domingo, 9 de março de 2014

Entrevista do Papa Francisco
Papa Francisco: O matrimônio é entre um homem e uma mulher

Foto Grupo ACI
ROMA, 06 Mar. 14 / 09:55 am (ACI).- Falando sobre a importância da família na Igreja e no mundo, que foi o tema do recente Consistório de cardeais e será o tema do sínodo dos bispos em outubro no Vaticano, o Papa Francisco precisou que “o matrimônio é entre um homem e uma mulher”.

Na entrevista publicada ontem pelos jornais La Nación da Argentina e Corriere della Sera, da Itália, o Pontífice responde a uma pergunta em relação à união civil que foi aprovada em alguns países.

A respeito deste tema, o Santo Padre assinala que “o matrimônio é entre um homem e uma mulher. Os Estados laicos querem justificar as uniões civis para regular diversas situações de convivência, impulsionados pela exigência de regular aspectos econômicos entre as pessoas, como por exemplo assegurar a assistência de saúde. É preciso ver os diversos casos e avaliá-los na sua variedade”.

Sobre a reflexão atual na Igreja sobre a família –fundada no matrimônio entre homem e mulher– e que será o tema do sínodo dos bispos em outubro, o Papa assinala que “É um longo caminho que a Igreja deve percorrer. Um processo desejado pelo Senhor. Três meses depois da minha eleição, foram submetidos a mim os temas para o Sínodo e nos propusemos a discutir sobre qual era a contribuição de Jesus ao homem contemporâneo. Mas, no fim, com passagens graduais – que para mim foram sinais da vontade de Deus – escolheu-se discutir a família que atravessa uma crise muito séria”.

“É difícil formar uma família. Os jovens se casam pouco. Há muitas famílias separadas, nas quais o projeto de vida comum fracassou. Os filhos sofrem muito. Devemos dar uma resposta. Mas, para isso, é preciso refletir muito profundamente. É o que o Consistório e o Sínodo estão fazendo. É preciso evitar ficar na superfície do tema”.

O Santo Padre alertou que “a tentação de resolver todos os problemas com a casuística é um erro, uma simplificação de coisas profundas, como faziam os fariseus, uma teologia muito superficial. É à luz da reflexão profunda que poderão ser enfrentadas seriamente as situações particulares, mesmo a dos divorciados, com profundidade pastoral.”.

Sobre o discurso do Cardeal Kasper, que foi pronunciado no consistório dos cardeais em fevereiro e que se usou em diversos meios para dizer que o Papa aprova a comunhão para os divorciados quando não se tomou nenhuma decisão a respeito, o Pontífice afirmou que este Cardeal “fez uma belíssima e profunda apresentação, que em breve será publicada em alemão, e abordou cinco pontos; o quinto era o dos segundos matrimônios. Eu me preocuparia se, no Consistório, não houvesse uma discussão intensa, não serviria para nada”.

“Os cardeais sabiam que podiam dizer o que queriam e apresentaram muitos pontos de vista diferentes, que enriquecem. Os debates fraternos e abertos fazem crescer o pensamento teológico e pastoral. Disso, eu não tenho medo, ao contrário, o busco”, adicionou.
Papa Francisco: Sacerdotes assépticos não ajudam a Igreja nos tempos atuais

Vaticano, 06 Mar. 14 / 03:16 pm (ACI/EWTN Noticias).- O Papa Francisco se encontrou na manhã de hoje na Sala Paulo VI com os sacerdotes de sua diocese, Roma. O tema central do encontro, partindo do Evangelho de São Mateus, foi a misericórdia e assinalou que os sacerdotes devem poder comover-se frente aos fiéis já que os "sacerdotes assépticos não ajudam à Igreja”.

Em seu discurso o Santo Padre disse que os sacerdotes devem ter um coração que se comova porque “os sacerdotes assépticos não ajudam a Igreja”. “A Igreja de hoje pode comparar-se com um "hospital de campanha"; precisamos curar as feridas... Há muitas pessoas feridas, por problemas materiais, por escândalos, inclusive na Igreja... Gente ferida pelas ilusões do mundo”.

