quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Por que o Halloween preocupa os católicos?

Uma festa estranha ao nosso patrimônio cultural, que chega todos os anos envolvida em polêmica

22.10.2013
Inma Alvarez
                              © Daniel Schweinert/SHUTTERSTOCK







Final de outubro: o debate sobre a festa de Halloween na mídia católica é inevitável. Recorda-se sua origem pagã e seu vínculo com crenças pré-cristãs; inclusive se debate sobre suas possíveis conexões satânicas. Muitos pais católicos se preocupam quando seus filhos querem se fantasiar e sair pedindo doces aos vizinhos.

Meus parentes irlandeses não entendem por que sua querida festa familiar causa tanta polêmica aqui. Estas festas ancestrais que o cristianismo conservou – e às quais deu um novo sentido – chegam até nós de épocas em que as pessoas, precisamente porque acreditavam em Deus, tinham menos respeito aos demônios.

O Halloween seria apenas mais uma dessas festas, se não tivesse sido tocado pelo dedo mágico de Hollywood, transformando-se, assim, em uma imposição cultural, como o Papai Noel ou a Coca-Cola, e ocupando cada vez mais o espaço da nossa festa de Todos os Santos.

É compreensível que, sem ter a bagagem histórica e cultural que um irlandês tem, fiquemos preocupados com a avalanche de demônios, dráculas e zumbis que invade as ruas, especialmente quando há crianças em casa, às quais é muito difícil explicar "por que você não vai", quando os amiguinhos as convidam a participar da comemoração.

Para nós, que não comemoramos o Halloween desde pequenos, a festa parece invocar forças malignas para que venham possuir nossos lares.

O que fazer, então?

O Halloween que temos hoje é produto da globalização e, dada a rapidez com que a cultura se transforma, não sabemos se ele chegou para ficar. Mas certamente anatematizar não é a solução, pois isso não responde ao que nossos filhos vivem. Nós, que crescemos sem o Halloween, temos facilidade para rejeitar a festa, mas para as nossas crianças, amamentadas na cultura global, é mais difícil de compreender isso.

O cristianismo sempre teve uma atitude de acolhimento e discernimento diante da cultura. Talvez seja um bom momento para conversar com os filhos sobre os espíritos, a magia e os demônios, sobre a visão cristã da morte e do além, ensinando-lhes a moderação e a prudência na hora de se divertir, bem como a rejeição de práticas espíritas e esotéricas.

É hora de enfrentar os desafios que a globalização nos apresenta, com seriedade, mas também com firmeza e discernimento, dando aos nossos filhos as armas necessárias para que possam incidir na sociedade em que vivem.

Acima de tudo, não podemos deixá-los com medo, pois não é isso que Deus quer de nós. É preciso dar-lhes motivos para a esperança.

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Deixam a Igreja e vão para as seitas. 

Será que voltam sozinhos?

Uma visão ingênua do êxodo de católicos rumo às seitas na América Latina

16.05.2013
Jorge Luis Zarazúa
                              © DR






Há sacerdotes e agentes de pastoral que têm uma visão extremamente ingênua do problema pastoral que representa o êxodo dos católicos às mais variadas seitas e grupos proselitistas.

Costumam compará-lo com o fenômeno das ondas marítimas, que vão e vêm constantemente: "A apologética já não está na moda; é uma perda de tempo. É verdade que muitos abandonam a Igreja, mas depois de quatro ou cinco anos, percebem seu erro e voltam".

Por que dizemos que esta é uma visão ingênua? Porque parece ignorar as tendências manifestadas por diversas pesquisas e confirmadas pelos mais variados censos populacionais em todo o continente americano.

Quais são estas tendências?

- Crescem exponencialmente os grupos proselitistas pela chegada de novos integrantes procedentes do catolicismo.

- Cresce o número dos que se dizem católicos, mas que já não têm senso de pertença à Igreja e cultivam poucos vínculos com ela. É fácil constatar isso na participação na Missa dominical.

- Cresce o número dos que se declaram sem religião.

- O catolicismo diminui proporcionalmente.

Retorno espontâneo?

É verdade que existem ex-católicos que voltam à Igreja. Mas vale a pena lembrar que aqueles que voltam não o fazem sem motivo. Eles voltam porque encontraram sites, livros, folhetos e material didático impresso ou audiovisual que lhes ajudaram a esclarecer as inúmeras dúvidas semeadas em suas mentes e corações pelo proselitismo sistemático dos grupos não católicos.

Voltam porque conheceram alguém com formação adequada para resolver seus interrogantes e inquietudes sobre a Igreja Católica e a Sagrada Escritura. Em muitos casos, não se trata, portanto, de uma volta espontânea, no estilo do filho pródigo (Lc 15, 11-31). O mais comum é que seja o resultado do esforço contínuo que diversas pessoas e instituições fazem no âmbito bíblico e apologético, em uma perspectiva evangelizadora.

