quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Arquidiocese de Niterói e as palmas na Santa Missa



14/09/10 - Dom Roberto Francisco Ferrería Paz, Bispo Auxiliar de Niterói, em seu último artigo publicado no site da Arquidiocese, explica o porquê D. Alano e ele proibiram as palmas dentro das Celebrações Eucarísticas da Arquidiocese:
Porque não se adequa a teologia da Missa que conforme a Carta Apostólica Domenica Caena de João Paulo II do 24/02/1980, exige respeito a sacralidade e sacrificialidade do mistério eucarístico: “0 mistério eucarístico disjunto da própria natureza sacrifical e sacramental deixa simplesmente de ser tal”. Superando as visões secularistas que reduzem a eucaristia a uma ceia fraterna ou uma festa profana. Nossa Senhora e São João ao pé da cruz no Calvário, certamente não estavam batendo palmas. Porque bater palmas é um gesto que dispersa e distrai das finalidades da missa gerando um clima emocional que faz passar a assembléia de povo sacerdotal orante a massa de torcedores, inviabilizando o recolhimento interior. Porque o gesto de bater palmas olvida duas importantes observações do então Cardeal Joseph Ratzinger sobre os desvios da liturgia : “A liturgia não é um show, um espetáculo que necessite de diretores geniais e de atores de talento. A liturgia não vive de surpresas simpáticas, de invenções cativantes, mas de repetições solenes. Não deve exprimir a atualidade e o seu efêmero, mas o mistério do Sagrado. Muitos pensaram e disseram que a liturgia deve ser feita por toda comunidade para ser realmente sua. É um modo de ver que levou a avaliar o seu sucesso em termos de eficácia espetacular, de entretenimento. Desse modo, porém , terminou por dispersar o propium litúrgico que não deriva daquilo que nós fazemos, mas, do fato que acontece. Algo que nós todos juntos não podemos, de modo algum, fazer. Na liturgia age uma força, um poder que nem mesmo a Igreja inteira pode atribuir-se : o que nela se manifesta e o absolutamente Outro que, através da comunidade chega até nós. Isto é, surgiu a impressão de que só haveria uma participação ativa onde houvesse uma atividade externa verificável : discursos, palavras, cantos, homilias, leituras, apertos de mão… Mas ficou no esquecimento que o Concílio inclui na actuosa participatio também o silêncio, que permite uma participação realmente profunda, pessoal, possibilitando a escuta interior da Palavra do Senhor. Ora desse silêncio, em certos ritos, não sobrou nenhum vestígio”.
Finalmente porque sendo a liturgia um Bem de todos, temos o direito a encontrarmos a Deus nela, o direito a uma celebração harmoniosa, equilibrada e sóbria que nos revele a beleza eterna do Deus Santo, superando tentativas de reduzi-la à banalidade e à mediocridade de eventos de auditório.
+ Dom Roberto Francisco Ferrería Paz
Bispo Auxiliar de Niterói

sábado, 10 de novembro de 2012

IDOSO OU VELHO?



