terça-feira, 6 de dezembro de 2016

CNBB VERSUS IGREJA CATÓLICA


Othon Campos
(...) Porque os senhores bispos da CNBB não denunciam o relativismo moral? Porque não combatem os abusos na Missa? Porque apoiar o MST, a CPT, as CEBs? Porque não denunciar o erro?
     Muitas almas se perdem. Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento do Altar é brutalmente ultrajado pelas guitarras loucas da RCC, contorcendo a língua com a fala dos anjos... decaídos. Pode-se ofender o Papa e a Igreja Católica. Mas condenar e combater o erro, isso ninguém pode fazer. Nem a CNBB, mas por vontade própria.
     Enfim, o que devem fazer os católicos diante de tudo isto? Quase nenhum bispo dá ouvidos aos abusos em matéria litúrgica, nem às heresias nos cursos de teologia. Só querem as coisas da terra. Assim, a CNBB está contra a Igreja Católica e o Papa, porque não querem levar a salvação às almas, mas querem preservar o pé de manga.
     Perguntamos se, desgraçadamente, não calharia aplicar à CNBB, o que disse Nosso Senhor em certa passagem do Evangellho:
"Retira-te de Mim, [CNBB], pois tu me me serves de escândalo, pois que não tens a sabedoria das coisas de Deus, mas dos homens" ( Mt. XVI, 23).
Para citar este texto:

"CNBB versus Igreja Católica"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/cnbb_amazonia1/
Online, 06/12/2016 às 18:12:07h

A LITURGIA É SAGRADA

Postado por |

           Continuo nesse artigo a citar pérolas do último livro do Cardeal Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino, com o título “A Força do Silêncio - contra a ditadura do barulho”, pois se trata do Cardeal encarregado pelo Papa de velar pela Liturgia na Igreja.           
            “Não pretendo ocupar nosso tempo opondo uma liturgia à outra, ou o rito de São Pio V ao do Beato Paulo VI. Mas trata-se de entrar no grande silêncio da liturgia; é preciso saber deixar-se enriquecer por todas as formas litúrgicas latinas ou orientais que privilegiam o silêncio. Sem este espírito contemplativo, a liturgia se tornará uma ocasião de dilacerações odiosas e de enfrentamentos ideológicos em vez de ser o lugar da nossa unidade e da nossa comunhão no Senhor. Este é o momento de entrar neste silêncio litúrgico, voltados para o Senhor, que o Concílio quis restaurar”.
          “O que vou dizer agora não entra em contradição com minha submissão e minha obediência à autoridade suprema da Igreja. Desejo profunda e humildemente servir a Deus, a Igreja e ao Santo Padre, com devoção, sinceridade e apego filial. Mas eis aqui a minha esperança: se Deus quiser, quando ele quiser e como ele quiser, na liturgia, a reforma da reforma será feita. Apesar do ranger de dentes, ela virá, pois nela está em jogo o futuro da Igreja”.
            “Estragar a liturgia é destruir nossa relação com Deus e a expressão concreta de nossa fé cristã. A Palavra de Deus e o ensinamento doutrinal da Igreja são ainda ouvidos, mas as almas que desejam voltar-se para Deus, oferecer-lhe o verdadeiro sacrifício de louvor e adorá-lo, já não são cativadas por liturgias demasiadamente horizontais, antropocêntricas e festivas, assemelhadas muitas vezes a acontecimentos culturais barulhentos e vulgares. Os meios de comunicação invadiram totalmente e transformaram em espetáculo o Santo Sacrifício da Missa, memorial da morte de Jesus na cruz para a salvação das nossas almas. O sentido do mistério desaparece pelas mudanças, pelas adaptações permanentes, decididas de forma autônoma e individual para seduzir nossas mentalidades modernas profanadoras, marcadas pelo pecado, pelo secularismo, pelo relativismo e pela rejeição de Deus”.
            “Em muitos países do Ocidente, vemos os pobres abandonar a Igreja católica, pois ela foi tomada de assalto por pessoas mal intencionadas que se fazem passar por intelectuais e que desprezam os pequenos e os pobres. Eis o que o Santo Padre deve denunciar em alto e bom som, pois uma Igreja sem os pobres não é mais a Igreja, mas um simples ‘clube’. Atualmente, no Ocidente, quantos templos vazios, fechados, destruídos ou transformados em estruturas profanas, violando sua sacralidade e seu destino original! Apesar disso, conheço numerosos sacerdotes e fiéis que vivem sua fé com um zelo extraordinário e lutam diariamente para preservar e enriquecer as casas de Deus. Devemos urgentemente redescobrir a beleza, a sacralidade e a origem divina da liturgia...”. 

