Quando Bergoglio derrotou os teólogos da libertação, recorda Dom Filippo Santoro
O então Cardeal Jorge Mario Bergoglio celebra uma Missa durante a V Conferência em Aparecida. Foto: Captura do YouTube
ROMA, 03 Out. 13 / 11:01 am (
ACI/EWTN Noticias).-
O Arcebispo de Taranto (Itália) que serviu como sacerdote e Bispo no
Brasil durante mais de 25 anos, Dom Filippo Santoro, recordou em um
artigo publicado
no jornal da Conferência Episcopal Italiana "Avvenire" o papel
desempenhado pelo então Cardeal Jorge Mario Bergoglio –hoje Papa
Francisco– quando derrotou os postulados marxistas da
teologia da libertação na Conferência do Episcopado Latino-americano em Aparecida no ano de 2007.
Dom Filippo, antes de ser nomeado Arcebispo de Taranto por
Bento XVI em 2011, foi Bispo de Petrópolis, cidade no interior do Estado do
Rio de Janeiro, e antes disso Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro no Brasil, país ao que chegou como sacerdote em 1984.
No
seu artigo titulado "A libertação que vem do Evangelho", o Prelado
italiano assinalou que "o presidente da comissão para a redação do
documento final de Aparecida era o Arcebispo de
Buenos Aires,
o Cardeal Bergoglio. Com um estilo sapiencial, afirma na introdução do
documento de Aparecida: ‘O que nos define não são as circunstâncias
dramáticas da
vida,
nem os desafios da sociedade ou as tarefas que devem empreender, mas
acima de tudo o amor recebido do Pai graças a Jesus Cristo pela unção do
Espírito Santo’".
Dom Santoro assegurou que a ambiguidade no
discurso da teologia da libertação "está superada na conferência de
Aparecida, tanto na estrutura geral do documento, como na presença viva
da fé em cada momento de seu desenvolvimento; desde olhar a dura
realidade até o julgamento sobre ela e a praxe conseguinte".
"Trata-se,
entretanto, de uma ambiguidade que continua presente, porque o Papa
Francisco, em sua recente viagem ao Brasil para a
Jornada Mundial
da Juventude, no encontro com a presidência do CELAM (Conselho
Episcopal Latino-americano)" apresentou "algumas tentações contra o
discipulado missionário, falava da ‘ideologização da mensagem
evangélica’".
Nesse encontro, o Papa advertiu aos
Bispos latino-americanos contra a tentação do "reducionismo socializante", o qual disse "é a ideologização
mais fácil
de descobrir. Em alguns momentos foi muito forte. Trata-se de uma
pretensão interpretativa em base a uma hermenêutica segundo as ciências
sociais. Abrange os campos mais variados, do liberalismo de mercado até a
categorização marxista".
Dom Filippo recordou que algumas pessoas
criticaram o documento final de Aparecida por começar com um hino de
louvor a Deus, o que tinha sido expressamente desejado pelo Cardeal
Bergoglio.
O Arcebispo italiano assinalou que ao ordenar-se assim,
"o esquema do documento valoriza a tradição da teologia e da pastoral
latino-americana, mas, ao mesmo tempo, ressalta a perspectiva da fé".
"Esta,
claramente, não estava ausente, mas em certos desenvolvimentos se dava
por descontada, ao ter que preocupar-se, sobretudo pela gravidade de uma
situação social cheia de conflitos e, sobretudo pelo ‘clamor dos
pobres’", indicou.
Em 24 de julho deste ano, no marco da JMJ do Rio, o Papa Francisco visitou o Santuário Nacional de
Nossa Senhora Aparecida
no estado de São Paulo. Ali, ante 200 mil almas, o Santo Padre
pronunciou um discurso no qual recordou quão importante é para ele este
santuário dedicado à Padroeira do Brasil. Ao despedir-se da multidão, o
Santo Padre prometeu voltar em 2017, quando se comemora os 300 anos do
encontro da Virgem e 10 anos da V Conferência Geral do Episcopado
Latino-americano e o Caribe.