Você considera-se uma pessoa idosa, ou velha? Acha que é a mesma coisa?
Pois então ouça o depoimento de um idoso de setenta anos:
Idosa é uma pessoa que tem muita idade. Velha é a pessoa que perdeu a jovialidade. A idade causa degenerescência das células. A velhice causa a degenerescência do espírito. Por isso nem todo o idoso é velho e há velho que ainda nem chegou a ser idoso.
Você é idoso quando sonha. É velho quando apenas dorme.
Você é idoso quando ainda aprende. É velho quando já nem ensina.
Você é idoso quando pratica desporto, ou de alguma outra forma se exercita. É velho quando apenas descansa.
Você é idoso quando ainda sente amor. É velho quando só tem ciúmes e sentimento de posse.
Você é idoso quando o dia de hoje é o primeiro do resto da sua vida. É velho quando todos os dias parecem o último da longa jornada.
Você é idoso quando o seu calendário tem amanhãs. É velho quando o seu calendário só tem ontens.
O idoso é aquela pessoa que tem tido a felicidade de viver uma longa vida produtiva, de ter adquirido uma grande experiência. Ele é uma ponte entre o passado e o presente, como o jovem é uma ponte entre o presente e o futuro. E é no presente que os dois se encontram. Velho é aquele que tem carregado o peso dos anos, que em vez de transmitir experiência às gerações vindouras, transmite pessimismo e desilusão. Para ele, não existe ponte entre o passado e o presente, existe um fosso que o separa do presente pelo apego ao passado.
O idoso renova-se a cada dia que começa; o velho acaba-se a cada noite que termina.
O idoso tem os seus olhos postos no horizonte de onde o sol desponta e a esperança se ilumina. O velho tem a sua miopia voltada para os tempos que passaram.
O idoso tem planos. O velho tem saudades.
O idoso goza o que resta da vida. O velho sofre o que o aproxima da morte.
O idoso moderniza-se, dialoga com a juventude, procura compreender os novos tempos. O velho emperra-se no seu tempo, fecha-se na sua ostra e recusa a modernidade.
O idoso leva uma vida ativa, plena de projetos e de esperanças. Para ele o tempo passa rápido, mas a velhice nunca chega. O velho adormece no vazio da sua vida e as suas horas arrastam-se destituídas de sentido.
As rugas do idoso são bonitas porque foram marcadas pelo sorriso. As rugas do velho são feias porque foram vincadas pela amargura.
Em resumo, idoso e velho, são duas pessoas que até podem ter a mesma idade no cartório, mas têm idade bem diferente no coração.
A vida, com as suas fases de infância, juventude, madureza, é uma experiência constante. Cada fase tem o seu encanto, a sua doçura, as suas descobertas.
Sábio é aquele que desfruta de cada uma das fases em plenitude, extraindo dela o melhor. Somente assim, na soma das experiências e oportunidades, ao final dos seus anos guardará a jovialidade de um homem sábio.
Se você é idoso, guarde a esperança de nunca ficar velho.



(desconheço o autor)

OS PARADOXOS DO NOSSO TEMPO



No mês de Julho em pleno inverno somos convidados ao recolhimento, a repensar o caminho da nossa vida, da nossa civilização.
Vamos meditar com ajuda do seguinte texto: ”Os paradoxos do nosso tempo histórico são que temos edifícios mais altos, mas temperamentos mais baixos, estradas mais amplas, mas pontos de vista mais estreitos.Gastamos mais, mas temos menos compramos mais, mas usufruímos menos. Temos casas maiores, mas estamos menos com nossas famílias, mais conveniências, mas menos tempo; temos mais estudos universitários, mas menos sensibilidade, mais conhecimentos, mas menos juízo, mais especialistas, mas menos soluções, melhor medicina, mas pior saúde.
Bebemos muito, fumamos compulsivamente, gastamos sem necessidade, sorrimos e rimos muito pouco. Dirigimos muito rápido e nos irritamos, também muito rapidamente, perdemos o sono, nos levantamos cansados, raramente lemos, vemos muita televisão e rezamos muito pouco. Multiplicamos nossos pertences mas reduzimos nossos valores humanos. Falamos muito, mas amamos pouco e mentimos com freqüência. Aprendemos a ganhar a vida, mas não sabemos viver, acrescentamos anos a nossa vida, mas não vida aos anos.
Fomos até a lua e voltamos mas temos problemas ao atravessar a rua e conhecer o vizinho. Conquistamos o espaço sideral, mas não o espaço interior.
Fizemos casas maiores, mas não casas melhores, limpamos o ar, mas poluímos a alma. Partimos o átomo, mas não quebramos nossos preconceitos. Escrevemos mais, mas aprendemos menos. Aprendemos a viver depressa, mas não a ser pacientes. Criamos computadores para reter mais informação, mas temos menos comunicação.
Este é o tempo das comidas rápidas e das digestões lentas, das pessoas de estatura alta e baixa personalidade, dos ganhos altos e dos relacionamentos vazios. Este é o tempo da independência, mas de mais divórcios, de casas bonitas, mas de lares pequenos. Este é o tempo das viagens rápidas, das fraldas descartáveis, da moral prescindível, das realidades de uma noite; dos corpos pesados e das pílulas que fazem tudo: alegram, tranqüilizam, matam. É o tempo em que tem muito na vitrine e nada no almazém”.
Pense um pouco, reflita. É essa a vida que nós queremos? Deus seja louvado!
+Dom Roberto Francisco Ferreria Paz Bispo Diocesano de Campos
Campos dos Goytacazes, 15 de Julho de 2012