“Nós, sacerdotes temos que estar aí, ao lado destas pessoas. Misericórdia significa, acima de tudo curar as feridas.... não uma análise; depois serão feitos cuidados especiais, mas primeiro há que tratar as feridas abertas. Vocês conhecem as feridas de seus paroquianos?.. Estão perto deles?”.

O Papa recordou como Jesus caminhava pelas cidades e sentia compaixão pelas pessoas que encontrava, “pessoas cansadas e indefesas como ovelhas sem pastor”. “Não estamos aqui –disse o Santo Padre - para fazer um bom exercício espiritual de início de Quaresma, mas para escutar a voz do Espírito que fala com toda a Igreja em nosso tempo, que é exatamente o tempo da misericórdia”.

“Hoje todos esquecemos com muita rapidez, até mesmo o Magistério da Igreja. Em parte isto é inevitável, mas o grande conteúdo, as grandes intuições e as ordens ao povo de Deus nós não podemos esquecer. E a divina misericórdia é uma delas... Corresponde-nos , como ministros da Igreja, manter viva esta mensagem sobre tudo na predicação e nos gestos, nos sinais, nas decisões pastorais, por exemplo, na eleição de devolver prioridade ao Sacramento da Reconciliação, e ao mesmo tempo, às obras de misericórdia”.

O Papa perguntou logo: “O que significa ser sacerdote?” E explicou que os sacerdotes se comovem diante das ovelhas, como Jesus, quando via às pessoas cansadas e esgotadas como ovelhas sem pastor. Francisco recordou como o sacerdote, seguindo a imagem do Bom Pastor, é um homem de misericórdia, de compaixão, próximo dos seus.

“Em particular, o sacerdote mostra as entranhas da misericórdia na administração do sacramento da Reconciliação; Ele demonstra com toda sua atitude, com a maneira de acolher, de escutar, de aconselhar, de absolver... Mas isto depende de como ele mesmo vive o sacramento em primeira pessoa... Se o vive dentro de si, em seu próprio coração, pode também dá-lo a outros no ministério”.

No Sacramento da Reconciliação, explicou Francisco, a misericórdia significa “nem manga longa, nem mão dura”. “Frequentemente nossos fiéis nos contam que se confessaram com um sacerdote muito "rígido" ou muito "flexível", lasso ou rigoroso.

“Que haja diferenças de estilo é normal, mas as diferenças não podem estar na substância, a sã doutrina moral e a misericórdia. Nem o lasso, nem o rigoroso dão testemunho de Jesus, porque nenhum dos dois se encarrega da pessoa que encontra...”A verdadeira misericórdia se preocupa com a pessoa. E o sacerdote realmente misericordioso se comporta como o Bom Samaritano”...“Nem o lasso nem o rigoroso fazem crescer a santidade”, ressaltou.

“A misericórdia, por outro lado, nos acompanha no caminho da santidade, nos faz crescer... Em que sentido?... Através do sofrimento pastoral, que é uma forma de misericórdia. O que significa o sofrimento pastoral? Significa sofrer com e pelas pessoas, como um pai e uma mãe sofrem por seus filhos, e me permito dizer inclusive com “ânsia”.

O Santo Padre disse logo que ao final “seremos julgados por como soubemos nos aproximar de “cada carne”, à carne do irmão... Ao final dos tempos, será permitido contemplar a carne glorificada de Cristo somente a aqueles que não tenham tido vergonha da carne de seu irmão ferido e excluído”.
(ACIDIGITAL)


Morte cerebral: instante ou processo?

Ainda não há consenso sobre quando exatamente se pode afirmar que uma pessoa está morta

Fórum Libertas
07.03.2014

Evocamos a situação história na qual se elaborou uma das primeiras definições de morte cerebral: uma comissão em Harvard, em 1968, que tinha entre seus objetivos determinar os parâmetros que permitem ter certeza de estar diante de um cadáver, para facilitar a extração dos seus órgãos.

Com esses parâmetros, pensou-se, seria possível deixar de "manter" artificialmente (com aparelhos caros, não nos esqueçamos) aqueles corpos de pessoas falecidas, mas que conservavam funções vitais graças à tecnologia. Por outro lado, haveria segurança de que a extração dos órgãos desses corpos mantidos artificialmente em condições "vitais" não provocaria sua morte, dado que já estariam mortos.

