Importância do Ministério do catequista
Quinta-Feira, 03 Outubro 2013
O Congresso Internacional de Catequistas que decorreu em Roma na
passada semana merece nota muito positiva por parte da delegação
portuguesa. D. António Francisco dos Santos, bispo de Aveiro e presidente da Comissão
Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé, afirmou ainda em Roma à
Família Cristã que o evento permitiu «promover uma oportunidade para os
responsáveis da catequese de todos os países do mundo poderem refletir sobre a centralidade da catequese na vida da Igreja e neste desafio de
anunciarmos o Evangelho como nos pedia o Papa Paulo
VI: fazei-o mais como testemunhas do que como mestres». «O homem
moderno precisa mais de testemunhas que de mestres. E se ele agradece os
mestres, é porque eles testemunham aquilo em que acreditam e professam,
conforme diz a Evangelii Nuntiandi», afirmou.
O bispo de Aveiro destaca ainda a importância de «colocar os
catequistas e o seu serviço eclesial no centro da ação pastoral da
Igreja» que este congresso demonstrou, «para que a Igreja lhes saiba dar
esta palavra de estímulo e agradecimento que lhes é devida, como disse o
Papa», destacando ainda a forte presença dos portugueses no congresso,
desde os responsáveis diocesanos aos catequistas que se tinham deslocado
a Roma, assim como aqueles que tinham ficado em «comunhão e ligação»
com eles na Semana da Educação Cristã, que se iniciou no domingo, dia da missa com o Papa.
Uma das marcas deste Congresso foi, segundo muitos dos oradores, a necessidade de uma adaptação da linguagem e uma renovação das práticas. O presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã espera que este evento realizado em Roma possa marcar «uma etapa nova para o esforço de renovação da catequese que urge realizar em todo o mundo». «Analisando o valor de Deus e da memória da Igreja, atualizando a exigência de nova linguagem e propondo caminhos para novas metas, inserindo nesta transformação civilizacional que se está a operar», sustentou o prelado.
D. António recorda a catequese com o Papa como um dos pontos altos do congresso, e a profundidade das suas palavras simples. «Ajudou-nos a perceber a essência da Igreja, que parte sempre de Cristo, para irmos ao encontro do outro e levar-lhe a mensagem e testemunho de Cristo, este outro que se encontra hoje em espaço, tempos e situações das mais diversas, e de irmos até às periferias. Recordo a referência que ele fez à sua primeira diocese, onde estava muito preocupado porque tinha tantas crianças que não sabiam fazer o sinal da cruz», lembrou o bispo de Aveiro.
D. Rino Fisichella, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, pediu aos bispos que fossem os primeiros catequistas e que dessem o exemplo de renovação e transformação na forma de dar catequese. «Nós, os bispos, desde o tempo dos apóstolos, sentimos que somos catequistas. Este convite que ele nos fez de irmos ao encontro das pessoas em jeito catequético é muito importante, é a marca da nossa identidade como bispos, e o anúncio do Evangelho pede novos evangelizadores», referiu D. António Francisco dos Santos.
Quanto a possibilidade da criação do ministério do catequista, o bispo de Aveiro olha com bons olhos para ela, mas avisa para o perigo da vulgarização dos ministérios. «Não se pode entrar numa vulgaridade de atribuir ministérios que são para sempre a torto e a direito, mas creio que a criação do ministério é uma boa solução», refere.
«Podemos ter instituído os ministérios de catequistas formadores, e começar por aí. Faz sentido instituir este ministério, porque sobretudo nos países de primeira evangelização, em que os catequistas vivem quase a tempo inteiro essa missão, faz sentido transformar essa missão num ministério que os identifique e, ao mesmo tempo, que valorize a sua ação permanente na Igreja. Que seria a Igreja de Deus sem a vocação e missão permanente dos catequistas?», questiona o prelado.
O bispo de Aveiro considera ainda que o «testemunho» que o Papa Francisco está a deixar faz com que esta seja a altura «ideal« para fazer esta reflexão.
A presença «avassaladora» do Papa Francisco
Cristina Sá Carvalho, diretora do departamento de catequese do Secretariado Nacional de Educação Cristã (SNEC), destaca a presença do Papa Francisco e o seu «conhecimento grande da realidade da igreja e das suas necessidades» como uma dos pontos altos do congresso.
A diretora do SNEC, que teve oportunidade de cumprimentar pessoalmente o Papa, tendo-lhe feito o convite de se deslocar ao nosso país, afirmou que Francisco indicou o caminho. «Começarmos nós mesmos a praticar esses princípios que professamos e esse compromisso que cada catequista terá aceite no seu coração, e abeirarmo-nos da periferia», disse a responsável do SNEC, para quem «a fé dos cristãos é de corresponsabilidade». «Mesmo quando pensamos na formação dos catequistas, pensamos em fazê-los crescer humanamente, para que fiquem preparados para dar catequese»
Cristina Sá Carvalho quer catequistas «que levem a voz de uma fé viva e importante para as pessoas, porque temos de olhar para a Igreja do nosso país sobre essa perspetiva de esperança». Para isso, é preciso «investir» na formação do catequista, «para que ele compreenda a plenitude da Palavra de Deus e a saiba transmitir».
