sábado, 26 de abril de 2014

RONALDO "O FENÔMENO”
Uilsedir P. Campos
   Ronaldinho nasceu pobre, de família pobre, num beco qualquer de uma favela do Rio de Janeiro. Conviveu com assaltantes, balas perdidas, drogas. Viu de perto tanta desgraça que dele nada se poderia esperar a não ser um novo bandido na praça que viria a ser morto em tiroteio com a Polícia.
   Mas, Ronaldinho não seguiu o destino que a sociedade em que vivia lhe impunha. Ele quis ser diferente. Começou treinando futebol nas peladas do morro. Com dificuldade conseguiu concluir o ensino fundamental.
   Ronaldinho sonhava grande. Não seria como os outros meninos de sua rua. Um dia ele iria vencer. Ele tinha certeza disto.
   Vou agora ao meu dicionário “Aurélio” em busca de uma definição de “fenômeno” e encontro mais de dez. Tomo apenas uma delas. A que diz “Pessoa que se distingue por algum talento extraordinário”.
   Com esta definição começo a enquadrar o Ronaldinho sob esta perspectiva. E, por incrível que pareça, ele é realmente um fenômeno.
   Ronaldinho poderia ser um drogado, um traficante, um criminoso. Mas, não foi. Ele é um fenômeno!
   Ronaldinho cresceu, se desenvolveu e é hoje, um orgulho para sua família. É um fenômeno!
   Até aqui, tenho a certeza que você já sabia de quem eu estava falando. No entando, prezado leitor, devo lhe garantir: você se enganou.
   O Ronaldinho da minha história não é conhecido no mundo todo, não recebe honras de herói nacional nem prêmios milionários. Ronaldinho não tem mansões na Europa e nem anda de Ferrari. Ronaldinho nunca comeu em um restaurante e quando adoece não se trata no Hospital Sírio Libanês ou no Copa D’Or. O Ronaldinho de que falo não se casou em um castelo na Europa, nunca desfilou no carro do Corpo de Bombeiros pelas ruas da das cidade, jamais foi recebido pelo presidente da República e nem aparece diariamente na TV, nos jornais e nas revistas.
      O Ronaldinho da minha história só é conhecido pela própria família e pelos amigos que ganhou ao longo de sua vida morando no morro. Ronaldinho nunca recebeu qualquer prêmio ou homenagem pelo que faz. Ao contrário, recebe, às vezes, desprezo e deboche dos usuários. Sua casa é apenas um “puxadinho” que fez colado à casa de sua mãe e onde moram ele, a mulher e os três filhos. Ronaldinho desfila todos os dias pela avenida em um carro, da coleta do lixo, e, longe dos restaurantes cinco estrelas, garimpa do lixo alguma coisa para comer quando a fome é insuportável. Se ele existe, nem a presidente do País e nem os jornais ou a TV  sabem. Se adoece, ele precisa brigar na fila do SUS para ser atendido.
   Isto, sim, é ter talento extraordinário. Sobreviver em um país com tantas riquezas, mas dividido pela injusta, perversa e subversiva distribuição de rendas.
   Você, sim, merece respeito sendo honesto em um país que inverteu os valores endeusando aqueles que sabem usar os pés e desprezando aqueles que sabem usar a cabeça.
   Você, sim, deveria ser reconhecido como exemplo, como herói nacional, pois não mercadejou com a honra e nem procurou meios desonestos para viver.
   Você, sim, deveria ser conhecido no mundo todo!
   Você, é um vencedor!
   Ronaldinho, você, sim, é um FENÔMENO!

HINO OU MÚSICA?

