Razões pelas quais não se deve bater palmas para
acompanhar cantos, etc.., na Missa
Porque não se adequa a teologia da Missa que
conforme a Carta Apostólica Domenica Caena de João Paulo II do 24/02/1980,
exige respeito a sacralidade e sacrificialidade do mistério eucarístico: “0
mistério eucarístico disjunto da própria natureza sacrifical e sacramental
deixa simplesmente de ser tal”. Superando as visões secularistas que reduzem a
eucaristia a uma ceia fraterna ou uma festa profana. Nossa Senhora e São João
ao pé da cruz no Calvário, certamente não estavam batendo palmas.
Porque bater palmas é um gesto que dispersa e
distrai das finalidades da missa gerando um clima emocional que faz passar a
assembléia de povo sacerdotal orante a massa de torcedores, inviabilizando o
recolhimento interior.
Porque o gesto de bater palmas olvida duas
importantes observações do então Cardeal Joseph Ratzinger sobre os desvios da
liturgia : “A liturgia não é um show, um espetáculo que necessite de
diretores geniais e de atores de talento. A liturgia não vive de surpresas
simpáticas, de invenções cativantes, mas de repetições solenes. Não deve
exprimir a atualidade e o seu efêmero, mas o mistério do Sagrado. Muitos
pensaram e disseram que a liturgia deve ser feita por toda comunidade para ser
realmente sua. É um modo de ver que levou a avaliar o seu sucesso em termos de
eficácia espetacular, de entretenimento. Desse modo, porém , terminou por dispersar
o propium litúrgico que não deriva daquilo que nós fazemos, mas, do fato que
acontece. Algo que nós todos juntos não podemos, de modo algum, fazer. Na
liturgia age uma força, um poder que nem mesmo a Igreja inteira pode
atribuir-se : o que nela se manifesta e o absolutamente Outro que, através da
comunidade chega até nós. Isto é, surgiu a impressão de que só haveria uma
participação ativa onde houvesse uma atividade externa verificável : discursos,
palavras, cantos, homilias, leituras, apertos de mão… Mas ficou no esquecimento
que o Concílio inclui na actuosa participatio também o silêncio, que permite
uma participação realmente profunda, pessoal, possibilitando a escuta interior
da Palavra do Senhor. Ora desse silêncio, em certos ritos, não sobrou nenhum
vestígio”.
Finalmente porque sendo a liturgia um Bem de todos,
temos o direito a encontrarmos a Deus nela, o direito a uma celebração
harmoniosa, equilibrada e sóbria que nos revele a beleza eterna do Deus Santo,
superando tentativas de reduzi-la à banalidade e à mediocridade de
eventos de auditório.
+ Dom
Roberto Francisco Ferrería Paz quando Bispo Auxiliar de Niterói

