HINO OU
MÚSICA?
“Quem canta reza duas
vezes”. Este provérbio, dentro de um
contexto moderno tem sido entendido como uma manifestação externa de uma
espiritualidade voltado predominantemente para o louvor.
Após o Vaticano II
uma inundação de músicas-mensagens invadiu o repertório litúrgico como músicas
litúrgicas integrando, indevidamente, as Celebrações Eucarísticas.
Em dado momento tais
músicas chegaram a se constituir em uma marca da nova fase da Igreja: a
Pós-Concíliar.
O novo tempo na
Igreja, à custa de interpretações infundadas deu margem ao surgimento de
centenas de grupos musicais e de suas composições carregadas de
sentimentalismos e pobres de piedade e de valores autenticamente cristãos. É o
que se chama de músicas-mensagens.
Enquanto cresciam estas
iniciativas, os antigos hinos litúrgicos gregorianos ou tradicionais eram
jogados no mais fundo das lixeiras musicais na tentativa de sepultá-los para
sempre, atitude esta motivada, muitas vezes, por antipatias pessoais contra os
antigos bispos e sacerdotes.
A nova música
católica necessitou ser agrupada em músicas “litúrgicas” e músicas para
“encontros”. Evidentemente que os novos compositores sem conhecimentos
teológicos e/ou doutrinários, inadvertidamente, quero crer, acabaram
introduzindo em suas letras erros crassos contra a Santa Igreja, que continuam
a ser cantados até hoje. Vários hinos que se cantam hoje são de origem
protestante expondo os fiéis à assimilação de conceitos teológicos ou
doutrinários errôneos.
Tudo que se cantava à
cantochão e com toda a reverência passou
a ser cantado nos mais diversos ritmos populares, como se a Igreja devesse se
profanizar, imitando o mundo. As letras e músicas passaram a ser carregadas de
sentimentalismo a tal ponto que poderiam servir também para embalar as mais
diversas emoções humanas.
A música sacra, bem
ao contrário, deve ter o carisma de
elevar o espírito a Deus e favorecer a meditação. Deus nos fala na suavidade da
brisa e não no calor do incêndio das paixões e nem nos terremotos das emoções superficiais.
Se necessitamos
“sentir” tais emoções é porque precisamos amadurecer nossa fé, aprofundar nosso
conhecimento sobre a Igreja e, sobretudo, aprendermos a rezar.
O caminho da música
católica deve passar necessariamente pelo bom senso e pelo respeito às suas
origens: o ritmo suave, as letras dotadas de conteúdo profundo e o
acompanhamento do instrumento sacro por excelência: o órgão.
Assim ela estará
cumprindo sua finalidade primeira: elevação da alma à Deus.
Se o homem do nosso
tempo não acha gosto no canto sacro tradicional a eles se aplicam plenamente as
palavras do Apóstolo Paulo: “Mas o homem natural não aceita as coisas do
Espírito de Deus, pois para ele são loucuras. Nem as pode compreender, porque é
pelo Espírito que se devem ponderar.”
(I Cor. 2, 14)
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