domingo, 6 de outubro de 2013

Os dez mandamentos dos pais e educadores

Notem e encoragem as qualidades dos filhos e não salientem seus defeitos

04.10.2013
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1. Os pais não briguem nem discutam na frente dos filhos.

2. Tratem todos os filhos com igual afeto. Quanto possível, evitem o filho único que, muitas vezes se torna adulto problema.

3. Nunca mintam para uma criança.

4. Sejam os pais intimamente afetuosos e atenciosos um com o outro, incutindo nos filhos, com a sua presença, uma personalidade equacionada.

5. Haja confiança e certa camaradagem entre pais e filhos, incutindo neles responsabilidade para a vida.

6. Os pais recebam bem os amigos dos seus filhos, mas, não permitam gastos inúteis e além de suas mesadas.

7. Não repreendam e nem castiguem uma criança na presença de outros, indicando sempre o motivo do castigo.

8. Notem e encoragem as qualidades dos filhos e não salientem seus defeitos.

9. Respondam sempre as perguntas dos filhos conforme as exigências de sua idade.

10. Mostrem sempre aos filhos o mesmo afeto e o mesmo humor sem demonstrar demasiada preocupação.

Fonte: Homem Total e Parapsicologia – Frei Albino Aresi, 11ª ed., SP, 1977.

(Publicado em Cléofas, no dia 4 de outubro de 2013)
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A unidade da Igreja na canonização de dois papas

Ambos foram modelos de vida entregue à Igreja, motores de grandes mudanças, instrumentos do Espírito Santo em cada momento histórico

04.10.2013
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Juan Rubio
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Com a canonização de João XXIII e João Paulo II no próximo dia 27 de abril, aposta-se na reconciliação de dois modelos de Igreja. O Papa Francisco, em seu desejo de somar e multiplicar, os canonizará seguindo a normativa vigente, sem desprezá-la.

Ambos foram aclamados pelo povo: santo subito. Roncalli possibilitou uma nova primavera, convocando o Concílio Vaticano II. O tempo passou e aquelas reformas tiveram de ser assimiladas, colocadas em prática com grandes desafios, mas também com grandes problemas.

A Wojtyla, em seu longo pontificado, correspondeu frear alguns aspectos e acelerar outros. Nem João XXIII foi entendido em seu momento por um setor da Igreja, nem João Paulo II o foi por outro.

É verdade que já passou muito tempo desde João XXII, e menos desde João Paulo II, e algumas das decisões deste último ainda estão pendentes, o que leva alguns a considerá-lo responsável por omissão de muitos temas que Ratzinger teve de enfrentar em sua tarefa de limpeza dos escândalos.

Não se canoniza o pontificado, mas as pessoas. Os historiadores falarão sobre ambos os pontificados, em seu momento. A Igreja canoniza pessoas, estilos de vida, virtudes heroicas. E tanto um como outro são apresentados como modelos de vida entregue à Igreja, motores de grandes mudanças, instrumentos do Espírito Santo em cada momento histórico.

Também se destacam por terem encarnado em sua vida essas virtudes que a Igreja pede para elevar seus filhos aos altares. Segundo algumas correntes de opinião, isso poderia ser muito debatido, mas as normas foram escritas, meditadas, ponderadas e poderiam mudar, mas não mudaram.

Por esta regra de três, estes dois papas podem ser elevados aos altares, assim como também Dom Romero poderia ser canonizado, por estar gravado na memória das Igrejas latino-americanas.

Não é hora de levantar bandeiras particulares. Não é a Igreja de Paulo, de Apolo ou de Pedro. É a Igreja de Cristo. Não é a Igreja de João XXIII nem a de João Paulo II que serão canonizadas. Ela é santa, apesar dos seus pecados. O que se propõe como modelo é o perfil crente destes dois homens.

O Papa Francisco considerou importante canonizar estes dois papas juntos. Não se trata de canonizar o papado, mas mostrar caminhos de santidade de duas pessoas que souberam estar à altura das circunstâncias e servir a Igreja. É a Igreja de Jesus Cristo.

Agora é preciso ter cuidado para fechar as rachaduras e abrir novos caminhos, os propostos pelo Papa Bergoglio: o caminho da santidade, da simplicidade.

