... (por mais que padres e até bispos adorem andar
disfarçados de leigos por aí, as regras da Igreja Católica obrigam o sacerdote a usar batina ou
pelo menos o clergyman, aquele colarinho próprio dos padres). O argumento dos
fãs do disfarce é o velho ditado “o hábito não faz o monge”, segundo o qual é
perfeitamente possível ser um bom padre sem usar o traje clerical, e que a
batina por si só não impede um padre de cometer barbaridades (aliás, concordo
com o segundo ponto e discordo do primeiro). O mesmo raciocínio se aplicaria ao
hábito das ordens religiosas masculinas e femininas. Mas uma pesquisa de Hajo
Adam e Adam Galinsky, da Northwestern University, publicada no Journal of Experimental Social Psychology, ... avaliou
o impacto do traje não na maneira como quem o veste é percebido pelos outros,
mas no modo como a pessoa percebe a si
mesma quando está usando a roupa característica de sua função. Uma reportagem de Tom
Jacobs destrincha a pesquisa mostrando como os participantes da experiência
(estudantes de graduação, pelo que entendi) melhoraram seus resultados em
testes que exigiam atenção e cuidado quando vestiam jaleco do tipo usado por
médicos ou em laboratórios. Para comparar, outros estudantes também estavam com
o mesmíssimo uniforme, mas foram informados de que se tratava de jalecos do
tipo usado por artistas quando estão pintando. Esse grupo não apresentou
nenhuma melhora nos resultados dos testes. “Parece haver algo especial sobre a
experiência física de vestir certa peça de roupa”, escreveram os pesquisadores.
E onde entram as
roupas usadas por líderes religiosos (e aí não estamos falando só da batina dos
padres ou do hábito de frades, monges e freiras)? Galisnky e Adam fizeram um comentário no siteScience and religion today explicando
que o resultado de sua pesquisa também poderia ser aplicado aos trajes dos
clérigos, e que seu uso seria importante “não apenas pela impressão que [o
traje] causa nos outros, mas também pela influência que a vestimenta tem sobre
os próprios líderes”, já que a roupa “pode exercer influência sobre o modo como
quem a usa sente, pensa e se comporta, através do significado simbólico
associado a ela”. Assim como uma toga significa justiça, um terno caro
significa poder e um jaleco de laboratório significa atenção e foco científico,
o traje clerical é associado a “fé, dedicação e ao compromisso de liderança
responsável na comunidade religiosa”, e o líder religioso “pode exercer suas
tarefas e inspirar seguidores de forma mais efetiva quando usa esse tipo de
vestimenta”. É importante ressaltar que o traje não impede nenhum líder
religioso de agir mal; mas, pelo que Galinsky e Adam concluem, a roupa tem,
sim, um efeito sobre quem a usa. ..
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