DOM SCHNEIDER DIZ QUE CATÓLICOS TRADICIONAIS NÃO SÃO “EXTREMISTAS”, MAS A ESPERANÇA PARA O FUTURO



Dom Athanasius Schneider, numa entrevista publicada no site Catholic Herald, disse que “estamos na quarta grande crise da Igreja“. Confira abaixo os pontos mais importantes desta entrevista.
Dom Athanasius indica que esta crise é encabeçada pelos liberais que se instalaram na Igreja, que colaboram com o que é chamado de “novo paganismo” e que está na verdade levando a Igreja Católica a uma divisão. Neste processo vemos algo como o que aconteceu na heresia ariana do quarto século, na qual “uma grande parte da hierarquia da Igreja estava envolvida”.
A raiz desta crise, diz ele, é a “banalização” e a falta de cuidado que o clero, inclusive aqueles em posição de autoridade, e também leigos têm tido para com o Santíssimo Sacramento, o que os está levando a uma secularização.
“A Eucaristia está no coração da Igreja”, disse. “Quando o coração está enfraquecido, o corpo todo está fraco”. Ele acredita firmemente que receber a Sagrada Comunhão nas mãos contribui gradualmente para a perda da Fé na Presença Real e na transubstanciação.
“Parece que a maior parte do clero e dos bispos está satisfeita com o costume moderno da distribuição da Comunhão na mão… o que é tremendo! Como é possível distribuir a Comunhão na mão quando é Jesus que está presente nestas pequenas Partículas?
Existe o doloroso fato da perda de fragmentos da Eucaristia, que logo após caírem são esmagados com os pés. Isto é horrível! Nosso Deus, em nossas igrejas, sendo frequentemente pisoteado! Nesta hora os bispos deveriam erguer suas vozes em defesa de Jesus Eucarístico que não possui voz para defender-se. Eis um ataque ao que é mais Santo, um ataque à Fé na Eucaristia”.
Ele reconhece que temos estado mergulhados nesta crise nos últimos 50 anos, (desde o Concílio Vaticano II), com sua grande confusão doutrinária e litúrgica. Um exemplo claro desta “confusão” é a expectativa do Sínodo Extraordinário que ocorrerá em outubro de 2014 em Roma:
“Penso que este assunto da recepção da Sagrada Comunhão pelos recasados trará grande impacto e mostrará a verdadeira crise da Igreja. A verdadeira crise da Igreja é o antropoteísmo e o esquecimento do Cristo-centrismo… Eis o maior mal: 1) o homem, ou o padre, colocando-se no centro da Liturgia (em algumas igrejas o tabernáculo que abriga Deus é colocado num canto, enquanto o padre fica em posição de destaque), e 2) quando os padres mudam a verdade que Deus revelou, no caso com relação ao sexto Mandamento e a sexualidade humana“. (Neste caso se faz menção aos homossexuais e aos divorciados que vivem amasiados numa segunda união).
Dom Schneider é bastante crítico à tentativa de mudança das práticas pastorais (como distribuir comunhão aos que vivem em condição de pecado e pedem misericórdia). “É um tipo de sofisma. É comparável ao médico que receita açúcar ao diabético, mesmo sabendo que poderá matá-lo”.
Ele continua: “Infelizmente houve na História… membros do clero e mesmo bispos que acenderam incenso ante a estátua do imperador e de ídolos pagãos, ou os que entregaram cópias das Sagradas Escrituras para serem queimadas. Estes – e os clérigos ou católicos que colaboravam com estes – eram chamados em seu tempo de thurificati e traditores. Atualmente também existem na Igreja aqueles que colaboram ou que são os próprios traidores da Fé”.
Como consequência do clero e laicato liberais, Dom Schneider vê uma divisão que está para surgir. “Eu presumo que uma separação vai afetar os católicos em todos os níveis: desde os leigos até a alta hierarquia da Igreja, inclusive”.
Ele espera que esta divisão conduza a uma renovação da Igreja para as práticas tradicionais. O atual sistema “antropocêntrico” do clero (colocando o homem no lugar de Deus) vai entrar em colapso. “Este edifício clerical liberal será autodemolido pois não possui raízes e não dá frutos.” Dificilmente encontramos vocação em dioceses regulares e mesmo ordens religiosas.
O Bispo alerta que “os católicos tradicionais poderão, por um tempo, serem perseguidos ou discriminados mesmo por ordem dos que têm poder nas estruturas exteriores à Igreja.” Todos nós católicos tradicionais já estamos sendo fortemente perseguidos pelas pessoas que têm poder dentro da Igreja – cada um de nós pode contar sua própria história.
Ao final, ele diz, “o Supremo Magistério” vai reafirmar claramente a doutrina católica, e não vai continuar com as ideias do mundo neopagão. Foi a falta de clareza nos documentos do Vaticano II que levou a toda esta confusão.
Quando questionado se, como bispo, é difícil falar claramente sobre o que está acontecendo na Igreja, ele responde: “É pouco importante ser popular ou impopular. Para cada membro do clero, seu primeiro interesse deve ser popular aos olhos de Deus e não aos olhos da modernidade ou daqueles que têm poder. Nosso Senhor alertava: Ai de vós, quando falam bem de vós.“
Ele continua: “A popularidade é falsidade… Grandes Santos da Igreja, como São Tomás Morus e John Fisher rejeitaram a popularidade… ao contrário, aqueles que hoje estão preocupados com a popularidade da mídia de massa e da opinião pública… serão lembrados como covardes e não como heróis da Fé”.
Muitos “católicos” seguem o mundo pagão com suas práticas e são considerados “bons” católicos, enquanto “aqueles que são católicos fiéis ou que promovem a glória de Cristo na liturgia são rotulados de extremistas”.
Dom Schneider também levantou a questão da pobreza, que parece para os liberais a justificativa para se suplantar a moral e a sagrada liturgia. Vemos por exemplo como muitos católicos votam em presidentes que estão assassinando bebês que não nasceram, e justificam isso como sendo “supostamente” a favor dos pobres. Então o bispo ataca a ideia: “Isto é um enorme erro. O primeiro Mandamento que Cristo nos deu é adorar a Deus apenas, a Liturgia não é uma reunião de amigos. Nossa primeira obrigação é adorar e glorificar Deus na liturgia e também na vida. Partindo de uma verdadeira adoração e amor a Deus se aumenta o amor pelos pobres e pelas demais pessoas. É uma consequência”.
Ele finaliza dizendo que os católicos tradicionais que “têm tentado manter a pureza de sua Fé e eles representam o verdadeiro poder da Igreja aos olhos de Deus, e não aqueles que estão na administração”.
E conclui com uma colocação positiva: “eu não estou preocupado com o futuro. A Igreja é a Igreja de Cristo e Ele é a verdadeira cabeça da Igreja, o Papa é apenas o Vigário de Cristo. A alma da Igreja é o Espírito Santo, e Ele é poderoso”.