Não é bom levantar bandeiras particulares com estas canonizações, ainda que talvez sim seja hora de estudar os processos para que a Igreja declare a santidade dos seus filhos, tema este que terá de entrar no caminho da renovação, para não cair nas armadilhas típicas de processos de canonização longos, custosos e às vezes distantes do mundo.

sábado, 5 de outubro de 2013

Padre Demétrio Gomes - A Eucaristia Edifica a Igreja


O Senhor nos deu tanta prova de amor, que chegou em seu extremo ao fundar esses dois tesouros: o dom do sacerdócio e o da Eucaristia. O primeiro viria para ser, para os sucessores dos apóstolos, os futuros evangelizadores. Assim como hoje, os apóstolos também eram padres da Igreja. Já o segundo veio para purificar e fortalecer nosso espírito e a nossa fé, pois cada vez que comungamos o Corpo de Cristo, renovamos nosso voto de fé e confiança n'Ele.

A Eucaristia nos edifica, sem ela a Igreja não sobrevive. Esse é um dos maiores tesouros deixados por Deus para nós. O sacerdócio é a prova viva da presença de Deus entre os homens, pois sua origem remetem à origem da Igreja.

Nos dias de hoje vemos inúmeras acusações contra a Igreja e, principalmente, contra os sacerdotes. Infelizmente, no erro de alguns, muitos acabam pagando. Mas eu lhes peço: não deixem que más línguas falem dos ungidos de Deus.

O Senhor, quando saiu deste mundo, não nos deixou nenhuma herança física. Ele nos deixou muito mais: deixou Seu Corpo e Sangue, o próprio Deus vivo na Eucaristia. Fez isso porque não suportaria viver longe de seus filhos amados.

Deus nos amou desde a concepção da nossa natureza humana. Só por intermédio desse amor é que entendemos a verdadeira essência do Catolicismo, da Eucaristia e, até mesmo, do sacerdócio, por mais que não tenhamos a vocação necessária.

Infelizmente, viramos as costas para Deus simplesmente para buscar o amor efêmero, que reside neste mundo. Mas mesmo assim, Deus, incansável, não desiste de nós e manda o próprio Filho para nos salvar, nos tirar do pecado e renovar nossa fé.

Jesus enfrentou a humilhação durante a encarnação. Sofreu pelas blasfêmias, insultos e agressões. E Ele passou por tudo isso humildemente, sem contestar a vontade do Pai.

A Santa Missa e a absolvição dos pecados são as melhores dádivas que a Igreja pode nos oferecer. Por meio desses dois dons, podemos encontrar o próprio Deus vivo diante de nós, além de partilhar Sua Palavra e assimilar Seus ensinamentos.


Devemos ter todo o zelo com a Eucaristia, pois, muitas vezes, ao tentar agradar aos homens acabamos pecando contra tudo que Deus nos deixou.

Ninguém fica indiferente diante de Deus. Se fizermos isso diante dos Seus ensinamentos, estaremos renegando tudo o que Ele fez por nós. Somos católicos por inteiro ou de nada adianta fazer somente o que é conveniente para nós.

Quando o mundo começar a aplaudir a Igreja é sinal de que as coisas não estão acontecendo da forma que deveriam, e não estamos mais agradando a Deus. Nosso compromisso não é com os homens, mas sim com nosso Eterno Pai.


Padre Demétrio Gomes da Silva, é Diretor espiritual do Seminário São José de Niterói (RJ), e diretor do Instituto Filosófico e Teológico do mesmo Seminário, onde leciona disciplinas

Transcrição e adaptação: Gustavo Souza





www.cancaonova.com

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As Indulgências

 
O que são indulgências e como se alcançam? Quais atos que conferem indulgências?
 
Pontos essenciais sobre a doutrina das Indulgências extraídos do "Manual das Indulgências", editado pela Penitenciária Apostólica em 29 de Junho de 1968 - Edições Paulinas, São Paulo, 1990.

OBS.: A numeração do presente resumo não segue a do original. Para um estudo mais aprofundado recomenda-se adquirir o próprio Manual, encontrável em livrarias católicas.
 
1 - Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos.
 
2 - A indulgência é parcial ou plenária, conforme liberta, em parte ou no todo, da pena temporal devida pelos pecados.
 
3 - Ninguém pode lucrar indulgências a favor de outras pessoas vivas.
 
4 - Qualquer fiel pode lucrar indulgências parciais ou plenárias para si mesmo ou aplicá-las aos defuntos como sufrágio.
 
5 - O fiel que, ao menos com o coração contrito, faz uma obra enriquecida de indulgência parcial, com o auxílio da Igreja, alcança o perdão da pena temporal, em valor correspondente ao que ele próprio já ganha com sua ação.


6 - O fiel cristão que usa objetos de piedade (crucifixo ou cruz, rosário, escapulário, medalha) devidamente abençoados por qualquer sacerdote ou diácono, ganha indulgência parcial. Se os mesmos objetos forem bentos pelo Sumo Pontífice ou por qualquer Bispo, o fiel, ao usá-los com piedade, pode alcançar até a indulgência plenária na solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, se acrescentar alguma fórmula legitima de profissão de fé.
 