No geral, são iniciativas feitas a título pessoal, sem o apoio concreto das estruturas eclesiais e muitas vezes nadando contra a corrente, entre a indiferença, a rejeição e a oposição.

O que aconteceria se implementássemos uma pastoral específica com estas características, com o apoio decidido das dioceses, decanatos, paróquias, seminários, centros de formação para leigos e outras instituições eclesiais?

O que aconteceria se, além desta necessária pastoral de retorno, se implementasse uma pastoral preventiva, que freasse desde já o êxodo massivo de católicos, aproveitando ao máximo as estruturas eclesiais, especialmente a catequese pré-sacramental? Porque "é melhor prevenir que remediar".

Por outro lado, é necessário passar de uma pastoral meramente cultual e de conservação a uma pastoral de busca e conquista, segundo o modelo que Jesus nos apresenta na parábola da ovelha perdida (Mt 18, 10-14; Lc 15, 1-7) e no grande mandamento da missão que nos deixou antes de voltar ao Pai (Mt 28, 18-20; Mc 16, 15).

O êxodo de católicos às mais variadas propostas religiosas não é um assunto sem importância. Da resposta que dermos a esta problemática pode depender o futuro da fé católica no nosso continente.

Então, vamos trabalhar, conscientes de que o que fazemos é algo transcendente para a vida de toda a Igreja.

Envelhecer sem perder o valor

Quanto tempo perdido atrás de coisas, de superficialidades, de aparências e máscaras acobertando o que de mais belo possuímos: a capacidade de amar

30.10.2013
Dom Anuar Battisti
                               © DR






Diante da condição do envelhecimento humano acompanha o medo de ser inútil, de se tornar um peso, de viver abandonado, na solidão das ausências daqueles que amamos. Nada mais decepcionante do que chegar ao fim e ter a sensação de que não valeu a pena ter vivido. A vida é um jogo de amor e dor.

Ninguém vive sem amar. Amando fazemos da vida uma constante superação do humano, inclusive da dor, que amada e assumida como própria, se transforma em amor. Como se preparar para viver a complicada sensação de inutilidade? Não existe receita pronta e sim caminhos que durante o passar dos anos vamos aprendendo a percorrer. Nesta escola da vida nem sempre estamos preparados para aprender as lições que a inutilidade nos prepara.

É difícil aceitar o delicado tempo da inutilidade. É preciso viver com dignidade esse terreno perigoso, mas necessário de sentir-se inútil. Uma graça a pedir a Deus é que, quando chegar a velhice e perdermos a utilidade, que tenhamos alguém ao nosso lado que nos ame de verdade.

Só será capaz de amar aquele que depois da inutilidade descobrir o valor da velhice. Nunca seremos valorizados pelo que fazemos e sim pelos que somos. Ninguém, mesmo que tenha construído os mais belos edifícios, escrito as mais belas obras literárias, ter deixado o acervo cultural mais importante, vai ser amado pelo que fez e sim por aquilo que é. O valor não se conquista, ele existe, e por ele vale a pena viver.

Quanto tempo perdido atrás de coisas, de superficialidades, de aparências e máscaras acobertando o que de mais belo possuímos: a capacidade de amar, mesmo na inutilidade da vida. “A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca” (Carlos Drumond de Andrade).

De que adianta ganhar o mundo, quando perdemos a eternidade. O eterno só existirá se formos abertos em acolher no difícil terreno da vida, o valor e não utilidade. Será digno da eternidade aquele que for capaz de dizer: “Você não serve para nada, mas eu não sei viver sem você” (Padre Fábio de Melo).

O Mestre Jesus em tom de despedida entrega uma nova lei, resumo de todas as leis: “Eu dou a vocês um mandamento novo: amem-se uns aos outros. Assim como eu amei a vocês, vocês devem amar uns aos outros. Se vocês tiverem amor uns para com os outros, todos reconhecerão que vocês são meus discípulos” (Jo 13,34-35).