“Quem canta reza duas vezes”.  Este provérbio, dentro de um contexto moderno tem sido entendido como uma manifestação externa de uma espiritualidade voltado predominantemente para o louvor.
Após o Vaticano II uma inundação de músicas-mensagens invadiu o repertório litúrgico como músicas litúrgicas integrando, indevidamente, as Celebrações Eucarísticas.
Em dado momento tais músicas chegaram a se constituir em uma marca da nova fase da Igreja: a Pós-Concíliar.
O novo tempo na Igreja, à custa de interpretações infundadas deu margem ao surgimento de centenas de grupos musicais e de suas composições carregadas de sentimentalismos e pobres de piedade e de valores autenticamente cristãos. É o que se chama de músicas-mensagens.
Enquanto cresciam estas iniciativas, os antigos hinos litúrgicos gregorianos ou tradicionais eram jogados no mais fundo das lixeiras musicais na tentativa de sepultá-los para sempre, atitude esta motivada, muitas vezes, por antipatias pessoais contra os antigos bispos e sacerdotes.
A nova música católica necessitou ser agrupada em músicas “litúrgicas” e músicas para “encontros”. Evidentemente que os novos compositores sem conhecimentos teológicos e/ou doutrinários, inadvertidamente, quero crer, acabaram introduzindo em suas letras erros crassos contra a Santa Igreja, que continuam a ser cantados até hoje. Vários hinos que se cantam hoje são de origem protestante expondo os fiéis à assimilação de conceitos teológicos ou doutrinários errôneos.
Tudo que se cantava à cantochão e com toda a reverência  passou a ser cantado nos mais diversos ritmos populares, como se a Igreja devesse se profanizar, imitando o mundo. As letras e músicas passaram a ser carregadas de sentimentalismo a tal ponto que poderiam servir também para embalar as mais diversas emoções humanas.
A música sacra, bem ao contrário,  deve ter o carisma de elevar o espírito a Deus e favorecer a meditação. Deus nos fala na suavidade da brisa e não no calor do incêndio das paixões e nem nos terremotos das emoções superficiais.
Se necessitamos “sentir” tais emoções é porque precisamos amadurecer nossa fé, aprofundar nosso conhecimento sobre a Igreja e, sobretudo, aprendermos a rezar.
O caminho da música católica deve passar necessariamente pelo bom senso e pelo respeito às suas origens: o ritmo suave, as letras dotadas de conteúdo profundo e o acompanhamento do instrumento sacro por excelência: o órgão.
Assim ela estará cumprindo sua finalidade primeira: elevação da alma à Deus.
Se o homem do nosso tempo não acha gosto no canto sacro tradicional a eles se aplicam plenamente as palavras do Apóstolo Paulo: “Mas o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois para ele são loucuras. Nem as pode compreender, porque é pelo Espírito que se devem ponderar.”
                                                              (I Cor. 2, 14)

quinta-feira, 24 de abril de 2014

joão paulo

Oração a São João Paulo II

Para compartilhar e rezar com fervor

24.04.2014 // IMPRIMIR

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© MARCO UGARTE / AFP
Ó São João Paulo,
da janela do céu,
dá-nos a tua bênção!

Abençoa a Igreja,
que tu amaste, serviste e guiaste,
incentivando-a a caminhar corajosamente
pelos caminhos do mundo,
para levar Jesus a todos
e todos a Jesus!

Abençoa os jovens,
que também foram tua grande paixão.
Ajuda-os a voltar a sonhar,
voltar a dirigir o olhar ao alto
para encontrar a luz que
ilumina os caminhos da vida na terra.

Abençoa as famílias,
abençoa cada família!
Tu percebeste a ação de Satanás
contra esta preciosa e indispensável
faísca do céu que Deus
acendeu sobre a terra.

São João Paulo,
com a tua intercessão,
protege as famílias
e cada vida que nasce
dentro da família.

Roga pelo mundo inteiro,
ainda marcado por tensões,
guerras e injustiças.
Tu te opuseste à guerra,
invocando o diálogo e semeando o amor;
roga por nós,
para que sejamos incansáveis
semeadores de paz.

Ó São João Paulo,
da janela do céu,
onde te vemos junto a Maria,
faz descer sobre todos nós
a bênção de Deus!

Amém.

(Cardeal Angelo Comastri)

domingo, 9 de março de 2014

Entrevista do Papa Francisco
Papa Francisco: O matrimônio é entre um homem e uma mulher

Foto Grupo ACI
ROMA, 06 Mar. 14 / 09:55 am (ACI).- Falando sobre a importância da família na Igreja e no mundo, que foi o tema do recente Consistório de cardeais e será o tema do sínodo dos bispos em outubro no Vaticano, o Papa Francisco precisou que “o matrimônio é entre um homem e uma mulher”.

Na entrevista publicada ontem pelos jornais La Nación da Argentina e Corriere della Sera, da Itália, o Pontífice responde a uma pergunta em relação à união civil que foi aprovada em alguns países.