7 - Parágrafo 1. Para que alguém seja capaz de lucrar indulgências, deve ser batizado, não estar excomungado e encontrar-se em estado de graça, pelo menos no fim das obras prescritas.
 
Parágrafo 2. O fiel deve também TER INTENÇÃO, AO MENOS GERAL, DE GANHAR A INDULGÊNCIA e cumprir as ações prescritas, no tempo determinado e no modo devido, segundo o teor da concessão.
 
8 - Parágrafo 1. A indulgência plenária só se pode ganhar uma vez ao dia.
 
Parágrafo 2. Contudo, o fiel em artigo de morte pode ganhá-la, mesmo que já a tenha conseguido nesse dia.
 
Parágrafo 5. A indulgência parcial pode ganhar-se mais vezes ao dia, se expressamente não se determinar o contrário.
 
9 - Parágrafo 1. A obra prescrita para alcançar a indulgência plenária anexa à igreja ou oratório, é a visita aos mesmos: neles se recitam a oração dominical e o símbolo aos apóstolos (Pai-nosso e Credo), a não ser caso especial em que se marque outra coisa.
 
10 - Parágrafo 1. Para lucrar a indulgência plenária, além da repulsa de todo o afeto a qualquer pecado até venial, requerem-se a execução da obra enriquecida da indulgência e o cumprimento das três condições seguintes: confissão sacramental, comunhão eucarística, e oração nas intenções do Sumo Pontífice.
 
Parágrafo 2. Com uma só confissão podem ganhar-se várias indulgências, mas com uma só comunhão e uma só oração alcança-se uma só indulgência plenária.
 
Parágrafo 3. As três condições podem cumprir-se em vários dias, antes ou depois da execução da obra prescrita; convém, contudo, que tal comunhão e tal oração se pratiquem no próprio dia da obra prescrita.
 
Parágrafo 4. Se falta a devida disposição ou se a obra prescrita e as três condições não se cumprem, a indulgência será só parcial, salvo o que se prescreve nos nn. 27 e 28 em favor dos 'impedidos'.
 
Parágrafo 5. A condição de se rezar nas intenções do Sumo Pontífice se cumpre ao se recitar nessas intenções um Pai-nosso e uma Ave-Maria, mas podem os fiéis acrescentar outras orações conforme sua piedade e devoção.
 
11 - Concede-se indulgência parcial ao fiel que, no cumprimento de seus deveres e na tolerância das aflições da vida, ergue o espírito a Deus com humilde confiança, acrescentando alguma piedosa invocação, mesmo só em pensamento.
 
CONCESSÕES
 
(OBS: Aqui só constam algumas das concessões contidas no manual.)
 
INDULGÊNCIA PARCIAL - Atos de Fé, Esperança e Caridade.
 
'Nós vos damos graças, Senhor, por todos os vossos benefícios. Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos. Amém.
 
- Santo Anjo (oração ao Anjo da Guarda)
 
- Angelus, Regina Caeli.

- Alma de Cristo.
 
- Comunhão Espiritual.
 
- Creio
 
- Ladainhas aprovadas pela autoridade competente. Sobressaem-se as seguintes: Santíssimo Nome de Jesus, Sagrado Coração de Jesus, da Santíssima Virgem Maria, de São José e de Todos os Santos.
 
- Magnificat.
 
- Lembrai-vos
 
- Miserere (Tende piedade)
 
- Ofícios breves: Ofícios breves da Paixão de NSJC, Sagrado Coração de Jesus, da Santíssima Virgem Maria, da Imaculada Conceição e de São José.
 
- Oração mental.
 
- Salve Rainha.
 
- Sinal da Cruz.
 
- Veni Creator.
 
- Renovação das promessas do batismo.
 
INDULGÊNCIAS PLENÁRIAS
 
(OBS.: Como acima, aqui só constam algumas das indulgências do manual).
 
- Indulgência plenária - Concede-se indulgência parcial ao fiel que visitar o Santíssimo Sacramento para adorá-Lo, se o fizer por meia hora ao menos, a indulgência será plenária.
 
- Visita ao cemitério - Ao fiel que visitar devotamente um cemitério e rezar, mesmo em espírito, pelos defuntos, concede-se indulgência aplicável somente às almas do purgatório. Esta indulgência será plenária, cada dia, de 1 a 8 de novembro; nos outros dias será parcial.
 
- Exercícios espirituais - Concede-se indulgência plenária ao fiel que faz os exercícios espirituais ao menos por três dias.
 