Queira Deus de que ao chegar ao fim, sem ser útil e completamente alheio do momento presente, tenha alguém que seja capaz de nos olhar e dizer: Eu te amo, conte comigo, não sei viver sem você. Envelhecer sim, mas nunca perder o valor.
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Angola: profanada imagem de Nossa Senhora de Muxima
Bispo qualificou a ação como “fria e covarde”; algumas imagens ficaram irrecuperáveis porque foram barbaramente destruídas
30.10.2013
                              Mazur/UK Catholic








“Uma ação perpetrada de maneira fria e covarde”. Assim Dom Joaquim Ferreira Lopes, Bispo de Viana, descreve a profanação do Santuário de Muxima, em Angola.
Segundo Radio Ecclesia (emissora da Igreja angolana), no domingo 27 de outubro, 6 pessoas não identificadas vandalizaram e destruíram algumas imagens de Nossa Senhora veneradas no Santuário.
“Felizmente, a imagem principal de Nossa Senhora de Muxima sofreu danos limitados, mas outras imagens são irrecuperáveis porque foram barbaramente destruídas”, afirmou o Bispo. O grave ato de vandalismo foi cometido no dia do encerramento do Ano da Fé em Angola.

Recebida a notícia centenas de fiéis se reuniram diante do santuário para protestar. Dom Lopes convidou todos a manter a calma, mas sublinhou que além de alguns danos materiais, as autoridades devem considerar “os danos menos visíveis, ou seja, os danos morais que afetam o coração das pessoas que provocam raiva na população, que se sente privada dos símbolos aos quais é muito devota”. As autoridades anunciaram uma investigação e o recurso a especialistas para consertar a imagem da Virgem.

Segundo notícias da imprensa, a polícia parou algumas pessoas pertencentes à confissão evangélica chamada “Igreja profética da Arca de Belém” e está avaliando a sua posição em relação ao ato de profanação. 

Os bispos angolanos expressaram em várias ocasiões suas preocupações pelo aumento das seitas e pelo forte crescimento de imigrantes de religião muçulmana no país. Uma preocupação manifestada no final de sua última Assembleia Plenária por Dom Manuel Imbamba Arcebispo de Saurimo e porta-voz da CEAST, que numa entrevista à Rádio Ecclesia afirmou que a Igreja Católica não pode impedir a entrada de algumas religiões no país, mas sublinhou que não se pode ignorar “as graves consequências” por causa da chegada de formas religiosas marcadas “pela intolerância, fundamentalismo, violência e perversão de sua própria cultura”.

Recordando que existem países que financiam a expansão do Islã para fins políticos, Dom Imbamba concluiu: "devemos ficar atentos contra essas situações, olhando para as situações de violência na Nigéria, República Centro-Africana e Oriente Médio”

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O segredo da paz e confiança de Maria, segundo o Papa

Na audiência geral desta quarta-feira com os peregrinos no Vaticano, Francisco falou sobre Maria como imagem e modelo da Igreja

AFP/Vincenzo Pinto






O Papa Francisco afirmou hoje que o segredo da paz e confiança de Maria residia na certeza de “nada é impossível” para Deus.
 
O Papa convidou os peregrinos, reunidos na Praça de São Pedro para a audiência geral, a perseverar na reza diária do terço, possivelmente em família, refletindo sobre o modelo de Maria.
 
“A Igreja olha para a Virgem Mãe de Deus como sua figura e modelo na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo. Como filha de Israel”, disse. 
 
Maria tem esperança e crê com todo o coração na redenção do seu povo. A sua fé, porém, recebe uma luz nova quando o anjo Lhe anuncia: serás Tu a Mãe do Redentor. N’Ela tem cumprimento a fé de Israel e, neste sentido, Maria é o modelo da fé da Igreja, que toda se concentra em Jesus.
 
“Na simplicidade das mil ocupações e preocupações quotidianas de cada mãe, como providenciar a alimentação, a roupa, o cuidar da casa… Precisamente esta existência normal da Nossa Senhora foi o terreno onde se desenvolveu uma relação singular e um diálogo profundo entre Ela e Deus, entre Ela e o Seu Filho.”
 
Em sua visita à prima Isabel – comentou o Papa –, a jovem Maria “lhes leva a alegria plena, aquela que vem de Jesus e do Espírito Santo e exprime-se na caridade gratuita, na partilha, na ajuda, na compreensão.”
 
“E nós? –- Qual é o amor que levamos aos outros? Como são as relações nas nossas paróquias, nas nossas comunidades? Tratamo-nos como irmãos e irmãs ou cada um trata da sua horta?”
 
Maria é ainda modelo de união com Cristo, vivendo imersa no mistério de Deus feito homem, como sua primeira e perfeita discípula, meditando tudo no seu coração à luz do Espírito Santo para compreender e pôr em prática toda a vontade de Deus. 
 
“Cada ação era cumprida sempre em união perfeita com Jesus. Esta união atinge o seu auge no Calvário: aqui une-se ao Filho no martírio do coração e na oferta da vida ao Pai para salvação da humanidade. Nossa Senhora fez mesmo a dor do Filho e aceitou com Ele a vontade do Pai, naquela obediência que trás fruto, que dá a verdadeira vitória sobre o mal e sobre a morte.”
 
(Com informações da Rádio Vaticano)