Os anjos como são?
Os
anjos influenciam a nossa vida muito mais do que se pensa, e são nossos
intercessores junto a Deus. Conhecendo-os melhor, mais freqüentemente
invocaremos seu poderoso auxílio.
Diác. Joshua Sequeira, E.P.
Ao falar sobre os anjos, com muita facilidade
vem-nos à mente a clássica representação de um misterioso jovem de bela
aparência, trajando uma longa e alva túnica. Não podemos considerá-la
uma imagem errada, visto que nas próprias Escrituras eles são assim
figurados, como por exemplo, no episódio de Tobias.
Mesmo na Sagrada Escritura, não há
elementos precisos sobre sua natureza e atributos; o que se conhece é
deduzido de sua atuação, nas missões a eles confiadas por Deus junto aos
homens.
Quem são, afinal, os anjos? Que
predicados possuem? A resposta, nós a encontramos nos escritos de um dos
autores que mais a fundo tratou do assunto: São Tomás de Aquino, o
Doutor Angélico. Com base em sua doutrina, vejamos algumas das
interessantes questões relativas aos anjos.
Os anjos são mais numerosos que os homens?
Ao criar, Deus teve em vista "a perfeição do Universo
como finalidade principal" (1), pois tinha intenção de espelhar o
supremo Bem, ou seja, Ele mesmo. Por isso, fez em maior número os seres
mais elevados. E os espíritos celestes, os quais superam em dom e
qualidade qualquer ser corporal, foram criados em tal quantidade que,
perto deles, todas as estrelas do firmamento não passam de um punhadinho
de pedras preciosas.
Todos os homens - desde Adão até o
último a nascer no fim do mundo - são poucos em relação às miríades de
puros espíritos que espelham tão perfeitamente o Criador dos homens e
dos anjos. É com grande veracidade que Dionísio confessou humildemente:
"Os exércitos bem-aventurados dos espíritos celestes são numerosos,
superando a medida pequena e restrita de nossos números materiais" (2).
Os anjos são todos iguais?
Segundo o Doutor Angélico, as criaturas
devem representar a bondade de Deus. Mas nenhuma criatura - nem sequer
Maria Santíssima! - é capaz de representar suficientemente toda a
bondade divina. Por isso, Ele criou múltiplos e distintos seres. Assim,
cada indivíduo representa um aspecto diferente do Bem Supremo, e um
suprirá aquilo que no outro não se encontra..
Os seres criados - se postos em escala,
de inferior a superior - formam uma imensa cadeia, onde o conjunto de
diversos graus, cada qual mais requintado, dá uma noção mais completa e
arquitetônica da Suma Perfeição do que qualquer um deles individualmente
(3).
Ademais, na medida em que as criaturas
se aproximam do Bem Supremo, as diferenças entre elas se multiplicam,
para melhor espelhar a riqueza infinita dos dons de Deus. Deste modo, a
extrema variedade do mundo angélico supera tanto a do mundo físico que
este, comparativamente, parece empalidecido, pobre e até monótono! Entre
os anjos, não há indivíduos semelhantes, agrupados em famílias ou
raças, como ocorre no gênero humano.
Cada um difere do outro, como se fossem espécies diversas (4).
Enquanto São Dionísio explica a divisão
da hierarquia angélica em função de suas perfeições espirituais, São
Gregório o faz de acordo com seus ministérios exteriores: "Os Anjos são
aqueles que anunciam as coisas menos importantes; os Arcanjos, os que
anunciam as mais importantes; as Virtudes, por elas se realizam os
milagres; as Potestades, pelas quais se reprimem os maus poderes; os
Principados, que presidem os próprios espíritos bons" (6).
De que modo os anjos podem influenciar os homens?
Os anjos podem influenciar profundamente
os homens, embora o façam sempre discretamente, pois a humildade também
é uma virtude angélica.
Quantas vezes, uma boa inspiração tem
origem num anjo! Ou quando o pressentimento de algum perigo grave leva a
pessoa a tomar medidas e escapar de um acidente ou livrar-se de um
grande dano, certamente foi algum solícito anjo que zelou pelo bem de
seu protegido.
Mas os anjos exercem um importante
papel, sobretudo no que diz respeito à fé, como nos ensina o Doutor
Angélico: "Dionísio prova que as revelações das coisas divinas chegam
aos homens mediante os anjos. Essas revelações são iluminações.
Portanto, os homens são iluminados pelos anjos" (7).
"Pela ordem da Divina Providência -
continua São Tomás - os inferiores se submetem às ações dos superiores.
Assim como os anjos inferiores são iluminados pelos superiores, assim os
homens, inferiores aos anjos, são por eles iluminados.
(...) Por outro lado, o intelecto humano, enquanto inferior, é fortalecido pela ação do intelecto angélico" (8).
(...) Por outro lado, o intelecto humano, enquanto inferior, é fortalecido pela ação do intelecto angélico" (8).
É verdade que tenho um anjo da guarda para me proteger?
Ao tratar deste ponto, o Doutor Angélico
cita o comentário de São Jerônimo às palavras do Divino Mestre: "seus
anjos [dos pequeninos] no Céu contemplam sempre a face de meu Pai" (Mt
18, 10). "Grande é a dignidade das almas - afirma São Jerônimo -, pois,
ao nascer, cada uma tem um anjo delegado à sua guarda" (9). Assim, cada
homem recebe um príncipe da corte celeste que nunca o abandona, por mais
culposas ou pavorosas que sejam as situações pelas quais passe. Tal
como se reza na conhecida oração ao anjo da guarda (Santo Anjo do
Senhor) ele rege, guarda, governa e ilumina o seu protegido.
O anjo ilumina o homem para incliná-lo
ao bem ou comunicar-lhe a vontade divina (10) e o protege contra os
assaltos do demônio. Sobretudo, o anjo continua sempre na presença de
Deus, mesmo estando ao lado de seu protegido, intercedendo continuamente
por ele.
1) Suma Teológica I, q.50, a.3 resp.
2) De Caelesti Hierarchia, cap.14, in MIGNE, PG, 3, 321 A.
3) cf. I, q. 47, a. 1e 2.
4) cf. I, q. 50, a. 4.
5) I, q.,108, a.,5 s.c.
6) cf. I, q 108, a.,5 resp.
7) I, q. 111 a. 1 s.c.
8) I, q. 111, a.1 resp.
9) MIGNE, PL, 26, 130 B.
10) cf. I, q. 111, a. 1.
2) De Caelesti Hierarchia, cap.14, in MIGNE, PG, 3, 321 A.
3) cf. I, q. 47, a. 1e 2.
4) cf. I, q. 50, a. 4.
5) I, q.,108, a.,5 s.c.
6) cf. I, q 108, a.,5 resp.
7) I, q. 111 a. 1 s.c.
8) I, q. 111, a.1 resp.
9) MIGNE, PL, 26, 130 B.
10) cf. I, q. 111, a. 1.
(Revista Arautos do Evangelho, Set/2007, n. 69, p. 22 e 23)
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