- Indulgência na hora da morte - O sacerdote que administra os sacramentos ao fiel em perigo de vida não deixe de lhe comunicar a bênção apostólica com a indulgência plenária. 

Se não houver sacerdote, a Igreja mãe compassiva, concede benignamente a mesma indulgência ao cristão bem disposto para ganhá-la na hora da morte, se durante a vida habitualmente tiver recitado para isso algumas orações. Para alcançar esta indulgência plenária louvavelmente se rezam tais orações fazendo uso de um crucifixo ou de uma simples cruz. A condição de ele habitualmente ter recitado algumas orações supre as três condições requeridas para ganhar a indulgência plenária. 

A mesma indulgência plenária em artigo de morte, pode ganhá-la o fiel que no mesmo dia já tenha ganho outra indulgência plenária. (Esta concessão vem assinalada na const. apost. Indulgentiarum Doctrina, norma 18)

- Primeira Comunhão - Concede-se indulgência plenária aos fiéis que se aproximarem pela primeira vez da sagrada comunhão, ou que assistam a outros que se aproximam.
 
- Reza do Rosário de Nossa Senhora - Indulgência plenária, se o Rosário se recitar na igreja ou oratório público ou em família, na comunidade religiosa ou em pia associação; parcial, em outras circunstâncias.
 
(O Rosário é uma fórmula de oração em que distinguimos quinze dezenas de saudações angélicas [Ave-Marias], separadas pela oração dominical [Pai-nosso] e em cada uma recordamos em piedosa meditação os mistérios da nossa Redenção). Chama-se também a terça parte dessa oração o Terço. Para a indulgência plenária determina-se o seguinte:
 
1 - Basta a reza da terça parte do Rosário, mas as cinco dezenas devem-se recitar juntas.
 
2 - Piedosa meditação deve acompanhar a oração vocal.
 
3 - Na recitação publica, devem-se anunciar os mistérios, conforme o costume aprovado do lugar; na recitação privada, basta que o fiel ajunte a meditação dos mistérios à oração vocal.
 
- Leitura espiritual da Sagrada Escritura - Concede-se indulgência parcial ao fiel que ler a Sagrada Escritura com a veneração devida à palavra divina, e a modo de leitura espiritual. A indulgência será plenária, se o fizer pelo espaço de meia hora pelo menos.
 
- Visita à igreja ou altar no dia da dedicação e aí piedosamente rezar o Pai-nosso e o Credo
 


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Missa sertaneja, saia desta Igreja que não te pertence