O relatório de Harvard de 1968 estabelecia uma série de parâmetros a partir dos quais se poderia constatar que o cérebro havia deixado de coordenar e manter a unidade do organismo, razão pela qual a pessoa estaria morta, apesar da aparência de vitalidade, o que seria simplesmente resultado do uso dos modernos aparelhos de reanimação e sustentação da vida.

É preciso constatar que existem no mercado diversas teorias sobre quais são os critérios para constatar a morte cerebral; alguns preferem falar especificamente de morte encefálica. Da mesma forma, nem todos concordam na hora de indicar que partes do encéfalo deveriam ser consideradas para ver se a pessoa está morta ou não.

Alguns, por exemplo, supõem que haveria morte quando há dano no córtex do cérebro. Outros, no entanto, consideram que só há morte quando há danos irreversíveis em todas as partes do encéfalo: cérebro, cerebelo e tronco cerebral.

O panorama se torna mais complexo se recordamos que um filósofo como Hans Jonas considerou eticamente incorreto usar a ideia de morte cerebral para extrair órgãos de um corpo humano enquanto ele continua unido aos aparelhos que o mantêm com certas funções "vitais".

Segundo o autor, a morte não é algo que pode ser identificado com um momento concreto nem a partir de sinais de dano cerebral irreversível, mas um processo. Para Jonas, só seria lícito extrair órgãos naqueles corpos que foram desconectados dos aparelhos, quando já fosse evidente que não tinham nenhuma atividade cardíaca nem respiratória autônoma.

Existem pensadores do âmbito católico, como Josef Seifert e Robert Spaemann, que também se opõem ao uso da ideia de morte cerebral para permitir a extração de órgãos vitais de um corpo cuja morte não teria sido constatada com a suficiente certeza, mas por meio de parâmetros inseguros, insuficientes ou mal utilizados, como o da morte cerebral.

Outros autores, também do âmbito católico, como o cardeal Elio Sgreggia, mostram-se mais abertos a um uso eticamente correto da constatação da morte a partir do critério neurológico (morte encefálica), ou seja, partindo de uma série de parâmetros que indicam a perda da unidade mínima necessária para que um organismo esteja dotado de vida autônoma. Tais parâmetros, quando determinam que houve um cessar irreversível de todas as funções encefálicas, seriam suficientes para estar seguros de que estamos diante de um cadáver.

Como se pode ver, estamos diante de um tema complexo e com muitas perspectivas. Há, no entanto, alguns critérios fundamentais que não podem ser deixados de lado e que, infelizmente, não são compartilhados pelos que abordam esta temática.

Tais critérios são:

- É preciso respeitar sempre a pessoa humana.

- É preciso ajudá-la a conservar sua vida na medida do possível e sem menoscabo do respeito aos outros.

- Promover tudo aquilo que proteja a saúde e que permita uma atenção adequada às pessoas doentes.

- Evitar toda intervenção excessiva e desproporcional quando já não é possível restabelecer a saúde e quando há graves inconvenientes de cunho humano, familiar e social.

- Nunca será lícito extrair órgãos ou outras partes do corpo de um ser humano em aparente morte encefálica se não existir certeza suficiente de que ele já faleceu, como tampouco é lícito provocar tal morte por falsa compaixão ou para utilizar partes do cadáver.

São critérios gerais, mas que supõem admitir uma verdade que foi mencionada anteriormente: todo ser humano, pela sua condição espiritual, tem direitos intrínsecos, entre os quais se encontra o direito à vida e ao cuidado da saúde, da concepção até a morte.

(Trecho de um artigo do Pe. Fernando Pascual, publicado originalmente pelo Fórum Libertas)

O tempo da Quaresma

Jesus é o modelo da vida de penitência dos cristãos. O Jesus que jejua, o Jesus que se dedica à oração, deve ser visto à luz do Cristo transfigurado

Instituto Teológico Franciscano
08.03.2014 // IMPRIMIR















© Odisur
Ter-se-á sempre em vista que a Quaresma constituía preparação para o Tríduo pascal da Paixão-Morte, Sepultura e Ressurreição do Senhor Jesus, celebrado de Quinta-feira à noite até o Domingo da Ressurreição.

A Quarta-feira de Cinzas abre este tempo de conversão e de penitência, fazendo a proposta da observância quaresmal da oração, do jejum e da esmola.