A respeito deste tema, o Santo Padre assinala que “o matrimônio é entre um homem e uma mulher. Os Estados laicos querem justificar as uniões civis para regular diversas situações de convivência, impulsionados pela exigência de regular aspectos econômicos entre as pessoas, como por exemplo assegurar a assistência de saúde. É preciso ver os diversos casos e avaliá-los na sua variedade”.

Sobre a reflexão atual na Igreja sobre a família –fundada no matrimônio entre homem e mulher– e que será o tema do sínodo dos bispos em outubro, o Papa assinala que “É um longo caminho que a Igreja deve percorrer. Um processo desejado pelo Senhor. Três meses depois da minha eleição, foram submetidos a mim os temas para o Sínodo e nos propusemos a discutir sobre qual era a contribuição de Jesus ao homem contemporâneo. Mas, no fim, com passagens graduais – que para mim foram sinais da vontade de Deus – escolheu-se discutir a família que atravessa uma crise muito séria”.

“É difícil formar uma família. Os jovens se casam pouco. Há muitas famílias separadas, nas quais o projeto de vida comum fracassou. Os filhos sofrem muito. Devemos dar uma resposta. Mas, para isso, é preciso refletir muito profundamente. É o que o Consistório e o Sínodo estão fazendo. É preciso evitar ficar na superfície do tema”.

O Santo Padre alertou que “a tentação de resolver todos os problemas com a casuística é um erro, uma simplificação de coisas profundas, como faziam os fariseus, uma teologia muito superficial. É à luz da reflexão profunda que poderão ser enfrentadas seriamente as situações particulares, mesmo a dos divorciados, com profundidade pastoral.”.

Sobre o discurso do Cardeal Kasper, que foi pronunciado no consistório dos cardeais em fevereiro e que se usou em diversos meios para dizer que o Papa aprova a comunhão para os divorciados quando não se tomou nenhuma decisão a respeito, o Pontífice afirmou que este Cardeal “fez uma belíssima e profunda apresentação, que em breve será publicada em alemão, e abordou cinco pontos; o quinto era o dos segundos matrimônios. Eu me preocuparia se, no Consistório, não houvesse uma discussão intensa, não serviria para nada”.

“Os cardeais sabiam que podiam dizer o que queriam e apresentaram muitos pontos de vista diferentes, que enriquecem. Os debates fraternos e abertos fazem crescer o pensamento teológico e pastoral. Disso, eu não tenho medo, ao contrário, o busco”, adicionou.
Papa Francisco: Sacerdotes assépticos não ajudam a Igreja nos tempos atuais

Vaticano, 06 Mar. 14 / 03:16 pm (ACI/EWTN Noticias).- O Papa Francisco se encontrou na manhã de hoje na Sala Paulo VI com os sacerdotes de sua diocese, Roma. O tema central do encontro, partindo do Evangelho de São Mateus, foi a misericórdia e assinalou que os sacerdotes devem poder comover-se frente aos fiéis já que os "sacerdotes assépticos não ajudam à Igreja”.

Em seu discurso o Santo Padre disse que os sacerdotes devem ter um coração que se comova porque “os sacerdotes assépticos não ajudam a Igreja”. “A Igreja de hoje pode comparar-se com um "hospital de campanha"; precisamos curar as feridas... Há muitas pessoas feridas, por problemas materiais, por escândalos, inclusive na Igreja... Gente ferida pelas ilusões do mundo”.

“Nós, sacerdotes temos que estar aí, ao lado destas pessoas. Misericórdia significa, acima de tudo curar as feridas.... não uma análise; depois serão feitos cuidados especiais, mas primeiro há que tratar as feridas abertas. Vocês conhecem as feridas de seus paroquianos?.. Estão perto deles?”.

O Papa recordou como Jesus caminhava pelas cidades e sentia compaixão pelas pessoas que encontrava, “pessoas cansadas e indefesas como ovelhas sem pastor”. “Não estamos aqui –disse o Santo Padre - para fazer um bom exercício espiritual de início de Quaresma, mas para escutar a voz do Espírito que fala com toda a Igreja em nosso tempo, que é exatamente o tempo da misericórdia”.