Segura, peãoooooooo

Tenho visto com preocupação o crescimento das chamadas “Missas Sertanejas” nas dioceses do Brasil. Um número grande de padres têm dedicado tempo e empenho nessas celebrações, digamos, “curiosas”. É verdade que elas têm atraído muitas pessoas para Igreja, mas muito mais pelo sabor da novidade do que pelo amor a Cristo. No final, a famosa “Missa” resume-se à apenas mais um passatempo de fim de semana. Um mero entretenimento.
O que podemos observar nessas celebrações anti-litúrgicas é o total desprezo dos Mistérios Divinos. Não se sabe mais o valor de uma Missa e por isso, acaba-se deturpando os seus ritos na ânsia de agradar a plateia e atrair mais público. De Santo Sacrifício a Liturgia Eucarística se torna um palco de distrações. A comunidade deixa de celebrar o culto a Deus para se auto-celebrar.
Alguns podem achar a minha crítica um tanto quanto antiquada, mas o que temos de ter em mente é que quando falamos da Igreja não é a opinião do padre, a minha ou a da Assembleia que vale, mas a Verdade de Deus. Precisamos entender que não temos permissão para alterar aquilo que foi definido por Jesus, afinal de contas, quem somos nós diante da autoridade do Senhor?
A palavra “liturgia” significa “obra pública” ou “serviço da parte do povo e em favor do povo”. Dentro da fé católica, desde muito cedo se compreendeu a liturgia como a celebração dos mistérios da Economia da Salvação, ou seja, aquilo que Deus fez do Antigo Testamento até a Ressurreição de Jesus para nos salvar. Portanto, dentro da celebração católica “a Igreja é serva à imagem do seu Senhor, o único “liturgo”, participando de seu sacerdócio (culto) profético (anúncio) e régio (serviço de caridade), (CIC, 1070).
Quando perguntavam a São Padre Pio como um fiel devia se comportar em um Missa, o santo sempre respondia: “Como São João e a Virgem se comportaram na crucificação de Cristo”. Por que essa resposta? Porque na Missa estamos diante do sacrifício incruento de Cristo na Cruz. Façamos um exame de consciência! Quem eram os que estavam festejando, batendo palmas e dançando no dia da crucificação de Nosso Senhor? Certamente, não eram São João e Nossa Senhora.
A Missa não é uma criação do homem suscetível a qualquer tipo de mudança conforme às modas. Ela é uma herança dada a nós, homens, pelas próprias mãos de Deus. Se pegarmos os testemunhos dos primeiros Cristãos, veremos que a estrutura da Missa celebrada por eles é a mesma que está presente no Missal. Isso torna visível a comunhão e a catolicidade da Igreja. “Uma só fé e um só batismo” (Efésios 4,5).
Terminadas as orações, damos mutuamente o ósculo da paz. Apresenta-se, então, a quem preside aos irmãos, pão e um vaso de água e vinho, e ele tomando-os dá louvores e glória ao Pai do universo pelo nome de seu Filho e pelo Espírito Santo, e pronuncia uma longa ação de graças em razão dos dons que dele nos vêm. Quando o presidente termina as orações e a ação de graças, o povo presente aclama dizendo: Amém… Uma vez dadas as graças e feita a aclamação pelo povo, os que entre nós se chamam diáconos oferecem a cada um dos assistentes parte do pão, do vinho, da água, sobre os quais se disse a ação de graças, e levam-na aos ausentes. Este alimento se chama entre nós Eucaristia, não sendo lícito participar dele senão ao que crê ser verdadeiro o que foi ensinado por nós e já se tiver lavado no banho [batismo] da remissão dos pecados e da regeneração, professando o que Cristo nos ensinou. Porque não tomamos estas coisas como pão e bebida comuns, mas da mesma forma que Jesus Cristo, nosso Senhor, se fez carne e sangue por nossa salvação, assim também se nos ensinou que por virtude da oração do Verbo, o alimento sobre o qual foi dita a ação de graças – alimento de que, por transformação, se nutrem nosso sangue e nossas carnes – é a carne e o sangue daquele mesmo Jesus encarnado. E foi assim que os Apóstolos, nas Memórias por eles escritas, chamadas Evangelhos, nos transmitiram ter-lhe sido ordenado fazer, quando Jesus, tomando o pão e dando graças, disse: “Fazei isto em memória de mim, isto é o meu corpo”. E igualmente, tomando o cálice e dando graças, disse: “Este é o meu sangue”, o qual somente a eles deu a participar… (São Justino Mártir)
Todos os ritos previstos no Missal para Celebração Eucarística têm função anagógica, de nos remeter a Deus, de nos fazer olhar para o céu. A introdução de gestos alheios ao Missal não somente perturba a comunhão e a unicidade da Igreja, como também imanentiza a ação da Assembleia. Ela deixa de se colocar diante do Senhor para se entreter com a novidade do dia. Hoje teremos Missa sertaneja, amanhã, carismática, na próxima semana, jovem, depois, pré-balada e assim por diante. Por conseguinte, a comunidade dos crentes vai perdendo a fé na Eucaristia pouco à pouco.

A Liturgia não é uma coisa que a gente faz, ela é o lugar da manifestação de Deus nos gestos, nos ritos, nos símbolos… Dom Henrique Soares
Todos os padres deveriam entender que a Missa é como o chão da Sarça Ardente. “Tire as sandálias, pois aqui é solo santo”, (Êxodo 3,5). A Missa é santa, por isso não admite enfeite. Ela não é uma árvore de natal, nem um bolo de aniversário. O Papa Bento XVI tem insistindo muito no zelo pela liturgia.
Tive a oportunidade de participar da Missa do Sábado Santo na Basílica de São Pedro em Roma, neste ano. Foi rezada inteiramente em latim e com canto gregoriano. Não entendi nada, mas foi a coisa mais espetacular e linda que já vi na minha vida, dada à beleza, o amor e a simplicidade do Sacrifício Eucarístico lá celebrado pelo Santo Padre. Cheguei a me emocionar, pois a sede de Deus foi preenchida totalmente pela Santa Missa.
Espero que um dia os padres do Brasil compreendam isto: o povo que vai à Missa, vai com sede de Deus. Se ele chegar lá e no lugar da Missa e do padre encontrar um teatrinho, no primeiro momento ele vai se divertir, mas logo depois ficará fatigado, pois o vazio de Deus permanecerá. E se pela rua ele encontrar uma comunidade evangélica que lhe dê, mesmo que ruim, um conforto a essa sede, por lá ele ficará.
Padres, o povo quer Deus, não pão e circo. De sertanejo nos dias de hoje já basta o universitário!



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Missa sertaneja, saia desta Igreja que não te pertence