Jesus é o modelo da vida de penitência dos cristãos. O Jesus que jejua, o Jesus que se dedica à oração, deve ser visto à luz do Cristo transfigurado. Toda a caminhada da conversão dos cristãos só tem sentido à luz da ressurreição pregustada no Tabor.

A partir do 3º domingo temos uma diversificação, conforme os ciclos litúrgicos dos Anos A, B e C.

O ano litúrgico A, que estamos vivendo neste 2014, apresenta a temática batismal. O batismo será revivido no Tríduo pascal e especialmente na Vigília. Se isso é verdade todos os anos, vem tematizado no Ano A. Utilizam-se os Evangelhos de São João. No 3º Domingo: o poço da samaritana; no 4º Domingo: o cego de nascença junto à piscina de Siloé. No 5º Domingo: a ressurreição de Lázaro. As leituras do Antigo Testamento, em harmonia com os evangelhos, apresentam os grandes lances da história da salvação. As leituras do Apóstolo realçam também a temática batismal.

Tudo isso pode acontecer cada ano com o Povo de Deus, a Igreja, no Tríduo pascal. As condições são a conversão, a renovação da aliança batismal em Cristo Jesus.

AS LINHAS FORÇAS DA QUARESMA

A Quaresma recebe toda a sua força de inspiração da Vigília pascal, desdobrada no Tríduo pascal da Paixão-Morte, Sepultura e Ressurreição de Jesus Cristo.

Trata-se da preparação para a Festa da Páscoa do Cristo total, isto é, de Jesus Cristo e dos cristãos. Esta vida nova em Cristo é que chamamos de mistério pascal.

A páscoa-fato, celebrada pela Igreja, movimenta-se em três níveis: a páscoa-fato, celebrada pela Igreja, movimenta-se em três níveis: a páscoa-fonte, a Paixão-Morte, Sepultura e Ressurreição de Jesus Cristo; a páscoa participada pelos cristãos, acontecida no batismo; e a renovação da páscoa dos cristãos em Cristo no hoje pela renovação de vida, na conversão ou penitência e no compromisso renovado.

Tudo isso torna-se sacramental na páscoa-rito, na celebração da Vigília maior, desdobrada no Tríduo pascal.

Compreendemos que a celebração da Páscoa é essencialmente uma festa batismal. Dela brotam duas linhas-força:

A primeira: A dimensão batismal. Nesta dimensão podemos realçar dois aspectos. A Páscoa é a festa da celebração do batismo daqueles e daquelas que se prepararam durante a Quaresma. Hoje, esta realidade está tornando-se sempre mais presente. Os catecúmenos caminharam com a Igreja; a comunidade tornou-se catecúmena com os que se preparam para o batismo. A Igreja gera novos filhos na fé. Mas enquanto ela se torna catecúmena, os cristãos se preparam para renovar os compromissos do próprio batismo. Assim, estamos na segunda linha-força da Quaresma: a penitência ou a prática da conversão para viver o batismo ou para renovar as promessas do batismo.

Os cristãos já batizados têm consciência de que ainda não estão na plenitude do ideal cristãos, que é o próprio Cristo Jesus. Todo cristão, mesmo batizado, sabe que o processo de sua conversão não chegou ao fim. Ele é um caminhante, consciente do já presente do ainda não. Embora justificado e santificado pelo batismo e pela fé, encontra-se ainda a caminho. Além disso, ele tem consciência de que muitas vezes se torna infiel à aliança batismal, à morte libertadora de Jesus Cristo, afastando-se ou negando totalmente sua vocação e missão de batizado. Ou, então, torna-se infiel aos compromissos batismais, não correspondendo devidamente à proposta do amor de Deus em Jesus Cristo. Daí o sentido da penitência quaresmal para todos. Será preparação para retomar os compromissos do batismo ou para fortifica-los. Esta experiência de reconciliação oferecida pela misericórdia de Deus em Jesus Cristo constitui, por sua vez, outra experiência pascal celebrada sacramentalmente na Páscoa.

Adaptação: BECKHÄUSER, Frei Alberto. Viver o Ano Litúrgico: Reflexões para os domingos e solenidades. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.

(Instituto Teológico Franciscano)

 
sources: Instituto Teológico Franciscano