“Hoje todos esquecemos com muita rapidez, até mesmo o Magistério da Igreja. Em parte isto é inevitável, mas o grande conteúdo, as grandes intuições e as ordens ao povo de Deus nós não podemos esquecer. E a divina misericórdia é uma delas... Corresponde-nos , como ministros da Igreja, manter viva esta mensagem sobre tudo na predicação e nos gestos, nos sinais, nas decisões pastorais, por exemplo, na eleição de devolver prioridade ao Sacramento da Reconciliação, e ao mesmo tempo, às obras de misericórdia”.

O Papa perguntou logo: “O que significa ser sacerdote?” E explicou que os sacerdotes se comovem diante das ovelhas, como Jesus, quando via às pessoas cansadas e esgotadas como ovelhas sem pastor. Francisco recordou como o sacerdote, seguindo a imagem do Bom Pastor, é um homem de misericórdia, de compaixão, próximo dos seus.

“Em particular, o sacerdote mostra as entranhas da misericórdia na administração do sacramento da Reconciliação; Ele demonstra com toda sua atitude, com a maneira de acolher, de escutar, de aconselhar, de absolver... Mas isto depende de como ele mesmo vive o sacramento em primeira pessoa... Se o vive dentro de si, em seu próprio coração, pode também dá-lo a outros no ministério”.

No Sacramento da Reconciliação, explicou Francisco, a misericórdia significa “nem manga longa, nem mão dura”. “Frequentemente nossos fiéis nos contam que se confessaram com um sacerdote muito "rígido" ou muito "flexível", lasso ou rigoroso.

“Que haja diferenças de estilo é normal, mas as diferenças não podem estar na substância, a sã doutrina moral e a misericórdia. Nem o lasso, nem o rigoroso dão testemunho de Jesus, porque nenhum dos dois se encarrega da pessoa que encontra...”A verdadeira misericórdia se preocupa com a pessoa. E o sacerdote realmente misericordioso se comporta como o Bom Samaritano”...“Nem o lasso nem o rigoroso fazem crescer a santidade”, ressaltou.

“A misericórdia, por outro lado, nos acompanha no caminho da santidade, nos faz crescer... Em que sentido?... Através do sofrimento pastoral, que é uma forma de misericórdia. O que significa o sofrimento pastoral? Significa sofrer com e pelas pessoas, como um pai e uma mãe sofrem por seus filhos, e me permito dizer inclusive com “ânsia”.

O Santo Padre disse logo que ao final “seremos julgados por como soubemos nos aproximar de “cada carne”, à carne do irmão... Ao final dos tempos, será permitido contemplar a carne glorificada de Cristo somente a aqueles que não tenham tido vergonha da carne de seu irmão ferido e excluído”.
(ACIDIGITAL)


Morte cerebral: instante ou processo?

Ainda não há consenso sobre quando exatamente se pode afirmar que uma pessoa está morta

Fórum Libertas
07.03.2014

Evocamos a situação história na qual se elaborou uma das primeiras definições de morte cerebral: uma comissão em Harvard, em 1968, que tinha entre seus objetivos determinar os parâmetros que permitem ter certeza de estar diante de um cadáver, para facilitar a extração dos seus órgãos.

Com esses parâmetros, pensou-se, seria possível deixar de "manter" artificialmente (com aparelhos caros, não nos esqueçamos) aqueles corpos de pessoas falecidas, mas que conservavam funções vitais graças à tecnologia. Por outro lado, haveria segurança de que a extração dos órgãos desses corpos mantidos artificialmente em condições "vitais" não provocaria sua morte, dado que já estariam mortos.

O relatório de Harvard de 1968 estabelecia uma série de parâmetros a partir dos quais se poderia constatar que o cérebro havia deixado de coordenar e manter a unidade do organismo, razão pela qual a pessoa estaria morta, apesar da aparência de vitalidade, o que seria simplesmente resultado do uso dos modernos aparelhos de reanimação e sustentação da vida.

É preciso constatar que existem no mercado diversas teorias sobre quais são os critérios para constatar a morte cerebral; alguns preferem falar especificamente de morte encefálica. Da mesma forma, nem todos concordam na hora de indicar que partes do encéfalo deveriam ser consideradas para ver se a pessoa está morta ou não.

Alguns, por exemplo, supõem que haveria morte quando há dano no córtex do cérebro. Outros, no entanto, consideram que só há morte quando há danos irreversíveis em todas as partes do encéfalo: cérebro, cerebelo e tronco cerebral.