Pastores e lobos têm algo em comum, ambos se interessam e gostam de ovelhas, e vivem perto delas. Você sabe distinguir?

Pastores buscam o bem das ovelhas, lobos buscam os bens das ovelhas.
Pastores vivem à sombra da cruz, lobos vivem à sombra de holofotes.
Pastores têm autoridade espiritual, lobos são autoritários e dominadores.
Pastores têm fraquezas, lobos são poderosos.
Pastores olham nos olhos, lobos contam cabeças.
Pastores são discípulos, lobos são donos da verdade.
Pastores têm amigos, lobos têm admiradores.
Pastores vivem o que pregam, lobos pregam o que não vivem.
Pastores vivem de salários, lobos enriquecem.
Pastores ensinam com a vida, lobos pretendem ensinar com discursos.
Pastores vivem para suas ovelhas, lobos se abastecem das ovelhas.
Pastores são servos humildes, lobos são chefes orgulhosos.
Pastores se interessam pelo crescimento das ovelhas, lobos se interessam pelo crescimento das ofertas.
Pastores são usados por Deus, lobos usam as ovelhas em nome de Deus.
Pastores sujam os pés nas estradas, lobos vivem em palácios e templos.
Pastores alimentam as ovelhas, lobos se alimentam das ovelhas.
Pastores buscam a discrição, lobos se autopromovem.
Pastores são simples e comuns, lobos são vaidosos e especiais.
Pastores tem dons e talentos, lobos tem cargos e títulos.
Pastores pastoreiam as ovelhas, lobos seduzem as ovelhas.
Pastores ajudam as ovelhas a seguir livremente a Cristo, lobos geram ovelhas dependentes e seguidoras deles.
Os lobos estão entre nós e é oportuno lembrar-nos do aviso de Jesus Cristo: “Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos vorazes". (Mateus 7,15)


