sábado, 26 de abril de 2014

HINO OU MÚSICA?

“Quem canta reza duas vezes”.  Este provérbio, dentro de um contexto moderno tem sido entendido como uma manifestação externa de uma espiritualidade voltado predominantemente para o louvor.
Após o Vaticano II uma inundação de músicas-mensagens invadiu o repertório litúrgico como músicas litúrgicas integrando, indevidamente, as Celebrações Eucarísticas.
Em dado momento tais músicas chegaram a se constituir em uma marca da nova fase da Igreja: a Pós-Concíliar.
O novo tempo na Igreja, à custa de interpretações infundadas deu margem ao surgimento de centenas de grupos musicais e de suas composições carregadas de sentimentalismos e pobres de piedade e de valores autenticamente cristãos. É o que se chama de músicas-mensagens.
Enquanto cresciam estas iniciativas, os antigos hinos litúrgicos gregorianos ou tradicionais eram jogados no mais fundo das lixeiras musicais na tentativa de sepultá-los para sempre, atitude esta motivada, muitas vezes, por antipatias pessoais contra os antigos bispos e sacerdotes.
A nova música católica necessitou ser agrupada em músicas “litúrgicas” e músicas para “encontros”. Evidentemente que os novos compositores sem conhecimentos teológicos e/ou doutrinários, inadvertidamente, quero crer, acabaram introduzindo em suas letras erros crassos contra a Santa Igreja, que continuam a ser cantados até hoje. Vários hinos que se cantam hoje são de origem protestante expondo os fiéis à assimilação de conceitos teológicos ou doutrinários errôneos.
Tudo que se cantava à cantochão e com toda a reverência  passou a ser cantado nos mais diversos ritmos populares, como se a Igreja devesse se profanizar, imitando o mundo. As letras e músicas passaram a ser carregadas de sentimentalismo a tal ponto que poderiam servir também para embalar as mais diversas emoções humanas.
A música sacra, bem ao contrário,  deve ter o carisma de elevar o espírito a Deus e favorecer a meditação. Deus nos fala na suavidade da brisa e não no calor do incêndio das paixões e nem nos terremotos das emoções superficiais.
Se necessitamos “sentir” tais emoções é porque precisamos amadurecer nossa fé, aprofundar nosso conhecimento sobre a Igreja e, sobretudo, aprendermos a rezar.
O caminho da música católica deve passar necessariamente pelo bom senso e pelo respeito às suas origens: o ritmo suave, as letras dotadas de conteúdo profundo e o acompanhamento do instrumento sacro por excelência: o órgão.
Assim ela estará cumprindo sua finalidade primeira: elevação da alma à Deus.
Se o homem do nosso tempo não acha gosto no canto sacro tradicional a eles se aplicam plenamente as palavras do Apóstolo Paulo: “Mas o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois para ele são loucuras. Nem as pode compreender, porque é pelo Espírito que se devem ponderar.”
                                                              (I Cor. 2, 14)

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