O panorama se torna mais complexo se recordamos que um filósofo como Hans Jonas considerou eticamente incorreto usar a ideia de morte cerebral para extrair órgãos de um corpo humano enquanto ele continua unido aos aparelhos que o mantêm com certas funções "vitais".

Segundo o autor, a morte não é algo que pode ser identificado com um momento concreto nem a partir de sinais de dano cerebral irreversível, mas um processo. Para Jonas, só seria lícito extrair órgãos naqueles corpos que foram desconectados dos aparelhos, quando já fosse evidente que não tinham nenhuma atividade cardíaca nem respiratória autônoma.

Existem pensadores do âmbito católico, como Josef Seifert e Robert Spaemann, que também se opõem ao uso da ideia de morte cerebral para permitir a extração de órgãos vitais de um corpo cuja morte não teria sido constatada com a suficiente certeza, mas por meio de parâmetros inseguros, insuficientes ou mal utilizados, como o da morte cerebral.

Outros autores, também do âmbito católico, como o cardeal Elio Sgreggia, mostram-se mais abertos a um uso eticamente correto da constatação da morte a partir do critério neurológico (morte encefálica), ou seja, partindo de uma série de parâmetros que indicam a perda da unidade mínima necessária para que um organismo esteja dotado de vida autônoma. Tais parâmetros, quando determinam que houve um cessar irreversível de todas as funções encefálicas, seriam suficientes para estar seguros de que estamos diante de um cadáver.

Como se pode ver, estamos diante de um tema complexo e com muitas perspectivas. Há, no entanto, alguns critérios fundamentais que não podem ser deixados de lado e que, infelizmente, não são compartilhados pelos que abordam esta temática.

Tais critérios são:

- É preciso respeitar sempre a pessoa humana.

- É preciso ajudá-la a conservar sua vida na medida do possível e sem menoscabo do respeito aos outros.

- Promover tudo aquilo que proteja a saúde e que permita uma atenção adequada às pessoas doentes.

- Evitar toda intervenção excessiva e desproporcional quando já não é possível restabelecer a saúde e quando há graves inconvenientes de cunho humano, familiar e social.

- Nunca será lícito extrair órgãos ou outras partes do corpo de um ser humano em aparente morte encefálica se não existir certeza suficiente de que ele já faleceu, como tampouco é lícito provocar tal morte por falsa compaixão ou para utilizar partes do cadáver.

São critérios gerais, mas que supõem admitir uma verdade que foi mencionada anteriormente: todo ser humano, pela sua condição espiritual, tem direitos intrínsecos, entre os quais se encontra o direito à vida e ao cuidado da saúde, da concepção até a morte.

(Trecho de um artigo do Pe. Fernando Pascual, publicado originalmente pelo Fórum Libertas)

O tempo da Quaresma

Jesus é o modelo da vida de penitência dos cristãos. O Jesus que jejua, o Jesus que se dedica à oração, deve ser visto à luz do Cristo transfigurado

Instituto Teológico Franciscano
08.03.2014 // IMPRIMIR















© Odisur
Ter-se-á sempre em vista que a Quaresma constituía preparação para o Tríduo pascal da Paixão-Morte, Sepultura e Ressurreição do Senhor Jesus, celebrado de Quinta-feira à noite até o Domingo da Ressurreição.

A Quarta-feira de Cinzas abre este tempo de conversão e de penitência, fazendo a proposta da observância quaresmal da oração, do jejum e da esmola.

Jesus é o modelo da vida de penitência dos cristãos. O Jesus que jejua, o Jesus que se dedica à oração, deve ser visto à luz do Cristo transfigurado. Toda a caminhada da conversão dos cristãos só tem sentido à luz da ressurreição pregustada no Tabor.

A partir do 3º domingo temos uma diversificação, conforme os ciclos litúrgicos dos Anos A, B e C.

O ano litúrgico A, que estamos vivendo neste 2014, apresenta a temática batismal. O batismo será revivido no Tríduo pascal e especialmente na Vigília. Se isso é verdade todos os anos, vem tematizado no Ano A. Utilizam-se os Evangelhos de São João. No 3º Domingo: o poço da samaritana; no 4º Domingo: o cego de nascença junto à piscina de Siloé. No 5º Domingo: a ressurreição de Lázaro. As leituras do Antigo Testamento, em harmonia com os evangelhos, apresentam os grandes lances da história da salvação. As leituras do Apóstolo realçam também a temática batismal.