Um milagre maior do que o céu e a terra


24/03/2016 12:00 | Categorias: Padre Paulo RicardoLiturgia
Céu e terra passarão, mas o que Deus fez por cada um de nós na Páscoa de Cristo jamais passará
Celebrar a Páscoa neste Ano Jubilar da Misericórdia significa celebrar um milagre. É o que sugere Santo Agostinho quando, comentando a passagem do Evangelho que diz: "Fareis obras maiores do que estas" (Jo 14, 12), diz que salvar um pecador é obra maior do que criar o céu e a terra (cf.Tratados sobre o Evangelho de São João, 72, 3).
A frase é surpreendente, mas é verdadeira. Porque o universo foi criado do nada (ex nihilo), mas o ser humano, pelo pecado, ficou abaixo do próprio nada. Porque o universo recebeu a existência, mas o homem, quando é justificado, entra na felicidade do próprio Deus. Porque os céus e a terra passarão, mas a glória dos justos no Céu jamais passará.
Cada vez que um pecador se aproxima do confessionário, portanto, os nossos olhos da carne não enxergam, mas Deus opera um milagre maior do que a criação de todo o universo, resgatando quem era menos do que nada e enriquecendo-o com o bem da graça, que é melhor do que o bem da natureza (cf. Suma Teológica, I-II, q. 113, a. 9, ad 2).
Por isso, não deixe passar esta solenidade sem receber o perdão dos pecados, pela Confissão sacramental, e sem anunciar aos que estão à sua volta o grande milagre da misericórdia divina. Só assim o Aleluia que cantamos na Vigília Pascal poderá ser repetido eternamente no Céu.
Uma feliz e santa Páscoa para você e toda a sua família!
Tags:
·         Twitter
·         Facebook
·         Enviar para um amigo
19/02/2016 14:25 | Categoria: Liturgia
Segundo o atual prefeito da Congregação para o Culto Divino, sim. “O silêncio é uma condição necessária para o aprofundamento, para a oração contemplativa, além de um importante componente da Liturgia”, diz o Cardeal Robert Sarah.
Ainda há espaço para o silêncio na Santa Missa? Segundo o atual prefeito da Congregação para o Culto Divino, sim. Em uma coluna para o L'Osservatore Romano, o Cardeal Robert Sarah exortou os fiéis católicos a buscarem o recolhimento interior durante a Celebração Eucarística, como condição para que Deus manifeste "sua presença em nossas almas, irrigando-as com seu amor trinitário"."Nós deveríamos evitar transformar a Igreja, que é a Casa de Deus destinada à adoração, em um teatro ao qual as pessoas vêm para aplaudir os atores", insistiu o prelado.
O ensinamento do Cardeal Sarah não é novidade. A necessidade de silêncio na Santa Missa já foi tema de inúmeras deliberações por parte de liturgistas bastante competentes. Todavia, como prefeito de um dos mais importantes dicastérios da Cúria Romana — precisamente aquele que tem a função de cuidar dos Sacramentos da Igreja —, o Cardeal Robert Sarah tem uma autoridade singular neste debate. Porque precisa agir em harmonia com a vontade do Santo Padre, quem, aliás, o apontou para exercer o cargo que ocupa, ele não expressa somente a voz de uma opinião isolada, mas a interpretação verdadeiramente autorizada do Magistério, especialmente quando trata da velha celeuma quanto à correta aplicação do Missal de Paulo VI — uma questão, apesar de já exaustivamente debatida, ainda hoje espinhosa. Logo, suas declarações são algo que muito deve nos interessar.
Mas, para compreender o problema abordado, é preciso, antes de tudo, retroceder alguns anos no tempo.
No período anterior à reforma litúrgica do Beato Paulo VI, quando ainda se celebrava a Missa de São Pio V, iniciou-se um intenso movimento de renovação para que, entre outras coisas, os fiéis leigos participassem do "santo sacrifício eucarístico, não com assistência passiva, negligente e distraída, mas com tal empenho e fervor" que os colocassem "em contato íntimo com o sumo sacerdote", o Senhor Jesus [1]. Veio de Pio XII o impulso oficial para tal renovação. Com a encíclicaMediator Dei, o Santo Padre esclareceu o modo pelo qual os fiéis também oferecem o sacrifício eucarístico, embora seja de maneira inferior à do sacerdote, que, por fazer as vezes de Cristo na Terra, é a cabeça de todos os membros da Igreja "e se oferece a si mesmo por eles" (n. 76):
A imolação incruenta por meio da qual, depois que foram pronunciadas as palavras da consagração, Cristo está presente no altar no estado de vítima, é realizada só pelo sacerdote enquanto representa a pessoa de Cristo e não enquanto representa a pessoa dos fiéis. Colocando, porém, no altar a vítima divina, o sacerdote a apresenta a Deus Pai como oblação à glória da SS. Trindade e para o bem de todas as almas. Dessa oblação propriamente dita os fiéis participam do modo que lhes é possível e por um duplo motivo: porque oferecem o sacrifício não somente pelas mãos do sacerdote, mas, de certo modo ainda, junto com ele; e ainda porque com essa participação também a oferta feita pelo povo pertence ao culto litúrgico. Que os fiéis oferecem o sacrifício por meio do sacerdote, é claro, pois o ministro do altar age na pessoa de Cristo enquanto Cabeça, que oferece em nome de todos os membros; pelo que, em bom direito, se diz que toda a Igreja, por meio de Cristo, realiza a oblação da vítima. Quando, pois, se diz que o povo oferece juntamente com o sacerdote, não se afirma que os membros da Igreja de maneira idêntica à do próprio sacerdote realizam o rito litúrgico visível — o que pertence somente ao ministro de Deus para isso designado — mas sim que une os seus votos de louvor, de impetração, de expiação e a sua ação de graças à intenção do sacerdote, aliás do próprio sumo pontífice, a fim de que sejam apresentados a Deus Pai na própria oblação da vítima, embora com o rito externo do sacerdote (n. 83). (negritos nossos).