Esta responsável considerou que os caminhos apontados no Congresso já estavam a ser seguidos no SNEC e nas dioceses portuguesas, fruto da «capacidade que os nossos bispos demonstraram de fazer essa reflexão sobre a catequese no nosso país». «Nós temos sempre uma baixa auto-estima, e achamos que lá fora é que se fazem coisas boas. No entanto, apesar das nossas limitações, os catequetas internacionais elogiam o facto de termos 10 anos de catequese, que não acontece noutros países», exemplificou Cristina Sá Carvalho, que anunciou ainda que os testemunhos e as conclusões deste Congresso serão abordadas nas Jornadas Nacionais de Catequese, que irão ter lugar este fim-de-semana em Fátima.
Uma das marcas deste Congresso foi, segundo muitos dos oradores, a necessidade de uma adaptação da linguagem e uma renovação das práticas. O presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã espera que este evento realizado em Roma possa marcar «uma etapa nova para o esforço de renovação da catequese que urge realizar em todo o mundo». «Analisando o valor de Deus e da memória da Igreja, atualizando a exigência de nova linguagem e propondo caminhos para novas metas, inserindo nesta transformação civilizacional que se está a operar», sustentou o prelado.
D. António recorda a catequese com o Papa como um dos pontos altos do congresso, e a profundidade das suas palavras simples. «Ajudou-nos a perceber a essência da Igreja, que parte sempre de Cristo, para irmos ao encontro do outro e levar-lhe a mensagem e testemunho de Cristo, este outro que se encontra hoje em espaço, tempos e situações das mais diversas, e de irmos até às periferias. Recordo a referência que ele fez à sua primeira diocese, onde estava muito preocupado porque tinha tantas crianças que não sabiam fazer o sinal da cruz», lembrou o bispo de Aveiro.
D. Rino Fisichella, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, pediu aos bispos que fossem os primeiros catequistas e que dessem o exemplo de renovação e transformação na forma de dar catequese. «Nós, os bispos, desde o tempo dos apóstolos, sentimos que somos catequistas. Este convite que ele nos fez de irmos ao encontro das pessoas em jeito catequético é muito importante, é a marca da nossa identidade como bispos, e o anúncio do Evangelho pede novos evangelizadores», referiu D. António Francisco dos Santos.
Quanto a possibilidade da criação do ministério do catequista, o bispo de Aveiro olha com bons olhos para ela, mas avisa para o perigo da vulgarização dos ministérios. «Não se pode entrar numa vulgaridade de atribuir ministérios que são para sempre a torto e a direito, mas creio que a criação do ministério é uma boa solução», refere.
«Podemos ter instituído os ministérios de catequistas formadores, e começar por aí. Faz sentido instituir este ministério, porque sobretudo nos países de primeira evangelização, em que os catequistas vivem quase a tempo inteiro essa missão, faz sentido transformar essa missão num ministério que os identifique e, ao mesmo tempo, que valorize a sua ação permanente na Igreja. Que seria a Igreja de Deus sem a vocação e missão permanente dos catequistas?», questiona o prelado.
O bispo de Aveiro considera ainda que o «testemunho» que o Papa Francisco está a deixar faz com que esta seja a altura «ideal« para fazer esta reflexão.
A presença «avassaladora» do Papa Francisco
Cristina Sá Carvalho, diretora do departamento de catequese do Secretariado Nacional de Educação Cristã (SNEC), destaca a presença do Papa Francisco e o seu «conhecimento grande da realidade da igreja e das suas necessidades» como uma dos pontos altos do congresso.
A diretora do SNEC, que teve oportunidade de cumprimentar pessoalmente o Papa, tendo-lhe feito o convite de se deslocar ao nosso país, afirmou que Francisco indicou o caminho. «Começarmos nós mesmos a praticar esses princípios que professamos e esse compromisso que cada catequista terá aceite no seu coração, e abeirarmo-nos da periferia», disse a responsável do SNEC, para quem «a fé dos cristãos é de corresponsabilidade». «Mesmo quando pensamos na formação dos catequistas, pensamos em fazê-los crescer humanamente, para que fiquem preparados para dar catequese»
Cristina Sá Carvalho quer catequistas «que levem a voz de uma fé viva e importante para as pessoas, porque temos de olhar para a Igreja do nosso país sobre essa perspetiva de esperança». Para isso, é preciso «investir» na formação do catequista, «para que ele compreenda a plenitude da Palavra de Deus e a saiba transmitir».
Esta responsável considerou que os caminhos apontados no Congresso já estavam a ser seguidos no SNEC e nas dioceses portuguesas, fruto da «capacidade que os nossos bispos demonstraram de fazer essa reflexão sobre a catequese no nosso país». «Nós temos sempre uma baixa auto-estima, e achamos que lá fora é que se fazem coisas boas. No entanto, apesar das nossas limitações, os catequetas internacionais elogiam o facto de termos 10 anos de catequese, que não acontece noutros países», exemplificou Cristina Sá Carvalho, que anunciou ainda que os testemunhos e as conclusões deste Congresso serão abordadas nas Jornadas Nacionais de Catequese, que irão ter lugar este fim-de-semana em Fátima.
Ricardo Perna
Publicado em
Actualidade
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