Tudo isso pode acontecer cada ano com o Povo de Deus, a Igreja, no Tríduo pascal. As condições são a conversão, a renovação da aliança batismal em Cristo Jesus.

AS LINHAS FORÇAS DA QUARESMA

A Quaresma recebe toda a sua força de inspiração da Vigília pascal, desdobrada no Tríduo pascal da Paixão-Morte, Sepultura e Ressurreição de Jesus Cristo.

Trata-se da preparação para a Festa da Páscoa do Cristo total, isto é, de Jesus Cristo e dos cristãos. Esta vida nova em Cristo é que chamamos de mistério pascal.

A páscoa-fato, celebrada pela Igreja, movimenta-se em três níveis: a páscoa-fato, celebrada pela Igreja, movimenta-se em três níveis: a páscoa-fonte, a Paixão-Morte, Sepultura e Ressurreição de Jesus Cristo; a páscoa participada pelos cristãos, acontecida no batismo; e a renovação da páscoa dos cristãos em Cristo no hoje pela renovação de vida, na conversão ou penitência e no compromisso renovado.

Tudo isso torna-se sacramental na páscoa-rito, na celebração da Vigília maior, desdobrada no Tríduo pascal.

Compreendemos que a celebração da Páscoa é essencialmente uma festa batismal. Dela brotam duas linhas-força:

A primeira: A dimensão batismal. Nesta dimensão podemos realçar dois aspectos. A Páscoa é a festa da celebração do batismo daqueles e daquelas que se prepararam durante a Quaresma. Hoje, esta realidade está tornando-se sempre mais presente. Os catecúmenos caminharam com a Igreja; a comunidade tornou-se catecúmena com os que se preparam para o batismo. A Igreja gera novos filhos na fé. Mas enquanto ela se torna catecúmena, os cristãos se preparam para renovar os compromissos do próprio batismo. Assim, estamos na segunda linha-força da Quaresma: a penitência ou a prática da conversão para viver o batismo ou para renovar as promessas do batismo.

Os cristãos já batizados têm consciência de que ainda não estão na plenitude do ideal cristãos, que é o próprio Cristo Jesus. Todo cristão, mesmo batizado, sabe que o processo de sua conversão não chegou ao fim. Ele é um caminhante, consciente do já presente do ainda não. Embora justificado e santificado pelo batismo e pela fé, encontra-se ainda a caminho. Além disso, ele tem consciência de que muitas vezes se torna infiel à aliança batismal, à morte libertadora de Jesus Cristo, afastando-se ou negando totalmente sua vocação e missão de batizado. Ou, então, torna-se infiel aos compromissos batismais, não correspondendo devidamente à proposta do amor de Deus em Jesus Cristo. Daí o sentido da penitência quaresmal para todos. Será preparação para retomar os compromissos do batismo ou para fortifica-los. Esta experiência de reconciliação oferecida pela misericórdia de Deus em Jesus Cristo constitui, por sua vez, outra experiência pascal celebrada sacramentalmente na Páscoa.

Adaptação: BECKHÄUSER, Frei Alberto. Viver o Ano Litúrgico: Reflexões para os domingos e solenidades. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.

(Instituto Teológico Franciscano)

 
sources: Instituto Teológico Franciscano

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Para que serve a Igreja?

Entender a missão da Igreja na terra nos ajuda a entender nossa própria missão como batizados no mundo

Juan Ávila Estrada
07.02.2014 // IMPRIMIR



































Jeffrey Bruno
Entender a missão da Igreja na terra nos ajuda a entender nossa própria missão como batizados no mundo. Por meio do apóstolo Paulo, aprendemos que a Igreja é o corpo de Cristo, do qual Ele é a cabeça. Não podemos conceber um Cristo sem corpo nem um corpo sem Cristo: tudo é uma unidade.