Nas pegadas de Pio XII, o Concílio Vaticano II introduziu o conceito de "participação ativa" na celebração dos mistérios sagrados, determinando, por meio da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium que, na ação litúrgica, os "pastores de almas" nó só zelassem pela observância das "leis que regulam a celebração válida e lícita", mas também para que os fiéis participassem nela "consciente, ativa e frutuosamente" (n. 11). Para o bem espiritual da grei de Cristo, sem dúvida, tratava-se de algo necessário. Se na Missa presenciamos o sacrifício de Jesus na cruz, por meio do qual a ação divina operou o Mistério da Salvação, é fundamental que os fiéis vivenciem esse momento com profundidade mística e ascese eficaz; não como meros ouvintes, mas como praticantes da Palavra (cf. Tg 1, 22).
Acontece que, no período pós-conciliar, essa "participação ativa" acabou desvirtuada de seu sentido original e — por causa de algumas teologias de sabor protestante — uma excessiva "autonomia" desenvolveu-se nas celebrações, ao mesmo tempo em que se passava a desprezar o Missal antigo, às vezes até com certo fanatismo e intolerância. Do lado oposto, por sua vez, enquanto alguns se opuseram à reforma com igual agressividade, "muitas pessoas, que aceitavam claramente o caráter vinculante do Concílio Vaticano II e que eram fiéis ao Papa e aos Bispos, desejavam contudo reaver também a forma, que lhes era cara, da sagrada Liturgia" [2]. Isso ocorreu porque, como explicou amiúde Bento XVI, "em muitos lugares, se celebrava não se atendo de maneira fiel às prescrições do novo Missal, antes consideravam-se como que autorizados ou até obrigados à criatividade, o que levou frequentemente a deformações da Liturgia no limite do suportável" [3].
Ao longo dos últimos anos, a Igreja procurou resolver tais problemas por meio de várias determinações e ações pastorais [4]. De maneira geral, o que se pretendeu inculcar na mentalidade dos fiéis é que, embora haja elementos litúrgicos "próprios do passado", os quais podem — e, por vezes, devem — ser mudados [5], "aquilo que para as gerações anteriores era sagrado, permanece sagrado e grande também para nós". Com efeito, "faz-nos bem a todos conservar as riquezas que foram crescendo na fé e na oração da Igreja, dando-lhes o justo lugar" [6].
É dentro dessa perspectiva que se insere o artigo do Cardeal Robert Sarah e toda sua defesa do que ele chama de "silêncio místico". Esse silêncio faz parte do grande patrimônio da espiritualidade cristã que deve ser conservado como elemento imprescindível à comunhão com Deus. A Liturgia, diz o Concílio, precisa contribuir "para que os fiéis exprimam na vida e manifestem aos outros o mistério de Cristo e a autêntica natureza da verdadeira Igreja" ( Sacrosanctum Concilium, n. 2). A "participação ativa", portanto, não significa um cartão verde a todo tipo de inovações e pantomimas dentro da Celebração Eucarística, mas uma atitude interior, de oração propriamente dita, que é a de deixar-se conduzir pela ação de Deus, cuja voz se escuta somente no "murmúrio de uma brisa ligeira" (1 Rs 19, 12). Com essa entrega pessoal, o fiel pode ofertar-se verdadeiramente no sacrifício eucarístico, como descreveu Pio XII. Doutro modo, porém, a atividade pela atividade não resolve o problema levantado pelo Movimento Litúrgico; apenas aumenta a quantidade de gestos exteriores. Ademais, não é sem propósito que a exortação dos padres conciliares à observância do silêncio na Missa esteja justamente no parágrafo sobre a "participação ativa" (cf. Sacrosanctum Concilium, n. 30).
Na linha da grande tradição dos Padres da Igreja e dos santos, que sempre entenderam "o silêncio como condição para a oração contemplativa", e fundamentado pelas mesmas indicações do Antigo e do Novo Testamento, o Cardeal Robert Sarah explica que o "silêncio virtuoso" nada tem que ver com "ociosidade" ou "omissão", comportamentos gerados pelos vícios da covardia, do egoísmo e da dureza do coração. O silêncio virtuoso, ensina, refere-se àquela atitude em que a pessoa deseja "dar espaço aos outros, e especialmente ao Outro absoluto, Deus". É a atitude de Maria — que guardava tudo no coração (cf. Lc 2, 20) — e de José — do qual não se ouve sequer uma palavra durante toda a Escritura. "Em contraste", compara o Prefeito para o Culto Divino, o barulho exterior do tagarela "caracteriza o indivíduo que quer ocupar um lugar mais importante, para empavonar-se ou mostrar-se, ou ainda que deseja preencher seu vazio interior". Ele faz tudo, exceto oração.
"Se nosso 'celular interior' está sempre ocupado porque estamos 'conversando' com outras criaturas, como pode Deus nos alcançar, como Ele pode 'nos ligar'?", questiona o cardeal. Assim, ele conclui, "nós devemos purificar nossas mentes de suas curiosidades, do desejo de seus projetos, a fim de que nos abramos totalmente às graças e à força que Deus quer nos conceder profusamente".
A Instrução Geral do Missal Romano, recorda o Cardeal Sarah, indica os lugares onde se deve fazer silêncio na Missa:
Também se deve guardar, nos momentos próprios, o silêncio sagrado, como parte da celebração. A natureza deste silêncio depende do momento em que ele é observado no decurso da celebração. Assim, no ato penitencial e a seguir ao convite à oração, o silêncio destina-se ao recolhimento interior; a seguir às leituras ou à homilia, é para uma breve meditação sobre o que se ouviu; depois da Comunhão, favorece a oração interior de louvor e ação de graças. 

