".

"Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo que parecia estar debaixo da terra. Mergulhados nesse fogo, os demônios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio, levadas pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas nos grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero, que horrorizava e fazia estremecer de pavor.”

“Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes e negros. Esta vista foi um momento, graças à nossa boa Mãe do céu, que antes nos tinha prevenido com a promessa de nos levar para o céu (na primeira aparição)! Se assim não fosse, creio que teríamos morrido de susto e pavor.”

Alguma reação? Podemos nos confiar à misericórdia de Deus em Cristo, e evitar, assim, qualquer coisa que se aproxime destas descrições, passando toda a eternidade em união com Deus no céu.

TAGS