Quando nos perguntam sobre a finalidade da Igreja neste mundo, o que respondemos? O Evangelho nos revela a missão que Jesus lhe confiou: Ide ao mundo inteiro e anunciai o Evangelho, ensinai o que eu vos ensinei (cf. Marcos 16, 15-20). A missão da Igreja, portanto, é construir o Reino de Deus na terra, um Reino que “não é comida nem bebida, mas alegria e júbilo no Espírito Santo” (Romanos 14, 17).

Ela não tem uma tarefa exclusivamente mundana, não substitui as obrigações do Estado e dos seus governantes, mas possui uma missão muito mais sublime, pois toca o âmbito transcendente, espiritual: construir um Reino que se verifica aqui e agora mediante a entrega do grande tesouro que ela tem para compartilhar, Jesus vivo e ressuscitado.

Esta tarefa foi confiada às mãos e lábios frágeis e pecadores do ser humano. Jesus, mesmo conhecendo isso, quis confiar no ser humano para que construa em seu nome esse Reino poderoso e eterno.

A responsabilidade de educar na fé, de proclamar a salvação, passou de mão em mão, de lábios a lábios, inicialmente por meio dos patriarcas, posteriormente dos profetas, sumos sacerdotes, letrados, João Batista, depois foi retomada e levada à plenitude pelo próprio Jesus e confiada finalmente aos seus discípulos, para que continuassem seu exercício no mundo.

Quando João saiu de cena pela prisão, Jesus tomou as rédeas desta tarefa e evitou que ficasse inconclusa. Transcorridos mais de dois mil anos, esta mensagem chegou aos nossos ouvidos. Foi Jesus quem quis que esta tarefa nunca terminasse até sua volta à terra e, por isso, quis confiar a seres tão limitados a responsabilidade desta maravilhosa esperança.

O fato de não estarmos à altura da missão a nós confiada não significa que esta construção perca seu valor ou se perverta, porque, acima do pecado de cada ser humano está o poder do Espírito, que é quem faz acreditar, ainda contra toda limitação e pecado.

A Igreja, em meio ao pecado do homem que a constrói, é a manifestação da presença de Deus no mundo, e sua edificação não depende do vaivém das emoções humanas.

O Senhor se vale de cada fragilidade humana para manifestar seu poder e mostrar que o que se constrói não é um simples projeto humano. Todos nós temos uma tarefa muito grande à qual responder e o Senhor não se fixa nos limites que nos envolvem: idade, estado, falta de eloquência etc.

A Igreja possui um enorme tesouro a ser compartilhado e este tesouro é Jesus, em quem tudo se relativiza, pois, quando uma pessoa não o conhece, tudo parece importante, ainda o mais banal, mas, ao conhecê-lo, então começamos a perceber que tudo é “lixo, comparado com Cristo Jesus” (cf. Filipenses 3, 8).

Ainda quando muitos tentam destruir com sua ideologia o que a Igreja procura construir, o Espírito de Deus continua fazendo sua obra, para que a Verdade seja conhecida. E para construir esse Reino, é preciso fazê-lo como Igreja, corpo vivo, e não com sectarismos, que convertem o Reino de Deus em reino próprio.

O Reino de Deus não se constrói com sectarismos perigoso, nos quais cada um considera ter a razão; esta foi a grande fraqueza com que revestimos o cristianismo ao longo da história, pois cada um quis um Reino segundo seu próprio entender e, por isso, preferiu afastar-se dos lineamentos da Igreja quando não lhe pareciam adequados.

Como Cristo está vivo, a Igreja também é um corpo vivo, mas não em estado de coma ou vegetativo, e sim transmitindo essa vida, por meio dos sacramentos de Cristo e da pregação da Sua palavra. Quem vive a experiência de Jesus ressuscitado não pode ter uma atitude de agonizante; suas obras não podem cheirar a cadáver, mas a vida nova, essa vida que só Jesus sabe dar.

A Igreja não é o Reino em si, mas a semente com a qual ele começa; por isso, quando, como comunidade, nos amamos, vemos como o Senhor mesmo vai agregando os que vão se salvando (cf. Atos 2, 42-47). Portanto, esta não é uma obra nossa, mas somos seus construtores; não é nosso Reino, mas pertencemos a ele; não é nossa comunidade, mas nela nos congregamos.

Esta é a Igreja de Jesus Cristo, chamada a ser fermento de unidade no meio das massas, que andam errantes como ovelhas sem pastor. E Jesus é o verdadeiro Pastor.
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