Antes da própria celebração é louvável observar o silêncio na igreja, na sacristia e nos lugares que lhes ficam mais próximos, para que todos se preparem para celebrar devota e dignamente os ritos sagrados (n. 45). (negritos nossos).
Certamente, o ato de silenciar-se não é fácil e requer, como tudo que está relacionado à vida interior, uma "ação violenta" do indivíduo no caminho da ascese — aliás, "um meio indispensável", como explica o Cardeal Sarah, "para nos ajudar a remover de nossa vida qualquer coisa que nos arraste para baixo, em outras palavras, qualquer coisa que dificulte nossa vida espiritual ou interior e, portanto, um obstáculo à oração". A grande dificuldade para os fiéis cristãos de hoje, porém, é que se perdeu, sob muitos aspectos, essa noção de vida ascética. Por isso, tudo parece tão assustador e fora da realidade. Mas, já nos está claro, engana-se quem considera ser possível escutar a Palavra de Deus e colocá-la em prática sem o devido recolhimento interior. E não é preciso nenhum artigo de cardeal para nos convencer disso. Bastam as palavras de São Tiago: "Se alguém pensa ser piedoso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo: vã é a sua religião" (Tg 1, 26).
Por Equipe Christo Nihil Praeponere
Referências
1.       Papa Pio XII, Carta Encíclica Mediator Dei (20 de novembro de 1947), n. 73.
3.       Idem.