terça-feira, 23 de abril de 2013
AS SETE EXCELÊNCIAS DA BATINA
Por Padre Jaime Tovar Patrón
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Certamente que, uma vez
recebida a ordem sacerdotal, não se esquece facilmente. Porém um
lembrete nunca faz mal: algo visível, um símbolo constante, um
despertador sem ruído, um
sinal ou bandeira. O que vai à paisana é um entre muitos, o que vai de
batina, não. É um sacerdote e ele é o primeiro persuadido. Não pode
permanecer neutro, o traje o denuncia. Ou se faz um mártir ou um
traidor, se chega a tal ocasião. O que não pode é ficar no anonimato,
como um qualquer. E logo quando tanto se fala de compromisso! Não há
compromisso quando exteriormente nada diz do que se é. Quando se
despreza o uniforme, se despreza a categoria ou classe que este
representa.
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2ª PRESENÇA DO SOBRENATURAL NO MUNDO
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Não resta dúvida de que
os símbolos nos rodeiam por todas as partes: sinais, bandeiras,
insígnias, uniformes… Um dos que mais influencia é o uniforme. Um
policial, um guardião, é necessário que atue, detenha, dê multas, etc.
Sua simples presença influi nos demais: conforta, dá segurança, irrita
ou deixa nervoso, segundo sejam as intenções e conduta dos cidadãos. Uma
batina sempre suscita algo nos que nos rodeiam. Desperta o sentido do
sobrenatural. Não faz falta
pregar, nem sequer abrir os lábios. Ao que está de bem com Deus dá
ânimo, ao que tem a consciência pesada avisa, ao que vive longe de Deus
produz arrependimento. As relações da alma com Deus não são exclusivas
do templo. Muita, muitíssima gente não pisa na Igreja. Para estas
pessoas, que melhor maneira de lhes levar a mensagem
de Cristo do que deixar-lhes ver um sacerdote consagrado vestindo sua
batina? Os fiéis tem lamentado a dessacralização e seus devastadores
efeitos. Os modernistas clamam contra o suposto triunfalismo, tiram os
hábitos, rechaçam a coroa pontifícia, as tradições de sempre e depois se
queixam de seminários vazios; de falta de vocações. Apagam o fogo e se
queixam de frio. Não há dúvidas: o “desbatinamento” ou “desembatinação”
leva à dessacralização.
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3ª É DE GRANDE UTILIDADE PARA OS FIÉIS
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O sacerdote o é não só quando está no templo administrando os sacramentos, mas nas vinte e quatro horas do dia.
O sacerdócio não é uma profissão, com um horário marcado; é uma vida,
uma entrega total e sem reservas a Deus. O povo de Deus tem direito a
que o auxilie o sacerdote. Isto se facilita se podem reconhecer o
sacerdote entre as demais pessoas, se este leva um sinal externo. Aquele
que deseja trabalhar como sacerdote de Cristo deve poder ser
identificado como tal para o benefício dos fiéis e melhor desempenho de
sua missão.
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4ª SERVE PARA PRESERVAR DE MUITOS PERIGOS
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A quantas coisas se
atreveriam os clérigos e religiosos se não fosse pelo hábito! Esta
advertência, que era somente teórica quando a escrevia o exemplar
religioso Pe. Eduardo F. Regatillo, S.I., é hoje uma terrível realidade.
Primeiro, foram coisas de pouca monta: entrar em bares, lugares de
recreio, diversão, conviver com os seculares, porém pouco a pouco se tem
ido cada vez a mais. Os modernistas querem nos fazer crer que a batina é
um obstáculo para que a mensagem de Cristo entre no mundo. Porém,
suprimindo-a, desapareceram as credenciais e a mesma mensagem. De tal
modo, que já muitos pensam que o primeiro que se deve salvar é o mesmo
sacerdote que se despojou da batina supostamente para salvar os outros.
Deve-se reconhecer que a batina fortalece a vocação e diminui as
ocasiões de pecar para aquele que a veste e para os que o rodeiam. Dos
milhares que abandonaram o sacerdócio depois do Concílio Vaticano II,
praticamente nenhum abandonou a batina no dia anterior ao de ir embora:
tinham-no feito muito antes.
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5ª AJUDA DESINTERESSADA AOS DEMAIS
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O povo cristão vê no
sacerdote o homem de Deus, que não busca seu bem particular se não o de
seus paroquianos. O povo escancara as portas do coração para escutar o
padre que é o mesmo para o pobre e para o poderoso. As portas das
repartições, dos departamentos, dos escritórios, por mais altas que
sejam, se abrem diante das batinas e dos hábitos religiosos. Quem nega a
uma monja o pão que pede para seus pobres ou idosos? Tudo isto está
tradicionalmente ligado a alguns hábitos. Este prestígio da batina se
tem acumulado à base de tempo, de sacrifícios, de abnegação. E agora, se
desprendem dela como se se tratasse de um estorvo?
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6ª IMPÕE A MODERAÇÃO NO VESTIR
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A Igreja preservou
sempre seus sacerdotes do vício de aparentar mais do que se é e da
ostentação dando-lhes um hábito singelo em que não cabem os luxos. A
batina é de uma peça (desde o pescoço até os pés), de uma cor (preta) e
de uma forma (saco). Os arminhos e ornamentos ricos se deixam para o
templo, pois essas distinções não adornam a pessoa se não o ministro de
Deus para que dê realce às cerimônias sagradas da Igreja. Porém,
vestindo-se à paisana, a vaidade persegue o sacerdote como a qualquer
mortal: as marcas, qualidades do pano, dos tecidos, cores, etc. Já não
está todo coberto e justificado pelo humilde hábito religioso. Ao se
colocar no nível do mundo, este o sacudirá, à mercê de seus gostos e
caprichos. Haverá de ir com a moda e sua voz já não se deixará ouvir
como a do que clamava no deserto coberto pela veste do profeta vestido
com pêlos de camelo.
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7ª EXEMPLO DE OBEDIÊNCIA AO ESPÍRITO E LEGISLAÇÃO DA IGREJA
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Como alguém que tem
parte no Santo Sacerdócio de Cristo, o sacerdote deve ser exemplo da
humildade, da obediência e da abnegação do Salvador. A batina o ajuda a
praticar a pobreza, a humildade no vestiário, a obediência à disciplina
da Igreja e o desprezo das coisas do mundo. Vestindo a batina,
dificilmente se esquecerá o sacerdote de seu importante papel e sua
missão sagrada ou confundirá seu traje e sua vida com a do mundo.
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O
autor: Padre Jaime Tovar Patrón, coronel capelão, ocupou importantes
responsabilidades no Vicariato Castrense. Oriundo de Extremadura,
Espanha, foi grande orador sacro. Autor do livro Los curas de la Cruzada,
autêntica enciclopédia dos heróicos sacerdote que desenvolveram seu
trabalho pastoral entre os combatentes da gloriosa Cruzada de 1936. É,
ademais, uma história do sacerdócio castrense. Faleceu em janeiro de
2004.
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Fonte: São Pio V
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