RONALDO "O FENÔMENO”
Uilsedir P. Campos
Ronaldinho nasceu pobre, de família pobre,
num beco qualquer de uma favela do Rio de Janeiro. Conviveu com assaltantes,
balas perdidas, drogas. Viu de perto tanta desgraça que dele nada se poderia
esperar a não ser um novo bandido na praça que viria a ser morto em tiroteio
com a Polícia.
Mas, Ronaldinho não seguiu o destino que a
sociedade em que vivia lhe impunha. Ele quis ser diferente. Começou treinando
futebol nas peladas do morro. Com dificuldade conseguiu concluir o ensino
fundamental.
Ronaldinho sonhava grande. Não seria como os
outros meninos de sua rua. Um dia ele iria vencer. Ele tinha certeza disto.
Vou agora ao meu dicionário “Aurélio” em
busca de uma definição de “fenômeno” e encontro mais de dez. Tomo apenas uma
delas. A que diz “Pessoa que se distingue por algum talento extraordinário”.
Com esta definição começo a enquadrar o
Ronaldinho sob esta perspectiva. E, por incrível que pareça, ele é realmente um
fenômeno.
Ronaldinho poderia ser um drogado, um
traficante, um criminoso. Mas, não foi. Ele é um fenômeno!
Ronaldinho cresceu, se desenvolveu e é hoje,
um orgulho para sua família. É um fenômeno!
Até aqui, tenho a certeza que você já sabia
de quem eu estava falando. No entando, prezado leitor, devo lhe garantir: você
se enganou.
O Ronaldinho da minha história não é
conhecido no mundo todo, não recebe honras de herói nacional nem prêmios
milionários. Ronaldinho não tem mansões na Europa e nem anda de Ferrari.
Ronaldinho nunca comeu em um restaurante e quando adoece não se trata no
Hospital Sírio Libanês ou no Copa D’Or. O Ronaldinho de que falo não se casou
em um castelo na Europa, nunca desfilou no carro do Corpo de Bombeiros pelas
ruas da das cidade, jamais foi recebido pelo presidente da República e nem
aparece diariamente na TV, nos jornais e nas revistas.
O Ronaldinho da minha história só é
conhecido pela própria família e pelos amigos que ganhou ao longo de sua vida
morando no morro. Ronaldinho nunca recebeu qualquer prêmio ou homenagem pelo
que faz. Ao contrário, recebe, às vezes, desprezo e deboche dos usuários. Sua
casa é apenas um “puxadinho” que fez colado à casa de sua mãe e onde moram ele,
a mulher e os três filhos. Ronaldinho desfila todos os dias pela avenida em um
carro, da coleta do lixo, e, longe dos restaurantes cinco estrelas, garimpa do
lixo alguma coisa para comer quando a fome é insuportável. Se ele existe, nem a
presidente do País e nem os jornais ou a TV
sabem. Se adoece, ele precisa brigar na fila do SUS para ser atendido.
Isto, sim, é ter talento extraordinário.
Sobreviver em um país com tantas riquezas, mas dividido pela injusta, perversa
e subversiva distribuição de rendas.
Você, sim, merece respeito sendo honesto em
um país que inverteu os valores endeusando aqueles que sabem usar os pés e
desprezando aqueles que sabem usar a cabeça.
Você, sim, deveria ser reconhecido como
exemplo, como herói nacional, pois não mercadejou com a honra e nem procurou
meios desonestos para viver.
Você, sim, deveria ser conhecido no mundo
todo!
Você, é um vencedor!
Ronaldinho, você, sim, é um FENÔMENO!
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